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Crime organizado ameaça Gás do Povo, e governo reforça fiscalização

Vista aérea de complexo industrial do setor energético à beira-mar, com tanques e estruturas de armazenamento.

Crime organizado ameaça Gás do Povo, e governo reforça fiscalização | Divulgação/Ministério de Minas e Energia

O crime organizado no mercado de gás de cozinha ameaça a execução do programa Gás do Povo, segundo avaliação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Diante desse cenário, o órgão aprovou, nesta sexta-feira (6 de novembro), uma resolução para ampliar a fiscalização do setor. A medida busca impedir que fraudes e irregularidades prejudiquem o abastecimento de famílias em situação de vulnerabilidade social.

O CNPE identificou um “risco emergente” de inviabilidade da política pública diante da atuação do crime organizado no mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP). Por isso, o conselho decidiu reforçar os mecanismos de segurança, controle e acompanhamento das empresas que comercializam o produto.

Além disso, a resolução amplia as atribuições da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Os órgãos deverão intensificar o controle dos agentes econômicos e contribuir para a identificação de irregularidades.

Crime organizado coloca programa Gás do Povo sob risco

O Gás do Povo busca garantir o acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda. Entretanto, a presença de organizações criminosas no mercado de distribuição representa uma ameaça à execução do benefício, conforme o alerta do CNPE.

Para enfrentar esse cenário, a resolução determina a estruturação de novos mecanismos de fiscalização. A iniciativa envolve a ANP, o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e os operadores do programa.

Apesar da gravidade do alerta, o material divulgado não identifica quais organizações criminosas atuam no setor. Tampouco apresenta dados sobre a extensão das irregularidades ou informa quantas famílias poderiam sofrer prejuízos.

Assim, o documento aponta um risco à política pública, mas não permite concluir que o crime organizado já comprometeu a distribuição do benefício.

Botijões de 13 quilos terão fiscalização reforçada

A resolução também reafirma regras para a comercialização de botijões de gás com capacidade de até 13 quilos. Entre as exigências está a identificação da marca comercial da distribuidora em alto-relevo no próprio recipiente.

Além disso, as distribuidoras devem utilizar lacres e selos de inviolabilidade. A comercialização também precisa respeitar a quantidade de gás correspondente à capacidade total do botijão.

Com essas exigências, o governo pretende facilitar a identificação da origem dos recipientes. Ao mesmo tempo, busca dificultar fraudes envolvendo a qualidade e a quantidade do produto entregue ao consumidor.

“A medida fortalece a segurança do consumidor, amplia a capacidade de rastreamento dos recipientes e contribui para a prevenção de fraudes relacionadas à qualidade e à quantidade do produto”, apontou o Ministério de Minas e Energia.

Contudo, a resolução não apresenta essas exigências como regras inteiramente novas. Na prática, o CNPE reforça obrigações de identificação e segurança e procura ampliar a capacidade de fiscalização.

Governo quer identificar sobrepreços e desvios no comércio de gás

Outro ponto da resolução trata do acompanhamento das empresas e dos demais agentes que atuam no mercado de GLP. Nesse caso, os órgãos responsáveis deverão monitorar indícios de desvio de finalidade, sobrepreço e descumprimento das regras de comercialização.

Para isso, a norma prevê maior integração entre os responsáveis pela fiscalização e os operadores do Gás do Povo. O objetivo é reunir informações sobre a circulação dos botijões e identificar eventuais irregularidades.

“Outro eixo importante da norma é o fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade de vasilhames e de controle dos agentes econômicos que atuam no mercado de GLP”, disse o MME.

Além do monitoramento, o governo pretende fornecer informações aos órgãos de defesa do consumidor. Dessa forma, essas instituições poderão identificar agentes que descumpram as normas e adotar as medidas cabíveis para sua responsabilização.

Entretanto, o material divulgado não esclarece quando os novos mecanismos entrarão em funcionamento. Também não detalha como a ANP e o Inmetro executarão as medidas adicionais.

Portanto, a aprovação da resolução representa uma resposta regulatória ao risco identificado pelo CNPE. Seus resultados, porém, dependerão da implementação dos controles e da atuação efetiva dos órgãos fiscalizadores.

Para as famílias que dependem do Gás do Povo, a questão central permanece: garantir o acesso ao gás de cozinha sem fraudes, cobranças irregulares ou desvios que comprometam o benefício.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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