
A Corveta Barroso (V34) representou o Brasil na IBSAMAR IX, exercício naval com a Índia e a África do Sul, realizado em outubro de 2026 nas proximidades de Simon’s Town. | Divulgação/Agência Marinha do Brasil
A Corveta Barroso (V34) representou a Marinha do Brasil em um exercício naval internacional com forças da Índia e da África do Sul, realizado em outubro de 2026 nas águas próximas à Base Naval de Simon’s Town, no litoral sul-africano.
A operação, denominada IBSAMAR IX, reuniu navios de combate, um submarino e aeronaves militares para aperfeiçoar a coordenação entre as três marinhas.
Segundo comunicado divulgado pela Marinha brasileira em 20 de outubro, as tripulações realizaram exercícios de guerra antissubmarino, defesa contra ameaças aéreas, abordagem de embarcações e manobras táticas.
O treinamento também incluiu simulações de trânsito sob ameaças assimétricas, situações nas quais forças adversárias utilizam capacidades desiguais ou métodos não convencionais.
Além da Barroso, participaram embarcações da África do Sul e a fragata indiana INS Tarkash, com apoio de helicópteros e aeronaves militares.
A operação demonstra como a cooperação entre países pode ampliar o preparo das tripulações para atuar em cenários marítimos complexos. Entretanto, o exercício não representa uma operação de combate real nem comprova, por si só, que os três países estabeleceram uma aliança militar permanente.
O que foi a Operação IBSAMAR IX?
A IBSAMAR é uma série de exercícios navais entre Brasil, Índia e África do Sul, países que mantêm relações de cooperação no âmbito do fórum IBAS.
A primeira edição ocorreu em 2008. Desde então, as três marinhas realizam treinamentos periódicos para compartilhar procedimentos e aperfeiçoar a capacidade de atuar de forma coordenada.
A nona edição aconteceu em outubro de 2026, com atividades na Base Naval de Simon’s Town e nas áreas marítimas próximas.
O exercício combinou uma fase de interações profissionais em porto com treinamentos realizados no mar.

Vista da área portuária de Simon’s Town, na África do Sul, que recebeu as atividades da IBSAMAR IX em outubro de 2026. | Cabo Moreira/Marinha do Brasil
A Marinha brasileira informou que a fase de exercícios navais reuniu cinco dias de atividades e terminou em 19 de outubro. Já o Ministério da Defesa indiano registrou a cerimônia de encerramento em 20 de outubro, após dez dias de programação conjunta.
Essas datas não precisam representar operações contraditórias: elas podem se referir a etapas diferentes do mesmo exercício.
O objetivo central foi desenvolver a chamada interoperabilidade, capacidade de forças militares de países diferentes coordenarem comunicações, procedimentos e ações durante atividades conjuntas.
Quais navios participaram do exercício?
O Brasil participou com a Corveta Barroso (V34), navio de combate de superfície construído no país e incorporado à Marinha em 2008.
A Índia enviou a INS Tarkash, fragata equipada para executar diferentes missões navais.
A África do Sul mobilizou a fragata SAS Amatola, as embarcações SAS King Sekhukhune I e SAS Adam Kok III, além do submarino SAS Manthatisi.
Também participaram aeronaves embarcadas e meios da Força Aérea Sul-Africana.
Entre elas estavam um helicóptero brasileiro AH-11B Super Lynx, um helicóptero indiano Chetak e um caça Gripen empregado pela África do Sul.
A diversidade de plataformas permitiu simular situações envolvendo ameaças vindas de diferentes ambientes: superfície, espaço aéreo e meio submarino.
Além disso, a presença de embarcações com funções distintas proporcionou oportunidades de treinamento em coordenação naval.
Qual foi o papel da Corveta Barroso?
A Barroso atuou como representante da Esquadra brasileira nas atividades combinadas.
A embarcação possui características de um navio de combate de superfície, incluindo sensores, armamentos e capacidade de operar com helicópteros.
Esses recursos permitem sua participação em diferentes modalidades de treinamento naval, conforme o planejamento de cada missão.
Durante a IBSAMAR IX, a corveta participou das simulações realizadas com as embarcações indianas e sul-africanas.
O trabalho conjunto exigiu que tripulações de países diferentes compartilhassem procedimentos de navegação, comunicações e coordenação operacional.
A Marinha não divulgou o desempenho individual de cada navio nem resultados detalhados de avaliações técnicas.
Por isso, não é possível afirmar que a Barroso superou outras embarcações ou venceu confrontos simulados específicos.
O Folha do Leste já explicou as diferenças entre corvetas, fragatas e contratorpedeiros, incluindo as características que distinguem seus projetos e funções.
Na IBSAMAR, essas diferenças contribuíram para compor uma força naval com capacidades complementares.
Como funcionaram os treinamentos de guerra antissubmarino?
A guerra antissubmarino reúne atividades destinadas a localizar, acompanhar e, em situações de combate, enfrentar ameaças representadas por submarinos.
Esse tipo de missão exige coordenação entre diferentes meios, como navios de superfície, aeronaves e equipamentos especializados.
Durante a IBSAMAR IX, as tripulações realizaram simulações de guerra antissubmarino que contaram com a participação de unidades dos três países.
A presença do submarino sul-africano SAS Manthatisi ampliou as possibilidades de treinamento envolvendo o ambiente submarino.

Militares das Marinhas do Brasil, da Índia e da África do Sul participam de formatura durante a operação IBSAMAR IX, realizada em outubro de 2026. | Cabo Moreira/Marinha do Brasil
Entretanto, os comunicados consultados não especificam o papel desempenhado pelo submarino em cada etapa nem divulgam resultados de detecção ou acompanhamento.
Assim, a confirmação disponível é de que a guerra antissubmarino integrou a programação do exercício, sem detalhes operacionais suficientes para reconstruir cada simulação.
Essas atividades são relevantes porque submarinos apresentam características que dificultam sua localização e exigem preparo específico das tripulações.
O que foi treinado contra ameaças aéreas e assimétricas?
Os participantes também realizaram exercícios de trânsito sob ameaça aérea.
Esses cenários permitem que embarcações pratiquem a coordenação de seus meios e a reação a situações simuladas envolvendo o espaço aéreo.
Além disso, a IBSAMAR incluiu treinamento contra ameaças assimétricas, expressão utilizada para descrever situações nas quais adversários apresentam capacidades diferentes ou empregam métodos não convencionais.
No ambiente marítimo, o planejamento contra essas ameaças exige atenção a situações que não seguem necessariamente o padrão de um confronto entre grandes navios de guerra.
Os treinamentos também envolveram abordagens de embarcações, com emprego de mergulhadores de combate.
A programação incluiu, ainda, tiros contra alvo de superfície à deriva e manobras táticas.
Entretanto, a divulgação da Marinha não permite estabelecer a sequência exata de todas essas atividades nem seus resultados individuais.
O fato confirmado é que as tripulações utilizaram os exercícios para compartilhar conhecimentos e aprimorar procedimentos conjuntos.
Por que helicópteros participaram da operação?
Helicópteros embarcados ampliam as possibilidades de atuação de uma força naval.
Conforme seus equipamentos e características, essas aeronaves podem apoiar atividades de vigilância, reconhecimento, transporte e determinadas missões de combate.
Na IBSAMAR IX, a Barroso participou acompanhada de um AH-11B Super Lynx, enquanto a fragata indiana INS Tarkash contou com um helicóptero Chetak.
A Marinha também confirmou a presença de aeronaves da Força Aérea Sul-Africana, incluindo um Gripen.
A participação desses meios permitiu integrar operações navais e aéreas dentro de uma mesma programação.
Entretanto, as fontes oficiais não detalham todas as missões executadas por cada aeronave.
Por isso, não seria correto atribuir ataques simulados ou resultados de combate específicos aos helicópteros sem documentação adicional.
Por que Brasil, Índia e África do Sul realizam exercícios juntos?
Os três países possuem extensas áreas costeiras e interesses relacionados à segurança das rotas marítimas.
Brasil e África do Sul estão ligados pelo Atlântico Sul, enquanto a Índia ocupa uma posição estratégica no Oceano Índico.
Essas regiões concentram rotas comerciais e atividades econômicas que dependem da circulação de embarcações.
Nesse contexto, a cooperação entre marinhas permite compartilhar experiências e desenvolver relações profissionais entre tripulações.
Além disso, exercícios conjuntos ajudam os participantes a compreender procedimentos utilizados por forças estrangeiras.
O Ministério da Defesa indiano destacou que a IBSAMAR IX buscou fortalecer a cooperação operacional e ampliar a confiança entre os militares envolvidos.
Entretanto, participar de um treinamento conjunto não significa assumir automaticamente obrigações de defesa mútua.
A IBSAMAR representa uma iniciativa de cooperação naval, não um tratado que obrigue os participantes a entrar em guerra em defesa dos demais.
Qual é a importância da IBSAMAR para o Atlântico Sul?
O Atlântico Sul possui importância econômica e estratégica para o Brasil.
Rotas marítimas conectam portos nacionais a outros continentes, enquanto diferentes atividades econômicas dependem do funcionamento seguro dessas conexões.
Além disso, a região abriga infraestruturas energéticas, áreas de pesca e instalações relevantes para o transporte internacional.
O Folha do Leste já detalhou a importância estratégica da Amazônia Azul para o Brasil, incluindo a relação entre comércio exterior, recursos naturais e proteção marítima.
A IBSAMAR contribui para essa discussão ao demonstrar como a Marinha pode treinar procedimentos com forças estrangeiras em regiões oceânicas relevantes.
Entretanto, a proteção dos interesses brasileiros no mar não depende apenas de exercícios internacionais.
Ela também exige navios disponíveis, pessoal capacitado, manutenção e capacidade de vigilância contínua.
Por isso, a cooperação internacional complementa as atividades permanentes de defesa naval, mas não as substitui.
A Barroso já havia participado de outras edições?
Sim. A Marinha informou que a participação de 2026 representou a terceira presença da Corveta Barroso na IBSAMAR.
Ao longo da história do exercício, o Brasil também enviou as fragatas Defensora, Independência e Niterói, além do Navio-Patrulha Oceânico Amazonas.
A operação ocorre normalmente a cada dois anos, desde 2008, com uma interrupção em 2020.
Segundo a Marinha, a África do Sul sediou oito das nove edições realizadas até 2026.
Essa continuidade demonstra que a IBSAMAR não é uma iniciativa isolada, mas parte de uma relação de cooperação naval desenvolvida ao longo de diferentes governos e comandos militares.
O intercâmbio permite que novos militares participem de atividades conjuntas e ampliem o conhecimento sobre procedimentos de outras marinhas.
O que acontece com a corveta depois da IBSAMAR IX?
Após o encerramento dos treinamentos na África do Sul, a Corveta Barroso iniciou a próxima etapa de sua comissão internacional.
Segundo a Marinha do Brasil, o navio seguiu em direção a Walvis Bay, na Namíbia, onde estava previsto um exercício de passagem, conhecido como PASSEX, com a Marinha local.
Esses exercícios são realizados durante encontros entre unidades navais e podem envolver treinamentos de navegação e coordenação.
Entretanto, o comunicado de 20 de outubro apresenta a atividade na Namíbia como uma etapa futura.
Portanto, a previsão de realização do PASSEX não deve ser apresentada como prova de que o treinamento já aconteceu.
A continuidade da viagem demonstra que a atuação brasileira no continente africano não se limitou à IBSAMAR IX.
O que a operação representa para a Marinha do Brasil?
A IBSAMAR IX ofereceu à Marinha do Brasil uma oportunidade de integrar a Corveta Barroso a uma força naval multinacional.
Durante os treinamentos, as tripulações praticaram procedimentos relacionados a ameaças aéreas, guerra antissubmarino, abordagens e navegação conjunta.
Além disso, a participação de helicópteros e de um submarino ampliou a variedade de situações simuladas.
O exercício também reforçou as relações entre Brasil, Índia e África do Sul, países que compartilham interesses na segurança das rotas oceânicas.
Entretanto, não há resultados públicos suficientes para transformar a participação brasileira em uma classificação de desempenho militar frente às outras marinhas.
O principal resultado documentado é a realização das atividades conjuntas e a continuidade da cooperação internacional.
Ao participar da IBSAMAR IX, a Corveta Barroso contribuiu para o treinamento de operações navais multinacionais, mantendo a presença brasileira em um exercício que conecta o Atlântico Sul e o Oceano Índico.








