
Mercado reduz projeção da inflação para 5%, mas índice ainda supera teto da meta em 2026 | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O mercado financeiro voltou a reduzir, ainda que de forma mínima, a previsão para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA caiu de 5,01% para 5%.
Mesmo com a revisão, a projeção permanece acima do teto de 4,5% da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta está em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Ao mesmo tempo, as instituições financeiras passaram a prever crescimento ligeiramente maior da economia neste ano. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 1,92% para 1,93%.
Para os juros, o mercado espera que a Selic termine 2026 em 13,75% ao ano, abaixo dos atuais 14%.
Inflação corrente melhora, mas projeção do ano ainda preocupa
O cenário traz uma diferença importante entre o comportamento recente dos preços e a expectativa para o fechamento do ano.
Em julho, o IPCA avançou apenas 0,07%, após alimentos mais baratos ajudarem a conter a inflação. Com isso, o índice acumulado em 12 meses ficou em 4,44%, dentro do limite de tolerância da meta.
Ainda assim, os analistas consultados pelo Banco Central calculam que a inflação voltará a ganhar pressão suficiente para terminar 2026 em 5%.
O próximo dado poderá mudar novamente essas projeções. O IBGE divulga na sexta-feira (11) o IPCA de agosto.
Mercado vê inflação acima da meta também em 2027
O Focus também mostrou uma pequena piora na projeção para o próximo ano.
A estimativa do IPCA de 2027 passou de 4,28% para 4,29%.
Para os anos seguintes, o mercado prevê uma desaceleração gradual:
| Ano | Inflação projetada |
|---|---|
| 2026 | 5,00% |
| 2027 | 4,29% |
| 2028 | 3,80% |
| 2029 | 3,50% |
Assim, embora as previsões apontem convergência ao longo dos próximos anos, o mercado ainda trabalha com inflação acima do centro da meta por um período prolongado.
Selic está em 14% e mercado espera novo corte
O Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta para controlar a inflação.
Atualmente, os juros básicos estão em 14% ao ano. Na reunião de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, realizando o quarto corte consecutivo.
Antes disso, a Selic havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, nível que representou o maior patamar em quase duas décadas.
Agora, o Focus aponta que os analistas esperam os juros em 13,75% ao ano no fim de 2026.
Próxima decisão do Copom será em setembro
O Copom volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro.
A decisão ocorrerá em um ambiente que combina desaceleração recente da inflação com fatores de pressão externa, entre eles os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos.
Para os próximos anos, o mercado prevê continuidade do ciclo de redução dos juros:
- 2026: 13,75%;
- 2027: 12%;
- 2028: 10,5%;
- 2029: 10%.
Juros elevados ajudam a reduzir a demanda e a conter aumentos de preços, mas também encarecem financiamentos, empréstimos e investimentos.
Por outro lado, cortes na Selic tendem a reduzir o custo do crédito e estimular consumo e produção, embora possam diminuir o efeito de contenção sobre a inflação.
PIB de 2026 sobe para 1,93%
Na atividade econômica, o mercado fez uma revisão ligeiramente positiva.
A projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 passou de 1,92% para 1,93%.
Para 2027, a previsão permaneceu em 1,5%. Já para 2028, os analistas esperam expansão de 1,96% e, para 2029, de 2%.
O dado mais recente do IBGE mostrou que a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano.
No acumulado de 12 meses, o avanço chegou a 1,9%.
Em 2025, o PIB havia crescido 2,3%, completando o quinto ano consecutivo de expansão.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5,20
O Boletim Focus também manteve o dólar entre os principais indicadores acompanhados pelo mercado.
A expectativa das instituições financeiras é que a moeda norte-americana termine 2026 cotada a R$ 5,20.
Para o fim de 2027, a projeção sobe para R$ 5,30.
O comportamento do câmbio influencia diretamente preços de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e outros componentes da inflação.
Veja as principais projeções do Focus
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| IPCA 2026 | 5,00% |
| IPCA 2027 | 4,29% |
| Selic no fim de 2026 | 13,75% |
| PIB 2026 | 1,93% |
| Dólar no fim de 2026 | R$ 5,20 |
O quadro mostra que o mercado espera juros um pouco menores e crescimento econômico modesto, mas ainda vê dificuldade para que a inflação volte rapidamente ao centro da meta.








