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Câmara suspende por seis meses o mandato de Glauber Braga

Câmara suspende por seis meses o mandato de Glauber Braga

Câmara suspende por seis meses o mandato de Glauber Braga

A suspensão do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ) por seis meses foi aprovada nesta quarta-feira (10) pelo Plenário da Câmara dos Deputados. A decisão registrou 318 votos a favor, 141 contra e três abstenções. O resultado rejeitou a cassação e preservou os direitos políticos do parlamentar.

A sessão analisou denúncia de agressão cometida em abril do ano passado contra Gabriel Costenaro, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL). O Conselho de Ética havia aprovado a cassação por 13 votos a cinco, mas o Plenário optou pela pena alternativa. O destaque que substituiu a perda do mandato pela suspensão recebeu apoio de partidos como PT, PSD e MDB.

Votos e articulação

A mudança de rota começou na votação da preferência, que aprovou o destaque apresentado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). A proposta recebeu 226 votos, contra 220 favoráveis à cassação. Com isso, abriu-se caminho para a análise da pena alternativa no Plenário. A etapa seguinte consolidou a suspensão de seis meses.

Parlamentares que defendiam punição mais branda argumentaram que o episódio violou o Código de Ética, mas não justificava a cassação. Hildo Rocha (MDB-MA) classificou a perda de mandato como exagerada. Laura Carneiro (PSD-RJ) reconheceu divergências com Glauber, mas afirmou que reagiria a provocações em situação semelhante. Fausto Pinato (PP-SP) reforçou entendimento de que o erro não justificava a punição máxima.

Defesa da cassação

O relator do processo, Paulo Magalhães (PSD-BA), manteve a defesa da cassação. Segundo ele, o caso foi amplamente discutido na Comissão de Constituição e Justiça e no Conselho de Ética. Magalhães rejeitou emendas que pediam alternativa à cassação minutos antes da votação.

Entre os defensores da cassação, Kim Kataguiri (União-SP) alegou que as imagens do episódio não comprovam ofensa à mãe do deputado. Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que reagir a ataques à família seria legítimo, mas acusou Braga de mentir sobre o contexto. Ele lembrou que o parlamentar votou a favor da cassação de Daniel Silveira.

A reação de Glauber Braga

Em discurso emocional antes da votação, Glauber disse que reagiu após ouvir ofensas dirigidas à mãe, então internada em estado grave. Ele afirmou que a pena de cassação serviria para silenciar sua atuação política.

“Calar o mandato de quem não se corrompeu é sim uma violência”, declarou.

A bancada do PSOL defendeu o colega. Chico Alencar destacou que Braga não responde a outros processos. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que não havia base suficiente para cassação e criticou comparações com casos anteriores, como o de Carla Zambelli.

Protesto e retirada à força

Na véspera da votação, Glauber ocupou a cadeira da presidência da Câmara em protesto contra a inclusão do seu processo na pauta. Agentes da Polícia Legislativa o retiraram à força menos de uma hora depois. A TV Câmara interrompeu a transmissão ao vivo, assim como a imprensa foi retirada do plenário com uso de violência e força excessiva. Sobretudo, para não ter condições de registrar as arbitrariedades contra o deputado

O episódio gerou críticas de parlamentares e levantou questionamentos sobre transparência. Após a ação, Braga apareceu com a roupa rasgada ao lado de deputados aliados no Salão Verde. Ele acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta, de agir com severidade seletiva.

“Os caras ficaram 48 horas. Eu fiquei algumas poucas horas”, disse, ao comparar a situação com protesto anterior de oposicionistas em agosto.

Em nota, Hugo Motta disse que o deputado desrespeitou o funcionamento da Casa. No entanto, ele não esclarece porque há quatro meses atrás não mandou a Polícia Legislativa retirar os bolsonaristas do mesmo lugar.

“Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo. Inclusive de forma reincidente, pois já havia ocupado uma comissão em greve de fome por mais de uma semana.

Próximos passos

Enquanto durar a suspensão de 120 dias do mandato de Glauber Braga, a ex-senadora Heloísa Helena (REDE), suplente da Federação REDE-PSOL assume a cadeira provisoriamente. A decisão, entretanto mantém Braga elegível. Além disso,  encerra a disputa interna sobre a penalidade. O caso gerou reações cruzadas, assim como se somou a debates paralelos sobre anistia a condenados por atos golpistas e processos envolvendo outros parlamentares.

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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