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Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, acompanha lançamento da Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente

Marina Silva participa de encontro em Niterói para lançamento da Carta em Defesa do Meio Ambiente, ao lado de autoridades e apoiadores.

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, acompanha lançamento da Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente | Divulgação

A Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente foi lançada nesta quarta-feira (21), em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. O documento defende políticas permanentes de combate ao desmatamento, proteção dos ecossistemas e enfrentamento das mudanças climáticas. Além disso, o encontro levou a agenda ambiental ao debate eleitoral, a quatro dias do segundo turno presidencial.

A cerimônia reuniu aproximadamente 800 participantes, segundo os organizadores. Entre eles estavam a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o prefeito Rodrigo Neves e o ex-prefeito Axel Grael. Parlamentares, estudantes, ambientalistas e representantes da sociedade civil também participaram.

O manifesto relaciona preservação ambiental, desenvolvimento econômico e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, seus defensores reivindicam a continuidade das políticas nacionais de proteção dos biomas brasileiros.

O que defende a Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente?

A Carta Niterói propõe fortalecer as ações públicas de preservação ambiental, com atenção especial à Mata Atlântica, à Amazônia e ao Cerrado.

Entre os principais pontos divulgados estão o combate ao desmatamento, a proteção da biodiversidade e a redução dos impactos das mudanças climáticas.

O documento também relaciona a preservação dos recursos naturais à geração de empregos, à inclusão social e ao desenvolvimento econômico.

Entretanto, a iniciativa não se limita às questões ambientais. Segundo reportagens sobre o lançamento, o encontro também reuniu manifestações de apoio à continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dessa forma, o evento incorporou a pauta ambiental à disputa presidencial, cujo segundo turno ocorrerá no domingo (25).

Os trechos divulgados da carta não apresentam um cronograma de execução, orçamento ou metas municipais específicas. Portanto, o manifesto expressa posicionamentos e compromissos políticos, sem constituir, por si só, uma nova política pública.

Marina Silva defende integração entre economia e preservação

Durante o encontro, Marina Silva, que comandou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima até abril de 2026, destacou a importância do documento.

“Fiquei muito feliz com essa carta porque ela é um termo de referência para as políticas ambientais. Dizem por aí que os ambientalistas e o meio ambiente atrapalham o desenvolvimento, mas só um negacionista pode dizer isso. Sem um clima equilibrado, não tem como ter agricultura, indústria ou vida. Diziam que era impossível integrar economia e ecologia numa mesma equação, mas provamos que ciência e recursos geram emprego, renda e qualidade de vida. O Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, com o nome do meu querido amigo de saudosa memória, é um exemplo disso”, celebrou a ministra Marina Silva.

A declaração também destacou a relação entre equilíbrio climático e atividades econômicas, como a agricultura e a indústria. Nesse contexto, Marina citou o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis como exemplo de recuperação ambiental associada à utilização dos espaços urbanos pela população.

Antes da cerimônia, ela visitou o parque acompanhada de Rodrigo Neves.

Parque Orla Piratininga integra visita de Marina Silva

Às margens da Lagoa de Piratininga, o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis ocupa uma área de 680 mil metros quadrados, equivalente a 68 hectares.

O espaço reúne 17 praças, oito píeres e jardins filtrantes, além de equipamentos para lazer, cultura e esporte.

Os jardins utilizam vegetação e processos naturais para filtrar a água das chuvas antes que ela chegue à lagoa. Assim, contribuem para reduzir a entrada de impurezas e melhorar as condições ambientais do ecossistema.

Entregue em 2024, o parque integra o programa de recuperação ambiental da Região Oceânica. Além disso, utiliza soluções baseadas na natureza para recuperar áreas degradadas e ampliar os espaços públicos.

Durante a visita, Rodrigo Neves relacionou o projeto à necessidade de planejamento ambiental das cidades e destacou a transformação da região.

“É muito simbólico que tenhamos estado lá na Lagoa de Piratininga, onde construímos uma referência em soluções baseadas na natureza. Todo mundo sabe que a Lagoa de Piratininga era uma região degradada, com acúmulo de lixo e pessoas vivendo em situação muito precária. Nós construímos um projeto extraordinário e inovador de soluções ambientais. Niterói conhece a importância de planejar o futuro, proteger seus ecossistemas e preparar as cidades para os desafios climáticos. Essa responsabilidade não termina nas fronteiras municipais: ela se conecta à defesa da Mata Atlântica, da Amazônia, do Cerrado, dos oceanos e de todos os territórios que sustentam a vida no Brasil”, reforça o prefeito.

A visita ocorreu no mesmo dia em que a Prefeitura de Niterói iniciou as obras de recuperação do Túnel do Tibau, estrutura responsável pela conexão entre o mar e a Lagoa de Piratininga.

A intervenção pretende ampliar a circulação de água e reduzir os riscos de mortandade de peixes. Portanto, as duas iniciativas integram os esforços municipais de recuperação ambiental da região.

Desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado

O lançamento da Carta Niterói ocorreu poucos dias depois da divulgação de novos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo o levantamento apresentado em 16 de outubro, a Amazônia registrou 3.335 quilômetros quadrados de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026.

O resultado representa uma redução de 41,8% em comparação com o período anterior, quando a devastação alcançou 5.731 quilômetros quadrados.

Além disso, o índice constitui o menor valor da série histórica iniciada em 1988.

No Cerrado, o desmatamento caiu de 7.235,27 para 5.516,69 quilômetros quadrados, uma redução de 23,8%. O bioma também registrou seu menor resultado na série histórica, iniciada em 2001.

Apesar das quedas, os dois biomas continuam perdendo extensas áreas de vegetação nativa. Por isso, a manutenção dos resultados depende da continuidade das ações de fiscalização, conservação e recuperação ambiental.

Niterói destaca reflorestamento e proteção de áreas verdes

Além do Parque Orla Piratininga, o município apresentou iniciativas de reflorestamento e monitoramento ambiental durante o encontro.

Uma delas ocorre no Morro do Boa Vista, no Centro de Niterói. A região recebeu um projeto de recuperação da vegetação que alcançou 22 hectares.

O município também instalou sensores para identificar movimentações de massa e sinais de fumaça. Dessa maneira, a tecnologia auxilia o monitoramento de riscos de deslizamentos e incêndios.

Durante a cerimônia, Axel Grael destacou outras iniciativas ambientais da cidade, entre elas o Parque Estadual da Serra da Tiririca e a recuperação da Lagoa de Itaipu.

O ex-prefeito também afirmou que 57% do território municipal conta com proteção por unidades de conservação.

Axel Grael defende continuidade das políticas climáticas

Um dos participantes da elaboração da Carta Niterói, Axel Grael relacionou o documento à trajetória do movimento ambientalista local.

O ex-prefeito citou a criação de áreas protegidas, a recuperação de ecossistemas e a expansão da infraestrutura cicloviária como exemplos dessa atuação. Além disso, defendeu a continuidade das políticas nacionais de enfrentamento das mudanças climáticas.

“Que sorte a nossa ter a presença da nossa ministra Marina, uma das lideranças mais importantes do movimento ambientalista. A ministra conseguiu reerguer toda a política climática do nosso país. Hoje, nós somos uma referência global e não é atoa que recebemos a COP30 e temos a presidência da COP. Nossa cidade também tem tradição ambientalista. O Parque Estadual da Serra da Tiririca, a recuperação da Lagoa de Itaipu, as duas ciclovias mais movimentadas do Brasil e a proteção de 57% do nosso território como unidades de conservação são exemplos disso. Não podemos aceitar que o negacionismo volte a orientar as decisões do Estado brasileiro e é por isso que preparamos a Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente”, explica o ambientalista.

O lançamento ocorreu na região do Sítio Arqueológico de Itaipu, território associado à história da mobilização ambientalista de Niterói.

O encontro também contou com a participação de Carlos Minc, Flávio Serafini, Verônica Lima e Fernanda Sixel, entre outras lideranças políticas e representantes da sociedade civil.

Com a apresentação do manifesto, os participantes defenderam maior articulação entre governos, instituições e sociedade. O objetivo declarado é fortalecer as políticas ambientais e ampliar a capacidade de resposta aos desafios climáticos.

Angélica Carvalho
Angélica Carvalho é jornalista profissional e radialista. Idealizadora e editora-chefe do Folha do Leste, é também sócia-administradora da Brasil 21 Comunicação. Atua na definição das diretrizes editoriais, na coordenação da equipe, na curadoria de pautas e na tomada de decisões estratégicas do veículo. Possui experiência consolidada em assessoria de imprensa e comunicação política no setor público. Além disso, trabalhou por mais de uma década em grandes eventos, com destaque para o Desfile das Escolas de Samba do carnaval carioca.

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