
Ato contra o feminicídio em Niterói reúne ministras | Divulgação/Claudio Fernandes/Prefeitura de Niterói
Um ato contra o feminicídio em Niterói reuniu autoridades, pesquisadoras e representantes de instituições científicas nesta segunda-feira (27). A mobilização integrou o primeiro dia de atividades da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Participaram do encontro a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Também estiveram presentes o prefeito Rodrigo Neves, a primeira-dama Fernanda Neves e a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia.
A manifestação defendeu o fortalecimento das políticas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. Além disso, homenageou mulheres que perderam a vida em decorrência desse tipo de violência.
Cármen Lúcia defende igualdade concreta
Antes do ato, Cármen Lúcia participou da roda de conversa “Enfrentamento às Violências de Gênero e os Desafios Cotidianos”. A atividade começou às 8h30, dentro da programação do núcleo SBPC Gênero, Diversidade e Equidade.
Durante o debate, a ministra defendeu a transformação das garantias constitucionais em igualdade concreta. Segundo ela, a previsão legal não basta quando mulheres ainda enfrentam violência, discriminação e desigualdade nos espaços sociais.
Cármen Lúcia também destacou a importância da participação feminina na política e na vida pública. Portanto, o enfrentamento à violência exige corresponsabilidade entre homens, mulheres, instituições e governos.
Niterói cita 18 meses sem feminicídios
Durante a mobilização, a presidente da SBPC relacionou a produção científica à formulação de políticas públicas capazes de transformar realidades.
Segundo Francilene Procópio Garcia, as evidências científicas precisam orientar medidas de prevenção, acolhimento e proteção das mulheres.
A presidente também destacou o fato de Niterói completar 18 meses sem registros de feminicídio, conforme o balanço apresentado pela Prefeitura. Para ela, o resultado demonstra a importância da atuação articulada entre diferentes órgãos públicos.
Entretanto, a manutenção desse indicador exige ações permanentes. A ausência de casos contabilizados no período não elimina outras formas de violência contra as mulheres.
Prefeitura apresenta políticas de proteção
A secretária municipal da Mulher, Thaiana Ívia, afirmou que Niterói ampliou sua rede de atendimento, prevenção e garantia de direitos.
Entre as iniciativas citadas estão o SOS Mulher, o Caminho Lilás e o auxílio social destinado a vítimas de violência. Segundo a secretária, essas ações combinam acolhimento, proteção e planejamento público.
Além disso, Thaiana defendeu políticas capazes de atender mulheres e meninas em diferentes situações sociais. Para ela, o enfrentamento à violência precisa considerar desigualdades de raça, renda, território e identidade.
Márcia Lopes pede mobilização permanente
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defendeu uma mobilização contínua de governos, universidades e da sociedade civil.
Segundo a ministra, todas as mulheres têm direito a viver com segurança, liberdade e dignidade. Ela também pediu maior participação dos homens nas ações de prevenção e enfrentamento ao feminicídio.
A ministra afirmou que políticas públicas precisam considerar a diversidade da população feminina. Dessa forma, as redes de proteção devem alcançar mulheres negras, indígenas, transexuais, periféricas, idosas e com deficiência.
Ciência participa do enfrentamento à violência
A presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, também participou da mobilização.
Helena destacou que o feminicídio representa a expressão mais extrema de um ciclo de violências. Esse processo também inclui silenciamento, desrespeito, agressões, ameaças e restrições aos direitos das mulheres.
Por sua vez, a pesquisadora Joyce Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), defendeu um feminismo inclusivo.
Ela ressaltou a necessidade de garantir direitos e visibilidade para mulheres indígenas, negras, transexuais, travestis e integrantes de outros grupos historicamente atingidos pela exclusão.
SBPC segue até 1º de agosto
A 78ª Reunião Anual da SBPC prossegue até 1º de agosto, principalmente no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A programação reúne conferências, mesas-redondas, exposições, oficinas e atividades de popularização da ciência. O tema central desta edição é “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”.
O núcleo de Gênero, Diversidade e Equidade continuará promovendo debates sobre direitos das mulheres, inclusão, participação política e combate às diferentes formas de violência.







