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Apaixonados por gatos: um amor que ronrona e transforma vidas

Gato de pelagem tigrada cinza e marrom, com olhos amarelo-esverdeados, deitado sobre a grama e olhando diretamente para a câmera.

Apaixonados por gatos: um amor que ronrona e transforma vidas | Reprodução

Eles não precisam de grandes demonstrações para conquistar alguém. Às vezes, basta um olhar curioso, um ronronar discreto ou a delicadeza de se acomodarem ao nosso lado.

Os gatos têm uma maneira muito particular de demonstrar afeto. São independentes, observadores, brincalhões e capazes de construir vínculos profundos com seus tutores.

Quem ama gatos conhece o privilégio de conquistar a confiança de um animal que, muitas vezes, escolhe o próprio momento de oferecer carinho.

Mas existe uma realidade dolorosa por trás desse universo encantador: milhares de felinos vivem nas ruas, enfrentando fome, doenças, atropelamentos, maus-tratos e o abandono.

Muitos nasceram de ninhadas indesejadas, resultado da reprodução descontrolada e da ausência de políticas permanentes de castração.

O amor também precisa de responsabilidade

Uma gata pode atingir a maturidade sexual ainda muito jovem e apresentar várias gestações ao longo do ano.

Sem controle reprodutivo, uma única população de gatos pode crescer rapidamente, especialmente em locais onde existem alimento disponível e ausência de manejo adequado.

O resultado aparece nas ruas, praças, terrenos abandonados e colônias felinas, onde filhotes nascem sem qualquer garantia de sobrevivência.

A castração é uma das medidas mais importantes para evitar esse sofrimento.

Além de impedir ninhadas não planejadas, pode reduzir comportamentos relacionados à reprodução e prevenir determinadas doenças, como a piometra nas fêmeas.

O procedimento deve ser realizado por médico-veterinário, que avaliará a idade e as condições de saúde do animal.

No Brasil, a Lei Federal nº 13.426/2017 estabelece diretrizes para a política de controle da natalidade de cães e gatos, priorizando a esterilização e o planejamento das ações.

Entretanto, a castração precisa deixar de ser uma iniciativa isolada e se transformar em política pública contínua, acessível e acompanhada de educação para a guarda responsável.

Colônias felinas também merecem proteção

Outro desafio é o crescimento das colônias de gatos que vivem em espaços públicos.

Simplesmente retirar os animais de determinado local, sem planejamento, não resolve necessariamente o problema.

É preciso identificar os indivíduos, realizar avaliação veterinária, promover a castração, acompanhar a saúde e encaminhar para adoção aqueles que podem ser socializados.

Programas de captura, esterilização e retorno monitorado, quando tecnicamente indicados e permitidos pelas normas locais, podem integrar estratégias de manejo populacional humanitário.

Também é fundamental combater o abandono e orientar a população sobre a importância de manter os gatos domésticos em ambientes seguros, com janelas teladas e sem acesso livre às ruas.

Amar é proteger, inclusive aqueles que ninguém vê

Os gatos não são responsáveis pela superpopulação que enfrentamos. Eles apenas seguem seus instintos.

A responsabilidade pela reprodução sem controle, pelo abandono e pela ausência de medidas preventivas é humana.

Quem verdadeiramente ama esses animais precisa compreender que oferecer alimento é importante, mas não suficiente.

É necessário garantir saúde, segurança, esterilização e condições dignas de vida.

A solução exige a participação de tutores, protetores independentes, profissionais veterinários, sociedade e poder público.

Porque o amor pelos gatos não deve ser medido apenas pelas fotografias bonitas, pelos vídeos engraçados ou pelos ronronados que recebemos.

O verdadeiro amor também está na decisão de impedir que outros milhares de gatos nasçam para conhecer apenas a fome, o medo e o abandono.

E talvez essa seja a maior demonstração de carinho que podemos oferecer a esses pequenos seres que, silenciosamente tornam a vida humana mais bonita.

Patrícia Nunes
Patrícia Nunes é jornalista, repórter e colunista do Folha do Leste desde 2023. Paralelamente, é comunicadora e ativista de projeção nacional na defesa dos animais e de pessoas em situação de vulnerabilidade. Fundadora do Instituto Segunda Chance, reúne mais de 202 mil seguidores no Instagram. Em sua coluna, aborda temas que mobilizam a sociedade. Faz do jornalismo instrumento para denunciar violações de direitos, promover campanhas humanitárias e cobrar políticas públicas em diversos níveis.

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