
Baleias-jubarte surpreendem remadores na Baía de Guanabara e em Niterói | Divulgação/Quero Ver Baleias
Um treino de canoa havaiana ganhou outro sentido neste fim de semana nas águas da Baía de Guanabara. Remadores dos clubes Canto Va’a e Imbuhy Va’a registraram baleias-jubarte entre Niterói e o Rio de Janeiro, em imagens que circularam rapidamente nas redes sociais.
Os vídeos mostram os animais emergindo para respirar, exibindo parte do dorso e lançando o borrifo característico. Para quem estava no mar, a cena interrompeu a rotina e transformou a remada em um encontro raro.
No entanto, a presença das jubartes não representa um desvio de rota nem um fenômeno inexplicável. Ela coincide com a temporada de migração da espécie pelo litoral brasileiro.
Jubartes cruzam o litoral fluminense durante a migração
Todos os anos, as baleias-jubarte deixam as áreas de alimentação próximas à Antártida e seguem em direção a águas mais quentes da costa brasileira.
A viagem acontece durante o inverno e a primavera no Hemisfério Sul. Nesse período, os animais procuram regiões adequadas para acasalamento, nascimento de filhotes e amamentação.
O principal destino reprodutivo da população brasileira fica no Banco dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Contudo, a rota passa pelo Sudeste e aumenta as chances de avistamentos no litoral do Rio de Janeiro.
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Por isso, os registros em Niterói, na entrada da Baía de Guanabara e em outros pontos da costa fluminense tendem a se multiplicar nos próximos meses.
Encontro não indica que os animais estejam perdidos
A presença de uma baleia perto da costa costuma gerar surpresa. Entretanto, o deslocamento faz parte do comportamento natural da espécie.
As jubartes realizam longas migrações entre áreas de alimentação e reprodução. Ao longo do percurso, alguns indivíduos podem passar mais próximos do litoral ou aparecer em áreas frequentadas por embarcações, pescadores e praticantes de esportes náuticos.
Assim, o registro feito pelos remadores não aponta, por si só, que os animais estejam em risco ou desorientados.
A cena, porém, reforça que a costa fluminense integra uma rota importante para uma das maiores espécies marinhas do planeta.
Recuperação da espécie ampliou os avistamentos
Durante o século passado, a caça comercial reduziu drasticamente a população de jubartes no Atlântico Sul. A proteção internacional e os programas de conservação mudaram esse cenário nas últimas décadas.
No Brasil, o Projeto Baleia Jubarte acompanha a espécie desde 1988. O trabalho reúne pesquisas sobre migração, identificação de indivíduos, comportamento e áreas de reprodução.
Com o crescimento da população, as baleias voltaram a ocupar regiões onde os registros haviam se tornado raros. Além disso, o aumento de praticantes de canoa havaiana, vela, stand up paddle e navegação também fez crescer o número de imagens compartilhadas.
Hoje, encontros que antes passavam despercebidos chegam às redes sociais em poucos minutos.
Baleias podem atingir 16 metros e 40 toneladas
As jubartes impressionam pelo porte. Um adulto pode alcançar cerca de 16 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas.
Apesar disso, os animais não devem ser tratados como atração a ser perseguida. Qualquer aproximação excessiva pode provocar estresse, alterar o deslocamento e aumentar o risco de acidentes no mar.
O ideal é observar à distância e permitir que a baleia siga seu curso sem interferência.
O que fazer ao encontrar uma baleia no mar
Quem estiver navegando, remando ou praticando esporte aquático deve agir com cautela ao encontrar um cetáceo.
As principais recomendações são:
- não perseguir, cercar ou bloquear a rota do animal;
- manter distância segura;
- reduzir a velocidade da embarcação;
- evitar ruídos e manobras bruscas;
- não tocar, alimentar ou tentar nadar próximo à baleia;
- não usar drone em baixa altitude sobre os animais;
- deixar que a baleia se afaste por conta própria.
Em embarcações motorizadas, a recomendação é manter pelo menos 100 metros de distância e colocar o motor em ponto morto quando o animal estiver próximo.
Niterói entra na temporada de observação
A chegada das jubartes reforça o potencial de Niterói para a observação responsável de vida marinha. A cidade está diante de uma região de intensa circulação urbana e marítima, mas também próxima de áreas que integram a passagem sazonal dos grandes cetáceos.
Para os remadores que cruzaram com as baleias neste fim de semana, o encontro ficará na memória. Para a ciência e a conservação, cada imagem pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre a presença desses animais no litoral fluminense.
Mais do que um espetáculo visual, as jubartes lembram que a Baía de Guanabara e seu entorno continuam conectados aos ciclos naturais do Atlântico Sul.







