Chuvas em Minas Gerais já mataram 81 pessoas e fazem período mais letal em 20 anos

Chuvas em Minas Gerais já mataram 81 pessoas e fazem período mais letal em 20 anos | Divulgação/Prefeitura Matias Barbosa
As chuvas em Minas Gerais 2026 já transformaram o atual período chuvoso no mais letal dos últimos 20 anos no estado. Os dados são da Defesa Civil de Minas Gerais.
O ciclo começou em 1º de outubro de 2025 e segue até o fim de março. No entanto, a chuva histórica registrada nesta semana na Zona da Mata elevou drasticamente o número de vítimas.
As cidades mais atingidas foram Juiz de Fora e Ubá, onde os temporais provocaram deslizamentos de terra, enchentes e colapso de imóveis.
Número de mortos e desaparecidos
Até a tarde desta sexta-feira (27), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais confirmou 65 mortes nas duas cidades.
59 óbitos em Juiz de Fora
6 óbitos em Ubá
Além disso, quatro pessoas seguem desaparecidas em meio aos escombros. Enquanto isso, centenas de famílias estão desabrigadas ou desalojadas.
Com esses registros, Minas Gerais soma 81 mortes desde o início do período chuvoso, segundo a Defesa Civil.
Maior número de mortes desde 2005
O total de vítimas já supera o período de 2019–2020, quando o estado registrou 74 mortes por eventos climáticos extremos.
Naquele momento, as ocorrências se espalharam por várias regiões. Já em 2025–2026, as mortes se concentram, sobretudo, nas cidades atingidas pelos temporais desta semana.
Além disso, o número pode aumentar. Ainda há desaparecidos. As previsões indicam continuidade das chuvas em março.
Cidades com registros de óbitos
De acordo com a Defesa Civil, as mortes desde outubro se distribuíram da seguinte forma:
Juiz de Fora: 62
Ubá: 6
Eugenópolis: 4
Muriaé: 1
Sabará: 1
São Thomé das Letras: 1
Pouso Alegre: 1
João Pinheiro: 1
Porteirinha: 1
Santana do Riacho: 1
Santa Rita de Caldas: 1
Uma morte identificada nesta sexta ainda não constava nos boletins digitais. Mesmo assim, o total chegou a 81 vítimas.
Redução de recursos para enfrentamento das chuvas
Reportagem do Estadão mostrou que o governo de Romeu Zema reduziu em 95% os gastos com o Programa de Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas.
Os dados constam no Portal da Transparência do Estado:
2023: R$ 134,8 milhões
2025: R$ 5,87 milhões
O governo afirma que esses números não incluem investimentos em piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estimados em R$ 200 milhões, nem a compra de kits da Defesa Civil para mais de 600 municípios, avaliados em R$ 70 milhões.
Obras de contenção em Juiz de Fora
Em Juiz de Fora, cerca de 25% da população vive em áreas de risco. Mesmo assim, o município utilizou apenas 16,5% dos recursos federais destinados a obras de contenção de encostas via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Dos R$ 70,2 milhões previstos em três contratos, apenas R$ 11,56 milhões foram executados.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Juiz de Fora tem a 9ª maior população do país vivendo em áreas de risco.
Na quarta-feira (25), a Defesa Civil notificou 800 famílias para deixarem suas casas por segurança.
Resposta da prefeitura
A prefeitura de Juiz de Fora afirmou que obras financiadas por programas federais seguem rito técnico rigoroso. Além disso, informou que investimentos em áreas de risco concluídos desde 2023 somam quase R$ 22,1 milhões.







































