O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado nesta segunda-feira (21), chama atenção para um dado relevante no Brasil: quase 60% dos casos de demência poderiam ser potencialmente prevenidos com o enfrentamento de 14 fatores de risco modificáveis. A estimativa aparece em estudo com dados de quase 10 mil brasileiros e também integra as orientações atuais do Ministério da Saúde.
A pesquisa calculou uma fração atribuível de 59,5% para os 14 fatores analisados. Entre eles estão baixa escolaridade, perda visual, colesterol elevado, depressão, sedentarismo, diabetes, hipertensão, tabagismo e perda auditiva.
No entanto, reduzir riscos não significa eliminar completamente a possibilidade de desenvolver demência. Idade, genética e outras condições também influenciam o aparecimento da doença. Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que mudanças ao longo da vida podem ajudar a prevenir ou retardar parte dos casos.
Estudo analisou quase 10 mil brasileiros
Pesquisadores utilizaram informações de 9.949 pessoas com 50 anos ou mais participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).
A análise considerou dados coletados entre 2019 e 2021 e aplicou os 14 fatores de risco adotados pela Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados em demência.
O resultado indicou que 59,5% dos casos de demência no Brasil poderiam estar associados a fatores modificáveis.
Além disso, três fatores apresentaram maior peso no cenário brasileiro: baixa escolaridade, com 9,5%; perda visual não tratada, com 9,2%; e depressão na meia-idade, com 6,3%.
Quais são os 14 fatores de risco
O Ministério da Saúde reúne atualmente os mesmos 14 fatores modificáveis apontados pelos estudos internacionais e nacionais.
- Baixa escolaridade
- Perda visual
- Colesterol LDL elevado
- Depressão
- Traumatismo craniano
- Inatividade física
- Diabetes
- Tabagismo
- Hipertensão arterial
- Obesidade
- Consumo excessivo de álcool
- Isolamento social
- Poluição do ar
- Perda auditiva
Esses fatores agem em diferentes momentos da vida. Portanto, a prevenção não começa apenas na velhice.
Ao contrário, controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, manter atividade física e social, tratar problemas de visão e audição e evitar tabaco e consumo nocivo de álcool pode contribuir para reduzir o risco ao longo dos anos.
Alzheimer responde pela maioria das demências
A doença de Alzheimer representa entre 60% e 70% dos casos de demência no mundo, segundo a OMS. Atualmente, cerca de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência, enquanto quase 10 milhões de novos casos surgem a cada ano.
Apesar da forte associação com o envelhecimento, demência não faz parte do processo normal de envelhecer.
Além disso, até 9% dos casos de demência começam antes dos 65 anos, segundo a OMS.
Esquecimento recente merece atenção
O Ministério da Saúde aponta a perda de memória recente como um dos sinais mais característicos do Alzheimer.
Entretanto, o quadro costuma envolver outras alterações conforme progride. Entre elas aparecem repetição frequente de perguntas, dificuldade para encontrar caminhos conhecidos, problemas para acompanhar conversas e dificuldade para encontrar palavras.
Além disso, a pessoa pode apresentar mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento e dificuldade crescente para realizar tarefas que antes faziam parte da rotina.
Por isso, esquecimentos persistentes que interferem na vida cotidiana precisam de avaliação médica. Um episódio isolado de esquecimento, por outro lado, não basta para diagnosticar Alzheimer.
Diagnóstico precisa excluir outras causas
O diagnóstico exige avaliação clínica porque outros problemas podem provocar alterações de memória e cognição.
O Ministério da Saúde cita, por exemplo, depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, infecções, uso de determinados medicamentos e outras doenças neurológicas. Algumas dessas causas podem receber tratamento específico e até apresentar reversão.
Por isso, a investigação pode incluir entrevista clínica, exame físico, testes cognitivos e exames complementares.
Além disso, a Atenção Primária funciona como uma das principais portas de entrada do SUS para identificar alterações e encaminhar o paciente quando necessário.
SUS oferece tratamento para Alzheimer
Embora ainda não exista cura para a doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento multidisciplinar e medicamentos destinados a controlar sintomas e preservar funções pelo maior tempo possível.
Entre os medicamentos previstos no protocolo clínico aparecem donepezila, galantamina, rivastigmina e memantina, conforme indicação médica e critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Ao mesmo tempo, atividades físicas, estímulo cognitivo, convívio social e suporte aos cuidadores integram o cuidado ao longo da evolução da doença. A OMS também destaca que familiares e cuidadores precisam de apoio, já que a demência produz efeitos físicos, emocionais e econômicos sobre toda a rede de cuidado.
O Folha do Leste já mostrou como a fisioterapia pode auxiliar na mobilidade e na autonomia de pessoas idosas e pacientes com Alzheimer.
Dia Mundial do Alzheimer é celebrado em 21 de setembro
No Brasil, o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer também ocorre em 21 de setembro. A Lei nº 11.736/2008 instituiu a data para ampliar a conscientização sobre a doença e o cuidado com pacientes e familiares.
Neste ano, a data chega poucos meses depois de a OMS atualizar suas diretrizes para redução do risco de declínio cognitivo e demência. A nova orientação reforça uma abordagem ao longo de toda a vida e inclui controle de doenças crônicas, hábitos saudáveis e redução de fatores ambientais.









