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Alerj aprova criação de banheiros neutros para pessoas trans após polêmica em Niterói

Banheiros neutros para pessoas trans foram aprovados pela Alerj após polêmica em Niterói

Alerj aprova criação de banheiros neutros para pessoas trans após polêmica em Niterói | Divulgação/Octacílio Barbosa/Alerj

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta terça-feira (26), a criação de banheiros neutros para pessoas trans. O projeto de lei é da deputada Índia Armelau (PL)

O assunto voltou a causar polêmica há uma semana após confusão em Niterói, em ato chamado “Libera Meu Xixi”, convocado pela vereadora da cidade Benny Briolly (PT), no Plaza Shopping, no Centro. Na ocasião, a parlamentar disse ter sido agredida, foi levada para o hospital de ambulância e liberada.

Logo depois do episódio, a vereadora Fernanda Louback (PL) também propôs projeto de lei criando banheiros e vestiários neutros destinados a pessoas trans em locais públicos e privados de uso coletivo em Niterói.

No próximo dia 2, a Câmara Municipal de Niterói, fará audiência pública para debater o projeto de lei do vereador Douglas Gomes (PL) que proíbe o uso de banheiros femininos por pessoas trans em espaços públicos e privados do município.

Pessoas trans e não-binárias

O projeto de Índia Armelau prevê a criação de banheiros e vestiários neutros para pessoas trans, não binárias ou que não realizaram cirurgia de redesignação de gênero.

A parlamentar defende a criação de um terceiro banheiro como forma de garantir segurança e conforto para mulheres e crianças. “Eu aceito as pessoas trans, mas também preciso ser respeitada como mulher”, afirmou.

Segregação e vulnerabilidade

A proposta foi aprovada em votação única por 29 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção, após intenso debate no plenário. O texto determina que locais como hospitais, universidades, terminais de transporte, centros esportivos, shoppings e espaços culturais disponibilizem banheiros neutros com acessibilidade, fraldário e sinalização específica.

A deputada Dani Balbi (PCdoB), primeira parlamentar trans da Alerj, criticou duramente o projeto, afirmando que a medida promove segregação e amplia a vulnerabilidade da população trans.

“Isso não afeta apenas a dignidade da população transexual e travesti, mas cria um precedente perigoso para toda a sociedade. As pessoas transexuais e travestis já estão entre os grupos mais vulnerabilizados do país”, afirmou a parlamentar.

Multa pode passar de R$ 10 mil

Estabelecimentos que descumprirem a norma poderão sofrer multas superiores a R$ 10 mil, além de outras sanções administrativas. A proposta agora segue para análise do governador, que terá até 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto.

 Nossa luta continua

Após ser liberada do hospital, a vereadora Benny Briolly, se manifestou em suas redes sociais.

“Tentaram nos calar com violência. Fui agredida durante um ato pacífico em defesa da dignidade das pessoas trans, mas sigo firme. O ódio e a violência não vão nos tirar dos espaços públicos. Nossos corpos resistem. Nossa luta continua”, declarou a vereadora na ocasião.

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Maria Inez Magalhães
Maria Inez Magalhães é editora sênior e repórter especial do Folha do Leste. Jornalista formada pela FACHA, possui mais de 20 anos de experiência, com passagens marcantes pelo jornal O Dia como chefe de reportagem e repórter de Segurança Pública. Especialista em Direitos Humanos, atua na assessoria da ONG Rio de Paz e possui histórico na assessoria de imprensa da ALERJ. É produtora dos documentários ‘Patrícia Acioli, Juíza do Povo’ e ‘Cadê Você?’, além de idealizadora da coluna É O BICHO.

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