Artur Jorge voltou à final da Libertadores de 2024 para explicar por que considera aquele Botafogo um time diferente. Atual técnico do Cruzeiro, o português destacou principalmente a capacidade de Thiago Almada e Luiz Henrique abandonarem suas características ofensivas para ajudar defensivamente após a expulsão de Gregore, com apenas 29 segundos de jogo contra o Atlético-MG.
Em entrevista ao Charla Podcast, Artur Jorge afirmou que a reorganização com dez jogadores exigiu mais do que qualidade técnica. Para ele, o título nasceu também da disposição dos jogadores para assumir funções diferentes durante a decisão.
“Naquele momento, era tentar adaptar o plano aos jogadores que tínhamos dentro de campo. E aí vem aquilo que eu já disse muitas vezes: só se consegue com jogadores de uma fibra diferente, com jogadores de uma alma e de um coração maiores.”
O Botafogo venceu o Atlético-MG por 3 a 1, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e conquistou pela primeira vez a Copa Libertadores.
Almada e Luiz Henrique mudaram função na final
A expulsão de Gregore poderia obrigar Artur Jorge a desmontar imediatamente o setor ofensivo.
O treinador, porém, manteve a estrutura e exigiu uma transformação no comportamento dos jogadores que permaneceram em campo.
Foi justamente nesse aspecto que Almada e Luiz Henrique receberam os maiores elogios.
“Os dois extremos, o Almada e o Luiz Henrique, defenderam como defenderam. Foi algo impressionante para mim. Quando vejo e desfruto daquilo que os dois estão fazendo, isso enche a minha alma pelo trabalho realizado. Não falo apenas de talento puro e simples, que os dois têm, mas também de trabalho, empenho e dedicação à causa da equipe.”
A declaração ajuda a explicar uma característica que nem sempre aparece quando aquela final é lembrada apenas pelos gols.
O Botafogo precisou disputar praticamente toda a decisão com um jogador a menos. Ainda assim, conseguiu proteger espaços sem abdicar completamente do ataque.
Expulsão aconteceu aos 29 segundos
A dificuldade surgiu praticamente junto com o apito inicial.
Com apenas 29 segundos, Gregore levantou a perna em uma disputa no meio-campo e atingiu Fausto Vera na cabeça. O árbitro mostrou o cartão vermelho.
Era a expulsão mais rápida da história de uma final da Libertadores.
Mesmo assim, o Botafogo não se limitou a defender.
Aos 35 minutos do primeiro tempo, Luiz Henrique aproveitou uma sobra dentro da área e abriu o placar.
Pouco depois, o próprio atacante sofreu pênalti cometido por Everson. Alex Telles converteu a cobrança e levou o Alvinegro ao intervalo vencendo por 2 a 0.
Antes daquela decisão, o Folha do Leste havia acompanhado a preparação para Atlético-MG x Botafogo e o sonho do primeiro título continental alvinegro.
Atlético pressionou no segundo tempo
O Atlético-MG reagiu imediatamente depois do intervalo.
Eduardo Vargas, que entrou no segundo tempo, marcou de cabeça após cobrança de escanteio e reduziu a diferença.
A partir daí, o Botafogo precisou suportar uma pressão crescente.
O time mineiro criou oportunidades para empatar, enquanto o Alvinegro passou a proteger a vantagem construída antes do intervalo.
Foi nesse período que o esforço defensivo destacado agora por Artur Jorge ganhou ainda mais importância.
Almada e Luiz Henrique precisaram percorrer espaços que normalmente não fariam parte de suas principais responsabilidades.
Para o antigo treinador, justamente essa entrega coletiva diferenciou aquela equipe.
Júnior Santos fechou título histórico
A pressão atleticana não produziu o empate.
Já nos acréscimos, Júnior Santos marcou o terceiro gol e encerrou qualquer possibilidade de reação.
O 3 a 1 confirmou o primeiro título da Libertadores da história do Botafogo.
A conquista havia começado muito antes de Buenos Aires. O clube precisou disputar a fase preliminar e passou por adversários como Palmeiras e São Paulo antes de eliminar o Peñarol na semifinal.
O Folha do Leste acompanhou aquele caminho e mostrou quando o Botafogo confirmou sua primeira classificação para uma final de Libertadores.
Almada também guarda título como momento especial
As lembranças de Artur Jorge encontram eco entre os próprios jogadores daquele elenco.
No ano passado, Thiago Almada também relembrou ao Folha do Leste a temporada histórica de 2024 e destacou a união do grupo que conquistou Libertadores e Campeonato Brasileiro.
O argentino afirmou que encontrou no Rio um elenco com mentalidade vencedora desde sua chegada. Almada classificou a passagem pelo Botafogo como um dos grandes desafios de sua carreira.
Luiz Henrique, por sua vez, teve participação direta nos dois gols que colocaram o Botafogo em vantagem naquela final.
Além de abrir o placar, sofreu o pênalti convertido por Alex Telles.
Artur Jorge deixou Botafogo depois de temporada histórica
Artur Jorge chegou ao Botafogo no início de 2024 e encerrou o ano com os dois maiores títulos da temporada brasileira.
Além da Libertadores, conduziu o clube à conquista do Campeonato Brasileiro.
Foram 55 partidas, com 31 vitórias, 15 empates e nove derrotas.
No início de 2025, o português deixou o clube para assumir o Al-Rayyan, do Catar. Na ocasião, o Folha do Leste acompanhou a saída de Artur Jorge e a busca do Botafogo por um novo treinador.
Depois de 47 partidas no futebol catari, Artur Jorge retornou ao Brasil para comandar o Cruzeiro.
Dois anos depois daquela noite em Buenos Aires, porém, a final continua ocupando espaço especial em sua carreira.
Ao relembrá-la, o treinador não destacou apenas os gols ou decisões táticas.
Para Artur Jorge, a principal imagem daquele título permanece na capacidade de jogadores como Almada e Luiz Henrique colocarem o talento individual a serviço de uma equipe que precisou jogar praticamente 90 minutos com dez homens.









