
Itaboraí faz índice de educação antirracista crescer 270% em dois anos | Divulgação/Prefeitura de Itaboraí
Itaboraí quase quadruplicou seu desempenho em um indicador do Ministério da Educação que mede a implementação de políticas de educação para as relações étnico-raciais. O município passou de 12,9 pontos em 2024 para 47,7 em 2026, avanço de aproximadamente 270% em dois anos.
Com o resultado, Itaboraí ficou acima da média das redes municipais do Estado do Rio de Janeiro, que chegou a 40,3 pontos no mesmo levantamento.
Os dados fazem parte do Painel Diagnóstico Equidade, ferramenta do Ministério da Educação usada para acompanhar a implementação das políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais e de Educação Escolar Quilombola nas redes públicas de ensino.
Índice de Itaboraí cresce 34,8 pontos em dois anos
Em 2024, a rede municipal registrava 12,9 pontos no Índice Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais.
Dois anos depois, a pontuação chegou a 47,7.
A diferença absoluta é de 34,8 pontos. Em termos proporcionais, o crescimento foi de cerca de 270%.
O indicador varia de 0 a 100 e considera diferentes dimensões da política educacional, como institucionalização, formação, gestão escolar, material didático, financiamento, avaliação e monitoramento.
Resultado fica acima da média das redes municipais do Rio
O desempenho de Itaboraí também superou a média registrada pelas redes municipais do Estado do Rio de Janeiro.
Enquanto o município alcançou 47,7 pontos, a média estadual ficou em 40,3.
Isso coloca Itaboraí 7,4 pontos acima da média das redes municipais fluminenses avaliadas pelo diagnóstico.
O que o índice mede
O Diagnóstico Equidade foi estruturado pelo Ministério da Educação para acompanhar como estados e municípios implementam políticas previstas para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
Entre os pontos analisados estão a existência de ações de formação, mecanismos de gestão, recursos didáticos, financiamento e formas de acompanhamento das políticas.
O MEC também utiliza esses dados para acompanhar a implementação das leis que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na educação básica.
Segundo documentação da Política Nacional de Equidade, os índices são construídos a partir de informações prestadas pelas próprias redes de ensino e organizadas em diferentes dimensões.
Itaboraí criou coordenação específica em 2025
Uma das mudanças estruturais ocorreu no início de 2025, quando a Secretaria Municipal de Educação criou a Coordenação de Educação para as Relações Étnico-Raciais.
A área passou a acompanhar e organizar ações voltadas à política de equidade dentro da rede municipal.
No mesmo ano, a Prefeitura promoveu formação continuada sobre letramento racial e educação antirracista para profissionais da educação.
Também houve atividades presenciais envolvendo professores, diretores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e profissionais de apoio.
Educação antirracista virou eixo da rede em 2026
Em 2026, a pauta ganhou ainda mais espaço na organização pedagógica do município.
O eixo temático definido para o ano passou a ser “Itaboraí com foco na Educação Digital e na Educação Antirracista”.
O Folha do Leste mostrou, em janeiro, que a educação antirracista passou a orientar parte das metas educacionais de Itaboraí em 2026.
Além disso, o município criou uma equipe de Agentes ERER para acompanhar e apoiar pedagogicamente as unidades escolares.
A rede também iniciou a elaboração de um Referencial Curricular de ERER e de um Protocolo de Prevenção e Combate ao Racismo.
Política municipal ganhou decreto em junho
Outro marco ocorreu em 30 de junho de 2026.
Nessa data, o município instituiu a Política Municipal de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Antirracista, por meio do Decreto nº 117.
O texto estabelece ações institucionais, pedagógicas e formativas voltadas à valorização da diversidade e ao enfrentamento do racismo dentro das unidades de ensino.
Já em agosto, a Secretaria Municipal de Educação iniciou uma nova formação para profissionais dos Anos Finais, Educação de Jovens e Adultos e agentes ERER.
Indicador mede implementação, não desempenho dos alunos
O avanço de Itaboraí exige uma distinção importante.
O índice não mede aprendizagem, nota de alunos ou desempenho em provas. Ele avalia o grau de implementação das políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais dentro da rede.
Portanto, o salto de 12,9 para 47,7 mostra avanço institucional e administrativo na adoção dessas políticas, mas não permite concluir, por si só, que houve melhora no rendimento escolar dos estudantes.
Essa diferença é relevante para interpretar corretamente o resultado.
Itaboraí ainda está abaixo da metade da escala máxima
Embora o crescimento tenha sido expressivo, o próprio número também mostra espaço para avanço.
Com 47,7 pontos em uma escala de 0 a 100, Itaboraí ainda está abaixo da metade da pontuação máxima possível.
Por isso, o resultado de 2026 representa um salto importante em relação a 2024, mas não significa que a política esteja completamente implementada.
O próximo diagnóstico deverá mostrar se o município conseguirá manter a trajetória de crescimento e avançar também nas dimensões em que ainda há menor nível de implementação.








