
Ataque do Vasco reage na hora certa e muda cenário antes de duelo com o Coritiba | Matheus Lima/Vasco
O ataque, durante semanas tratado como um dos principais problemas do Vasco, começa a apresentar uma resposta justamente quando a temporada entra em sua fase mais delicada. O Cruz-Maltino marcou pelo menos dois gols em quatro dos últimos seis jogos, e os homens de frente voltaram a assumir papel decisivo nas vitórias.
A mudança chega em momento importante. Neste sábado (19), às 20h30, o Vasco recebe o Coritiba em São Januário precisando pontuar para avançar na luta contra a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
Não significa que os problemas ofensivos desapareceram. Nesse mesmo recorte, o time passou em branco diante do Fluminense e no empate por 0 a 0 com o Santa Fe, em Bogotá.
A diferença está na frequência com que os atacantes passaram a decidir quando o Vasco encontra o gol.
Andrés Gómez, Facundo Colidio, David e Bruno Duarte apareceram em momentos importantes recentemente. Para uma equipe que passou boa parte da temporada procurando maior produção no último terço, essa distribuição oferece a Pedro Emanuel uma perspectiva diferente para a reta final.
Quatro dos últimos seis jogos tiveram pelo menos dois gols
O recorte recente mostra uma evolução perceptível.
O Vasco marcou dois ou mais gols em quatro das últimas seis partidas. Mais importante: venceu todas as quatro.
A reação passa por diferentes competições e diferentes protagonistas.
Contra o Vitória, pela Copa do Brasil, Andrés Gómez assumiu papel decisivo. O colombiano marcou o único gol do 1 a 0 em São Januário e voltou a balançar a rede no Barradão, quando o Vasco venceu por 2 a 0 e avançou à semifinal.
Depois, David apareceu na vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro.
Contra o Grêmio, em Porto Alegre, foi a vez de Facundo Colidio. O argentino marcou o gol que completou a virada por 2 a 1 e manteve o Vasco próximo de deixar o Z-4.
A sequência ganhou outro capítulo na terça-feira.
Bruno Duarte e David colocam atacantes no centro da classificação
O Vasco precisava vencer o Santa Fe depois do empate sem gols na Colômbia.
Dessa vez, os atacantes resolveram.
Bruno Duarte abriu o placar e marcou seu primeiro gol pelo clube. David fez o segundo, e o Vasco venceu por 2 a 0 para chegar à semifinal da Copa Sul-Americana.
Foi apenas a segunda vez desde a retomada da temporada após a Copa do Mundo que mais de um atacante vascaíno marcou na mesma partida.
A outra aconteceu no 4 a 1 sobre o Olimpia, quando David, Spinelli e Adson balançaram as redes.
A diferença é que aquele jogo apareceu de maneira mais isolada. Agora, existe uma sequência de participações decisivas de diferentes jogadores ofensivos.
E isso muda as possibilidades do treinador.
Vasco começa a depender menos de uma única solução
O aspecto mais importante não está somente na quantidade de gols.
O Vasco começa a encontrar protagonistas diferentes.
Andrés Gómez decidiu os dois confrontos contra o Vitória. Colidio apareceu diante do Grêmio. David marcou contra Cruzeiro e Santa Fe. Bruno Duarte desencantou justamente em uma partida eliminatória.
Essa variedade reduz a necessidade de esperar que um único jogador resolva todos os problemas do setor.
Também ajuda a explicar por que a avaliação interna sobre o ataque mudou nas últimas semanas.
Em agosto, o cenário era outro. O Vasco ainda procurava reforços para diferentes posições e tratava o ataque como prioridade, sobretudo diante da ausência de Brenner e do rendimento abaixo do esperado de algumas opções. O próprio Folha do Leste mostrou que o clube buscava novas alternativas ofensivas.
Agora, a diretoria não pretende buscar outro atacante entre os jogadores livres no mercado.
Fracasso por Richarlison ajudou a mudar avaliação
A tentativa de contratar Richarlison representou o último grande movimento vascaíno para elevar o patamar do setor.
O negócio não avançou e, encerrada a janela, as possibilidades de contratação ficaram restritas a atletas sem vínculo.
Foi nesse contexto que o Vasco decidiu reavaliar a necessidade de continuar procurando.
O diretor de futebol Admar Lopes explicou a mudança:
“Fizemos essa reflexão depois da negociação com o Richarlison. Avaliamos várias questões. A primeira é que grande parte desses jogadores disponíveis são veteranos e não competem desde maio. O treinador está satisfeito com os jogadores ofensivos que tem e que pode extrair ainda mais de alguns.”
A avaliação ganha respaldo justamente pela resposta recente dos jogadores que permaneceram.
O Vasco chegou a negociar a chegada de Richarlison durante a janela, quando o atacante procurava uma saída do Tottenham. O movimento chegou a colocar São Januário entre as possibilidades para o brasileiro, mas não terminou em acordo.
Agora, o clube escolheu trabalhar com aquilo que já possui.
Brenner será tratado como reforço para reta final
Existe ainda uma peça importante fora do time.
Brenner está na fase final da recuperação de uma lesão no pé esquerdo e tem retorno projetado para o início de outubro.
Admar Lopes resumiu a expectativa do departamento de futebol:
“O grande reforço ofensivo desse final de temporada vai se chamar Brenner.”
A volta aumentará a concorrência justamente quando Bruno Duarte e Colidio começam a responder.
Isso também permitirá a Pedro Emanuel administrar melhor um calendário que continua pesado.
O Vasco está na semifinal da Copa do Brasil, chegou à semifinal da Sul-Americana e, simultaneamente, precisa escapar da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Ter mais atacantes produzindo deixa de ser apenas uma questão de qualidade. Torna-se também uma necessidade de elenco.
Coritiba coloca reação ofensiva à prova
O próximo teste acontecerá diante da torcida.
O Vasco recebe o Coritiba neste sábado em um confronto importante para a luta contra o rebaixamento. O Cruz-Maltino começa a rodada com 28 pontos e na 17ª colocação.
Uma vitória levará a equipe aos 31 pontos e poderá mudar sua posição dependendo dos demais resultados da rodada.
É justamente aí que a recuperação ofensiva passa a ter consequência prática.
Classificar-se nas copas elevou a confiança. Marcar duas vezes contra o Santa Fe confirmou a melhora recente. Mas o Brasileiro continua cobrando pontos.
Contra o Coritiba, o Vasco terá a oportunidade de mostrar se a sequência representa apenas um bom momento ou o início de uma mudança real no ataque que passou boa parte de 2026 sob cobrança.








