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Facções ampliam domínio no garimpo ilegal e pressionam Amazônia Legal

Facções ampliam domínio no garimpo ilegal e pressionam Amazônia Legal | Divulgação/Polícia Federal

A dominação de facções na Amazônia transformou o garimpo ilegal em um sistema de cobrança violenta que atinge trabalhadores vulneráveis. Grupos criminosos passaram a impor mensalidades obrigatórias em regiões como Alta Floresta, no Mato Grosso, onde garimpeiros recebem “informativos” do Comando Vermelho pelo WhatsApp.

As mensagens determinam cadastro, valores fixos e ameaças diretas, revelando como o crime organizado ampliou seu poder sobre atividades ilegais na floresta.

Com regras rígidas, o CV define taxas entre os dias 1º e 8 de cada mês e ameaça quem descumpre. As mensagens citam roubo de equipamentos, destruição de máquinas e até mortes como punição, mecanismo que reforça a lógica de controle territorial armado — cenário já comum em grandes cidades, mas agora replicado em comunidades amazônicas.

Estudo alerta para avanço das facções

Um estudo apresentado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na COP30 confirma o aumento expressivo da presença criminosa na Amazônia Legal. A pesquisa identificou organizações ativas em 344 dos 772 municípios, um crescimento de 32% em um ano. O levantamento mostra que facções ligadas ao narcotráfico enxergam nos crimes ambientais novas oportunidades para lucrar e lavar dinheiro.

A diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, afirma que o Estado precisará adotar estratégias que considerem a conexão entre economia ilegal, violência e destruição ambiental. Esse vínculo, segundo ela, coloca a segurança territorial no centro do debate climático.

17 facções disputam território

A região abriga 17 grupos criminosos, entre eles CV, PCC, Bonde dos 40, ADE, PCM e organizações estrangeiras como a venezuelana Tren de Aragua. O CV domina 202 municípios e disputa outros 84. O PCC controla 31 e disputa 59.

O CV opera com mais força nas rotas fluviais, integrando rotas com Peru e Colômbia. Já o PCC investe em rotas aéreas clandestinas e conexões marítimas via Suriname. Ambos disputam garimpos, pontos de varejo e áreas estratégicas para logística internacional.

Violência cresce em municípios estratégicos

A Amazônia Legal registrou 8.047 mortes violentas em 2024. A taxa de 27,3 por 100 mil habitantes supera em 31% a média nacional. O Amapá lidera o ranking, seguido pelo Maranhão, que foi o único estado a registrar aumento de homicídios.

Em cidades pequenas, como Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a violência explodiu. Os homicídios subiram de 12 para 42 em dois anos, reflexo do avanço do CV e da presença de garimpos dentro de territórios indígenas.

Entre as cidades grandes, Sorriso (MT) se destaca negativamente, com 72 homicídios em 2024, além de altos índices de estupro de vulnerável.

Violência contra mulheres também aumenta

A região registrou 586 assassinatos de mulheres em 2024, número 21,8% acima da média nacional. A combinação de isolamento, ausência de serviços públicos e domínio armado amplia a vulnerabilidade feminina.

Samira Bueno destaca que políticas de proteção precisam considerar especificidades locais, especialmente em aldeias, fronteiras e comunidades ribeirinhas. Segundo ela, o debate ambiental e climático não pode ignorar a dimensão humana da violência.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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