A vitória de virada sobre o Japão, que deu a classificação ao Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo Fifa 2026, aconteceu em um jogo marcado por medo e sofrimento.
O time comandado por Carlo Ancelotti teve posse de bola e pleno domínio do jogo no primeiro tempo. Porém, esbarrou na proposta tática do Japão, mais eficiente porque impediu o Brasil de abrir o placar e se aproveitou justamente de um erro para sair na frente com Suno, num chute de fora da área, aos 28 minutos.
O pesadelo da eliminação precoce
Daí por diante, a ansiedade pelo primeiro gol — até então sob controle — virou desespero. Isso veio, ainda, acompanhado do medo de eliminação precoce. Sobretudo, após o time ter começado a jogar mal e a não encontrar caminhos que o aproximassem da meta do goleiro Zion Suzuki.
O lado direito ofensivo sequer existia. Ryan mal viu a bola e quando a teve em seus pés, limitou-se a passes burocráricos. Preferia dar o espaço de fora para Danilo e ficar por dentro. O contrário do que acontecia pela esquerda, por onde o Brasil mais atacou no primeiro tempo, com Vini Jr prendendo demais a bola enquanto Douglas dava opção, mas demorava quando não sequer via a cor da pelota.
Corpo sem alma
A falta de entrosamento dos jogadores, desacostumados a jogar juntos ficou evidente. Assim como o medo, presente em todos os setores. Ninguém se atrevia a arriscar, driblar, avançar… Mal se movimentavam, como quem se escondia da bola. Bruno Guimarães errava até cobranças de escanteio. Mateus Cunha, figura nula no jogo, ocupava o espaço na frente, aceitando o tempo todo a marcação dos defensores e sem criar perigo.
Outra questão evidente: o imenso vazio no meio-campo. O Brasil, forçava triangulações pelos lados. Mas no meio-campo havia sempre um losango de espaço.
Ilhado em campo
Sem um companheiro de jogo para ajudar na criação e sobrecarregado na recomposição, Paquetá não conseguiu repetir as boas atuações dos jogos anteriores. Ainda mais após ter sentido um desconforto muscular no começo do jogo.
Mais tarde, no final do primeiro tempo, ele deixou o campo de jogo carregado pelos companheiros para não mais voltar. Uma cena que preocupa para os próximos jogos.
Se vira nos 30
Coube a Endrick substituir Lucas Paquetá após o intervalo. O menino que a torcida brasileira tanto pede para ver jogar entrou no pior dos cenários vividos pela seleção brasileira até então neste mundial. Naquele instante, o Brasil diante da iminência de seu pior desempenho em mundiais desde 1966, época em que a competição tinha o nome de Jules Rimet.
Chuveirinho para dar banho de bola
Logo ficaria clara a orientação dada por Ancelotti: bola pelo alto, cruzada para dentro da área, para criar disputas aéreas e conflitos.
Casemiro usa a cabeça
Mas a solução veio dos jogadores experientes. Aos 8 minutos, Casemiro quase empatou numa cabeçada dada na pequena área, interceptada por Tomiyasu em cima da linha, após cruzamento de Ryan.
Dois minutos depois, não teve jeito. Vini Jr recebeu pela ponta-esquerda e deu a bola para Gabriel Magalhães, que cruzou na cabeça de Casemiro. Dessa vez, o volante, novamente de cabeça, não deu chance alguma de defesa ao goleiro. Gol do Brasil, aos 10 minutos, após quase uma hora de ansiedade.
Dedo de treinador
O empate até então evitava a eliminação precoce do Brasil, mas não garantia permanência na competição. O Japão dava sinais de cansaço, mas conseguia se manter em campo para manter o jogo ao seu modo. Ancelotti mexeu novamente, tirando Mateus Cunha e colocando Martinelli em seu lugar.
O tecnico mostrou porque é consagrado no que faz. Coube a Endrick ficar como centro-avante, sem muitas oportunidades tal qual o companheiro. Já Martinelli, a princípio reserva imediato de Vini Jr, recebeu a orientação de fazer a função de Paquetá.
Assim sendo, ele passou a dar opção de mobilidade ao Brasil, flutuando entre as linhas do Japão, que mesmo com o jogo em 1×1, atacava em 5-3-2 e se fechava num 5-5-0 quando defendia.
Mas só o Brasil tem cinco estrelas
Quando todo mundo já pensava na 11ª prorrogação da seleção brasileira na história em Copas do Mundo, eis o milagre. Pelo lado direito da grande área Rayan fez uma roubada de bola. Poderia ter segurado, prendido, mas preferiu o passe para Bruno Guimarães.
Num raro momento feliz na partida, aos 50 do segundo tempo, o meia deu um lindo passe para Gabriel Martinelli na pequena área. Ele recebeu, dominou, girou e finalizou em gol. Num jogo sofrido e repleto de emoção.
O árbitro italiano, que havia prometido jogo até 51 minutos, levou a partida até os 55. Parecia querer um pouco mais de brilho televisivo. Ou “elogios” à sua progenitora por parte de 220 milhões de pessoas… No mínimo.









