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Boletim Focus eleva projeções para inflação e Selic em 2026

Boletim Focus mostra alta nas projeções para inflação e Selic em 2026

Boletim Focus eleva projeções para inflação e Selic em 2026 | Raphael Ribeiro/CBF

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central voltou a mostrar pressão nas expectativas para 2026. A projeção para o IPCA subiu de 4,91% para 4,92%, enquanto a estimativa para a taxa Selic avançou de 13% para 13,25% ao ano. Além disso, a previsão para o PIB ficou estável em 1,85%, e a projeção para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20.

A mudança reforça a leitura de inflação resistente e juros mais altos por mais tempo. Segundo o Focus, a alta do IPCA de 2026 chegou à décima semana consecutiva. Já a Selic teve o primeiro avanço semanal recente e passou a indicar menor espaço para cortes ao longo do próximo ano.

Principais projeções do boletim Focus

Indicador2026Movimento
IPCA4,92%subiu de 4,91%
PIB1,85%estável
DólarR$ 5,20estável
Selic13,25% ao anosubiu de 13%
IGP-M5,63%subiu de 5,60%
Preços administrados4,93%caiu de 5,01%

Inflação sobe pela décima semana

A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,91% para 4,92%. Embora o avanço seja pequeno, o movimento preocupa porque mantém a inflação esperada acima do teto da meta, considerando centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2027, a estimativa permaneceu em 4% pela terceira semana consecutiva. Já para 2028, a projeção avançou de 3,64% para 3,65%. Para 2029, a mediana seguiu estável em 3,5% pela 37ª semana seguida.

IGP-M também avança

No caso do IGP-M, a mediana para 2026 subiu de 5,60% para 5,63%. Esse foi o 11º avanço consecutivo do indicador no boletim Focus.

Para 2027, a projeção ficou em 4% pela 13ª semana seguida. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 3,82% e 3,70%, respectivamente.

Preços administrados recuam

A previsão para os preços administrados em 2026 caiu de 5,01% para 4,93%, depois de uma semana de estabilidade. Portanto, esse foi um dos poucos alívios do relatório.

Para 2027, 2028 e 2029, as projeções ficaram inalteradas em 3,8%, 3,5% e 3,5%, respectivamente.

PIB fica estável em 1,85%

A projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi mantida em 1,85% pela terceira semana consecutiva. Assim, o mercado segue esperando uma expansão moderada da atividade econômica.

Para 2027, a expectativa subiu de 1,76% para 1,77%. Já as projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 2%, mantendo estabilidade prolongada no horizonte mais longo.

Dólar fica em R$ 5,20 para 2026

A estimativa para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20. Há, portanto, uma correção importante em relação a leituras que misturam os anos: a queda de R$ 5,30 para R$ 5,27 aparece na projeção para 2027, não para 2026.

Para 2028, a mediana caiu de R$ 5,35 para R$ 5,34, acumulando três semanas consecutivas de recuo. Já para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40 pela segunda semana seguida.

Selic sobe para 13,25%

A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 13% para 13,25% ao ano. Esse movimento sugere que o mercado vê menor espaço para cortes de juros em meio à persistência das expectativas de inflação.

Para 2027, a expectativa permaneceu em 11,25%. As estimativas para 2028 e 2029 seguiram inalteradas em 10% ao ano.

Juros altos pressionam atividade

O novo boletim Focus mostra uma combinação sensível para a economia: inflação mais alta, juros mais elevados e crescimento ainda limitado. Essa leitura tende a afetar crédito, consumo, investimentos e custo de financiamento para empresas e famílias.

Além disso, uma Selic projetada em 13,25% ao fim de 2026 indica que o Banco Central pode manter postura cautelosa por mais tempo. Portanto, mesmo com PIB estável em 1,85%, o cenário continua desafiador para uma aceleração mais forte da atividade.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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