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Paraquedistas do Exército: como funciona a formação dos militares que saltam de aviões?

Paraquedista do Exército Brasileiro desce com paraquedas azul, verde e amarelo, transportando uma bandeira durante demonstração aeroterrestre.

Paraquedistas do Exército: como funciona a formação dos militares que saltam de aviões? | Reprodução/Govbr

Saltar de uma aeronave militar exige muito mais do que coragem. Antes de receber o brevê de paraquedista, o militar precisa desenvolver condicionamento físico, aprender técnicas específicas e demonstrar que consegue cumprir os procedimentos exigidos durante o treinamento.

No Brasil, o Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil (CI Pqdt GPB), localizado no Rio de Janeiro, é uma das principais estruturas responsáveis por essa formação no Exército Brasileiro.

Seu Curso Básico Paraquedista possui duração prevista de seis semanas e combina preparação física, instruções técnicas e uma etapa prática com cinco saltos semiautomáticos.

A especialização prepara militares para exercer funções em organizações que utilizam capacidades aeroterrestres, como a Brigada de Infantaria Paraquedista, além de atender integrantes de outras Forças Armadas e, conforme os critérios aplicáveis, militares estrangeiros.

Embora as imagens de soldados descendo de aviões sejam a parte mais conhecida da atividade, a formação começa muito antes da abertura dos paraquedas.

O que faz um paraquedista militar?

O paraquedista militar recebe treinamento para participar de operações que utilizam o lançamento de pessoal a partir de aeronaves.

Essa capacidade permite deslocar tropas para determinadas áreas sem depender exclusivamente de estradas ou de um desembarque terrestre convencional.

Entretanto, ser paraquedista não significa que todas as missões militares envolvam saltos.

Os integrantes de unidades aeroterrestres também realizam atividades de instrução, manutenção, planejamento, preparação operacional e treinamento terrestre.

Além disso, a participação em operações depende da função exercida por cada militar, dos equipamentos disponíveis e das necessidades da organização.

Dessa forma, o salto representa uma capacidade especializada, não a totalidade da profissão.

Onde os paraquedistas do Exército são formados?

O Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil mantém atividades de formação e especialização aeroterrestre no Rio de Janeiro.

A instituição possui uma trajetória ligada ao desenvolvimento do paraquedismo militar brasileiro.

Segundo a documentação do próprio Centro, o primeiro Curso Básico Paraquedista ocorreu em 1949.

Desde então, a instrução passou por adaptações para acompanhar as necessidades das Forças Armadas e a evolução dos equipamentos utilizados.

O Centro atende diferentes públicos militares, incluindo oficiais, subtenentes e sargentos, além de cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras e integrantes de forças de países parceiros.

Entretanto, a participação nos cursos depende dos requisitos específicos e das vagas previstas para cada turma.

Por isso, a formação não funciona como uma atividade aberta a qualquer pessoa interessada em aprender paraquedismo.

Quanto tempo dura o Curso Básico Paraquedista?

O planejamento divulgado pelo Centro de Instrução estabelece seis semanas de curso, organizadas em duas fases principais.

A primeira concentra a preparação física e a avaliação das condições necessárias para prosseguir.

A segunda reúne a continuidade do treinamento físico, a aprendizagem técnica e a execução dos saltos previstos.

Essa organização demonstra que a especialização depende de uma sequência de avaliações e instruções.

Não basta que o aluno tenha disposição para saltar de uma aeronave.

O militar precisa cumprir os requisitos de cada etapa antes de avançar para a seguinte.

Além disso, é importante distinguir o Curso Básico Paraquedista de outras modalidades de instrução destinadas a soldados e especialistas aeroterrestres.

As organizações militares podem adotar programas diferentes conforme o público e a finalidade da formação.

Como funciona a primeira fase do treinamento?

A primeira fase do Curso Básico Paraquedista possui duração prevista de três semanas.

Nesse período, os alunos participam de atividades de treinamento físico militar destinadas a desenvolver capacidades necessárias para a especialização.

O programa inclui exercícios de condicionamento físico e atividades que exigem resistência, coordenação e disciplina.

Além disso, os instrutores acompanham o desempenho dos participantes ao longo da preparação.

Ao final dessa etapa, os alunos passam por um Teste de Verificação Física (TVF).

O resultado contribui para definir quais militares apresentam condições de avançar na formação.

Portanto, a primeira fase não termina automaticamente com a aprovação de todos os participantes.

O objetivo é preparar e selecionar os alunos que atendem às exigências estabelecidas.

O que os militares aprendem antes do primeiro salto?

A segunda fase também possui duração prevista de três semanas.

Inicialmente, os militares continuam o treinamento físico e começam a desenvolver as competências técnicas necessárias para a atividade paraquedista.

Entre os conteúdos abordados estão os procedimentos aeroterrestres, as técnicas de saída da aeronave e os princípios de aterragem e reorganização.

Essas instruções ajudam o aluno a compreender o que deverá executar durante o treinamento prático.

Além disso, a preparação em solo permite que os instrutores avaliem a execução dos procedimentos antes da participação nos saltos.

A formação não se limita ao momento em que o militar abandona a aeronave.

O aluno também precisa aprender a atuar adequadamente após chegar ao solo, etapa importante para sua segurança e para a continuidade das atividades militares.

Quantos saltos são necessários para concluir o curso?

A documentação do Centro de Instrução estabelece cinco saltos semiautomáticos na etapa prática do Curso Básico Paraquedista.

Esses saltos ocorrem depois da preparação física e das instruções técnicas previstas.

No salto semiautomático, a abertura do paraquedas principal é acionada por um sistema associado à aeronave, diferentemente do salto livre em que o próprio paraquedista realiza a abertura durante a queda.

Essa característica não elimina os riscos da atividade.

Por isso, a formação exige treinamento prévio, equipamentos adequados e acompanhamento especializado.

Além disso, as equipes precisam observar condições de segurança antes de realizar cada lançamento.

Cumprir a quantidade prevista de saltos faz parte da formação, mas a conclusão do curso também depende dos demais requisitos de avaliação.

Qual é a diferença entre salto semiautomático e salto livre?

Os dois tipos de salto utilizam paraquedas, mas apresentam características distintas.

No salto semiautomático, a abertura do equipamento principal ocorre por meio de um mecanismo relacionado à saída da aeronave.

Já no salto livre, o paraquedista permanece em queda durante determinado período e realiza a abertura conforme os procedimentos e as condições da modalidade.

Essas diferenças exigem treinamento e equipamentos apropriados.

Entretanto, concluir o Curso Básico Paraquedista não significa receber automaticamente qualificação para todas as modalidades de salto militar.

Existem outras formações e especializações voltadas a necessidades diferentes.

Assim, a qualificação de um militar deve ser compreendida a partir do curso efetivamente concluído.

Quem pode fazer o Curso Básico Paraquedista?

O Centro de Instrução informa que seu curso básico atende oficiais, subtenentes e sargentos das Forças Armadas, além de determinados cadetes e militares de nações amigas.

A formação busca habilitar profissionais para exercer funções em organizações militares que necessitam de capacitação aeroterrestre.

Entretanto, isso não significa que qualquer militar possa se apresentar diretamente para participar.

O ingresso depende de requisitos administrativos, condições físicas, indicações e critérios definidos pelas instituições responsáveis.

Além disso, a Brigada de Infantaria Paraquedista possui atividades de formação e instrução destinadas a soldados incorporados às suas unidades.

Em julho de 2023, por exemplo, o Exército realizou uma cerimônia de brevetação e entrega da boina grená a 1.050 soldados na Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Portanto, é necessário distinguir a formação de oficiais e sargentos dos programas de instrução destinados aos soldados, mesmo quando ambos estão relacionados à atividade paraquedista.

Qual é a função da Brigada de Infantaria Paraquedista?

A Brigada de Infantaria Paraquedista integra a estrutura do Exército Brasileiro e concentra unidades preparadas para operações aeroterrestres.

Sua capacidade envolve o emprego de militares e equipamentos em operações que podem exigir deslocamento por aeronaves e lançamento de tropas.

Entretanto, a brigada não é formada exclusivamente por soldados que executam saltos.

Uma organização militar desse tipo também depende de comunicações, apoio logístico, manutenção, saúde e diferentes especialidades.

Essas atividades permitem preparar pessoal e material, manter equipamentos disponíveis e sustentar os exercícios.

O Folha do Leste já explicou como as Forças Armadas brasileiras organizam suas responsabilidades e atividades. A Brigada Paraquedista representa um exemplo de unidade especializada dentro dessa estrutura.

Quem cuida da segurança e da manutenção dos paraquedas?

A preparação dos equipamentos constitui uma das atividades mais importantes do paraquedismo militar.

O Exército possui o Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA), organização especializada em apoio logístico aeroterrestre.

Seus profissionais trabalham com atividades relacionadas à conservação, manutenção e preparação de materiais.

Além disso, essa especialidade participa do apoio ao suprimento lançado por aeronaves.

O próprio Exército mantém um curso voltado à dobragem, manutenção de paraquedas e suprimento pelo ar.

Essa formação é diferente do Curso Básico Paraquedista e exige competências específicas.

Portanto, a segurança de uma operação não depende apenas do militar que salta, mas também dos especialistas responsáveis pelos equipamentos e pelo apoio logístico.

O que faz um mestre de salto?

O mestre de salto é um militar que recebe formação especializada para atuar na preparação e na condução das atividades de lançamento de paraquedistas.

O Centro de Instrução General Penha Brasil possui um curso próprio para essa qualificação.

Segundo a documentação institucional, a formação contempla responsabilidades relacionadas à preparação da tropa e à organização do lançamento.

O curso também envolve conhecimentos específicos sobre inspeções, preparação de materiais e procedimentos ligados ao emprego aeroterrestre.

Entretanto, ser paraquedista básico não equivale automaticamente a ser mestre de salto.

As qualificações correspondem a etapas e responsabilidades distintas.

Essa diferença reforça a complexidade da atividade: enquanto alguns militares executam os saltos, outros possuem funções especializadas de preparação, supervisão e apoio.

O que significam o brevê e a boina grená?

O brevê de paraquedista identifica uma qualificação militar relacionada à conclusão da formação exigida.

Já a boina grená constitui um dos símbolos tradicionais dos militares da Brigada de Infantaria Paraquedista.

Esses elementos possuem significado institucional e aparecem em cerimônias de conclusão de cursos e de reconhecimento da formação.

Entretanto, sua utilização segue normas específicas, e a existência de diferentes brevês corresponde a qualificações distintas.

Por isso, não se deve considerar que todos os militares que utilizam símbolos aeroterrestres possuem exatamente a mesma especialização.

Além disso, a tradição associada ao brevê e à boina não substitui os requisitos técnicos da formação.

Os símbolos representam uma qualificação conquistada após treinamento e avaliação, dentro das regras aplicáveis à categoria do militar.

Mulheres também podem se tornar paraquedistas militares?

Sim. A participação feminina no paraquedismo militar brasileiro possui registros oficiais.

Em fevereiro de 2025, a Academia Militar das Agulhas Negras informou que sete cadetes mulheres estavam entre os 91 cadetes que concluíram o Curso Básico Paraquedista naquele período.

A turma também contou com oficiais instrutores da Academia.

O registro demonstra a presença de mulheres nessa formação.

Entretanto, a possibilidade de participação em cada curso e carreira depende dos requisitos e das regras de seleção vigentes.

Por isso, a informação sobre uma turma específica não deve ser interpretada como garantia de acesso irrestrito a todas as especializações.

O ponto confirmado é que mulheres já concluíram oficialmente o Curso Básico Paraquedista do Exército Brasileiro.

A formação de paraquedistas continua ativa no Brasil?

Sim. Publicações recentes da Academia Militar das Agulhas Negras confirmam a continuidade da formação.

Em março de 2026, a AMAN destacou 91 cadetes e nove oficiais instrutores que haviam concluído o Curso Básico Paraquedista em fevereiro.

A cerimônia de reconhecimento ocorreu durante uma formatura na Academia, em Resende, no estado do Rio de Janeiro.

O exemplo demonstra que a atividade permanece integrada à formação e à especialização de militares brasileiros.

Entretanto, a conclusão de uma turma não permite determinar, isoladamente, a quantidade total de paraquedistas disponíveis no Exército.

Para isso, seriam necessárias informações consolidadas sobre efetivos, qualificações e situação funcional.

Por que o Exército mantém tropas paraquedistas?

A capacidade aeroterrestre oferece uma alternativa de deslocamento e emprego de tropas em determinadas operações.

Ela permite planejar atividades que envolvem o transporte aéreo de militares, equipamentos e suprimentos.

Entretanto, o emprego depende das características da missão e das condições necessárias à segurança das forças envolvidas.

Além disso, a formação exige investimentos contínuos em instrutores, aeronaves, equipamentos, manutenção e preparação física.

Por isso, manter tropas paraquedistas envolve muito mais do que ensinar militares a saltar de aviões.

O Exército precisa integrar diferentes especialidades para que a capacidade permaneça disponível.

O Curso Básico Paraquedista representa uma etapa dessa preparação, enquanto outras formações complementam o trabalho de equipes especializadas.

A formação de um paraquedista militar reúne preparo físico, domínio de procedimentos, avaliações e treinamento prático. Os cinco saltos previstos simbolizam uma etapa importante, mas a capacidade aeroterrestre depende de toda uma estrutura de instrução, logística e segurança.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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