Coluna do André FreitasColunistasEleições 2026Estado do Rio de Janeiro

Alerj tem renovação menor do que há 4 anos; PL faz bancada histórica

Índia Armelau é campeã de votos; bancada do Partido Liberal fica com 21 das 70 vagas,  enquanto PT cresce, União encolhe e quatro ex-deputados retornam à Alerj, que tem renovação menor do que a expectativa, quando comparada aos eleitos em 2022

Índia Armelau é campeã de votos; bancada do PL fica com 21 das 70 vagas,  enquanto PT cresce, União encolhe e quatro ex-deputados retornam à Alerj, que tem renovação menor do que a expectativa, comparada a 2022

ÍDeputada estadual Índia Armelau, campeã de votos e reeleita para mais um mandato na Alerj, onde a renovação se restringiu a 40% das cadeiras, percentual menor do que nesta legislatura | Crédito: Comunicação/Alerj

Findada a apuração e totalização dos votos para deputado estadual, o eleitor do Estado do Rio de Janeiro mudou apenas 28 das 70 cadeiras que, atualmente, compõem a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A renovação, em resumo, chega a 40%.  Isso porque a comparação considera os parlamentares que, efetivamente, integram a Casa no fim da atual legislatura.

Ao mesmo tempo, 42 deputados que estão no exercício de seus mandatos conquistaram nova eleição. Por outro lado, outros 24 eleitos chegarão à Alerj pela primeira vez. Entretanto,  quatro nomes voltam à Casa depois de um período de ausência.

No plano partidário, porém, a eleição não retirou do PL o comando numérico do plenário. O partido elegeu 21 deputados, exatamente 30% das 70 cadeiras. PT e PSD, com nove cada, formarão as duas segundas maiores bancadas.

A eleição também produziu uma nova campeã estadual. Índia Armelau (PL) recebeu 248.504 votos, a maior votação para deputado estadual no Rio de Janeiro em 2026.

Ela tomou de Márcio Canella (União Brasil) o posto simbólico de campeão das urnas. Canella, que liderou a eleição de 2022 com 181.274 votos, aumentou a própria votação para 197.178, mas terminou agora em segundo lugar.

Os cinco campeões de votos

O topo da eleição revela força eleitoral distribuída por quatro partidos. O PL colocou dois nomes entre os cinco primeiros.

Índia Armelau (PL) liderou com 248.504 votos. Em seguida aparecem Márcio Canella (União Brasil), com 197.178; Renata Souza (PSOL), com 176.871; Dani Balbi (PCdoB), com 169.474; e Guilherme Delaroli (PL), com 166.374.

Renata, portanto, permaneceu entre os grandes fenômenos eleitorais da Alerj. Em 2022, recebeu 174.132 votos. Quatro anos depois, avançou para 176.871.

Já Dani Balbi protagonizou outro salto expressivo. A deputada passou de 65.815 votos, em 2022, para 169.474 em 2026.

Os cinco eleitos com menos votos

Na outra ponta, o sistema proporcional voltou a demonstrar que votação individual não determina, sozinha, quem conquista uma cadeira.

O eleito com menos votos foi Carlos Russo (DC), com 27.447. Depois aparecem Raone Ferreira (PT), com 28.377; Jari (PSB), com 34.199; Arthur Monteiro (Solidariedade), com 35.844; e Joyce Trindade (PSD), com 37.088.

A diferença entre os extremos impressiona. Índia recebeu 221.057 votos a mais que Carlos Russo. Em outras palavras, a campeã teve pouco mais de nove vezes a votação do último eleito.

Isso não representa anomalia. É consequência direta do sistema proporcional, no qual os votos dados ao partido ou à federação também determinam a distribuição das vagas.

Como ficam as 70 cadeiras da Alerj

A nova Assembleia terá representação de 17 partidos.

PartidoCadeiras em 2026% da AlerjEleitos em 2022*Variação
PL2130,00%17+4
PT912,86%7+2
PSD912,86%6+3
PSOL57,14%50
PP57,14%4+1
União Brasil45,71%8-4
Republicanos34,29%30
MDB22,86%20
PDT22,86%20
Solidariedade22,86%3-1
PSB22,86%20
PCdoB11,43%10
Novo11,43%0+1
PSDB11,43%0+1
Agir11,43%10
PRD11,43%——
DC11,43%0+1
TOTAL70100,00%——

* Número de deputados eleitos por cada partido nas eleições de 2022.

*Vale destacar que a comparação toma como referência a composição partidária resultante da eleição de 2022 e da posse de 2023. No entanto, fusões, incorporações e federações partidárias ocorridas no período impedem comparação linear em alguns casos, especialmente envolvendo PROS, PTB, Patriota, PSC e PRD.

PL ganhou quatro cadeiras na comparação eleitoral

A fotografia eleitoral mostra um vencedor bastante claro, pois no PL passou de 17 para 21 deputados. Ou seja, crescimento líquido de quatro cadeiras.

O PSD também saiu fortalecido, ao passo que saltou de seis para nove, acréscimo de três.

O PT avançou de sete para nove. Mas ao considerarmos  Já o PP passou de quatro para cinco.

O maior recuo direto pertence ao União Brasil. A legenda havia eleito oito deputados em 2022. Agora ficou com quatro, perdendo metade daquela bancada.

Mas existe uma segunda leitura.

A composição da Alerj mudou bastante durante os quatro anos da legislatura, por trocas partidárias, licenças, eleições municipais, substituições e decisões judiciais.

Na fotografia atual da Casa, o PL possui 23 parlamentares. Assim, embora tenha crescido em relação ao resultado eleitoral de 2022, começará 2027 com duas cadeiras a menos do que possui hoje.

Já o PT faz o movimento inverso. A bancada atualmente tem cinco deputados e saltará para nove. Portanto, olhando a Alerj que existe hoje e a que tomará posse em 2027, o PT registra o maior crescimento: quatro cadeiras.

O União passa dos atuais seis para quatro. PL e União perdem duas cadeiras cada na fotografia entre o fim da atual legislatura e o início da próxima.

Essa distinção é importante. Uma coisa é comparar eleição com eleição. Outra é comparar o resultado com a composição partidária existente no plenário na véspera da nova legislatura.

Renovação será de 40%

Pela segunda metodologia, que considera quem ocupa efetivamente as cadeiras neste fim de legislatura, 42 dos atuais 70 deputados estarão na próxima composição.

Assim, 28 cadeiras trocarão de ocupante, produzindo uma renovação de 40%.

É uma renovação menor que a registrada quatro anos atrás. Em 2022, a Alerj calculou 45,7% de renovação, com 32 novos parlamentares e 38 reeleitos.

A renovação caiu, portanto, 5,7 pontos percentuais.

Há ainda outra forma válida de fazer a conta. Se a comparação for estritamente entre a lista eleitoral final de 2022 e a de 2026, aparecem 43 nomes em ambas, o que corresponderia a 38,6% de renovação eleitoral.

A diferença resulta das mudanças ocorridas ao longo da legislatura. Suplentes assumiram cadeiras, titulares deixaram a Assembleia e houve, inclusive, a retotalização de 2022 determinada pela Justiça Eleitoral.

Para medir quem efetivamente sai do atual plenário e quem entra, o índice de 40% é o mais adequado.

Alerj terá 24 deputados de primeiro mandato na Casa

Dos 28 nomes que não integram hoje a composição da Alerj, 24 nunca exerceram mandato de deputado estadual.

São eles: Dra. Gabriela, Alexandre Isquierdo Malafaia, Nelsinho Ruas, Rodrigo Medeiros, Coronel Menezes, Daniel Marques, Felipe Tropa, João Pires, Ana Paula Mendes, Joyce Trindade, Allyson Elias, Leonel de Esquerda, Adilson Pires, Raone Ferreira, Luciana Boiteux, Felipe Pampolha, Delegado Bernardo Leal, Leandro, Fernanda Neves, Serginho, Soldado Tobias, Vantoil Martins, Costenaro e Carlos Russo.

O grupo mistura vereadores, prefeitos, ex-prefeitos, secretários, gestores públicos e nomes que chegam ao Legislativo estadual sem experiência parlamentar na Alerj.

Portanto, 34,3% de toda a próxima Assembleia será composta por deputados que nunca ocuparam uma cadeira na Casa.

Quatro voltam à Alerj

Outros quatro eleitos não podem ser classificados como estreantes. Eles simplesmente não fazem parte da composição atual, mas já exerceram mandato estadual.

  • André Ceciliano (PT) faz o retorno mais simbólico. Sobretudo, por já ter sido presidente da Assembleia. Ele deixou a Casa no início de 2023 após quatro mandatos, quando tentou uma cadeira no Senado. Mas agora,  está de volta com 70.628 votos.
  • Márcio Canella (União Brasil) também retorna. Ele iniciou a atual legislatura, mas não faz parte da composição existente hoje. Volta respaldado por 197.178 votos, segunda maior votação do estado.
  • O mesmo ocorre com Léo Vieira Filho (PSDB), eleito agora com 72.939 votos, e Julio Rocha (Agir), que conquistou 51.609.

Assim sendo, a renovação de 28 nomes divide-se em 24 estreantes absolutos e quatro retornos.

Índia multiplica votação por mais de quatro

Entre os parlamentares que disputaram as duas eleições, nenhum crescimento se aproxima do obtido por Índia Armelau.

Em 2022, a parlamentar recebeu 57.582 votos. Agora alcançou 248.504.

São 190.922 votos adicionais, crescimento de aproximadamente 331,6% sobre a votação anterior.

Índia passou a receber 4,3 vezes o número de votos que obteve quatro anos atrás.

Além de garantir a reeleição, saiu da faixa intermediária dos eleitos para assumir o posto de deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro.

Giselle Monteiro sofre a maior queda entre os reeleitos

O movimento mais forte na direção contrária aparece com Giselle Monteiro (PL).

Ela havia conquistado 95.028 votos em 2022. Neste domingo, recebeu 44.532.

A redução foi de 50.496 votos, queda de aproximadamente 53,1%.

Ainda assim, a enorme votação coletiva do PL garantiu margem suficiente para que Giselle conquistasse uma das 21 cadeiras do partido.

O caso mostra outro efeito do sistema proporcional: perder mais da metade da votação individual não significa necessariamente perder o mandato quando a legenda produz uma bancada numerosa.

Quem deixa a composição da Alerj

O resultado das urnas também encerra ciclos. Comparada a nova relação de eleitos com os 70 nomes que atualmente compõem a 13ª Legislatura, 28 parlamentares não estarão entre os titulares escolhidos para iniciar a próxima.

Ficam fora dessa composição: Alexandre Knoploch, Brazão, Carlos Macedo, Carlos Minc, Célia Jordão, Dionísio Lins, Douglas Ruas, Dr. Deodalto, Fabiani Vasconcellos, Fábio Silva, Filipe Soares, Franciane Motta, Fred Pacheco, Lilian Behring, Lucinha, Martha Rocha, Professor Josemar, Renan Jordy, Renato Machado, Rodrigo Amorim, Samuel Malafaia, Sarah Poncio, Sergio Fernandes, Thiago Gagliasso, Val Ceasa, Valdecy da Saúde, Vitor Junior e Wellington José.

Isso não significa que todos tenham sido derrotados diretamente nas urnas. A relação compara apenas a composição atual da Casa com os titulares eleitos para 2027. Há parlamentares que deixaram de disputar o mesmo cargo, seguiram outros caminhos eleitorais ou chegaram à Assembleia durante a legislatura na condição de suplentes.

Saída de Carlos Minc muda a hierarquia histórica

Um dos afastamentos mais representativos será o de Carlos Minc (PSB).

Quando a atual legislatura começou, em fevereiro de 2023, a própria Alerj classificou Minc como decano da Casa. Ele iniciava então seu décimo mandato.

Sem Minc na formação eleita para 2027, Luiz Paulo (PSD) permanece como o parlamentar de maior idade da nova Assembleia. Nascido em 26 de dezembro de 1945, terá 81 anos na posse.

Portanto, sim: Luiz Paulo continuará sendo o decano etário da Alerj.

Há, entretanto, uma curiosidade importante. André Corrêa (PSD) chegará ao oitavo mandato, enquanto Luiz Paulo iniciará o sétimo.

Ou seja, Luiz Paulo será o mais velho; André Corrêa terá mais mandatos estaduais acumulados entre os integrantes da nova composição.

A diferença evita uma confusão comum entre decano por idade e parlamentar com maior número de mandatos.

João Pires será o mais jovem da nova Assembleia

Na outra ponta da pirâmide etária estará João Pires (PSD), que ainda terá 28 anos quando assumir o mandato em fevereiro de 2027. Isso porque ele nasceu em 15 de abril de 1998.

O jovem conquistou 90.195 votos e chega no parlamento fluminense mostrando força eleitoral. Afinal, além de ser o mais jovem entre os 70 eleitos, terminou como o candidato mais votado do PSD.

Em seguida, aparece sua correligionária Joyce Trindade (PSD). A diferença de idade entre eles é pequena — um ano e meio — pois ela completará 30 anos de idade na posse.

Assim, curiosamente, o deputado mais jovem e a segunda integrante mais jovem da próxima Assembleia pertencem ao PSD.

Duas legendas ficaram sem cadeira

Os resultados também permitem observar o outro lado do sistema proporcional.

O Podemos recebeu 69.048 votos nominais, mas não conquistou cadeira. Seu candidato mais votado, Professor Paulo Pereira, teve 21.199 votos.

O Partido Missão terminou com 59.730 votos totais, dos quais 49.085 nominais. André Brandão, o mais votado da legenda, recebeu 22.316 votos.

Nenhum dos dois, portanto, ultrapassou a votação de Carlos Russo, último colocado entre os efetivamente eleitos, com 27.447.

Isso produz uma conclusão interessante para esta eleição: entre os partidos isolados que ficaram completamente sem representação e aparecem no resultado final, não houve um grande campeão de votos individual barrado pela legenda.

A distorção visível ocorreu na direção contrária: candidatos com votações relativamente pequenas conquistaram mandato porque suas legendas ou federações acumularam votos suficientes para disputar as vagas.

PL ocupará quase um terço do plenário

A maior consequência política da eleição aparece no tamanho da bancada liberal.

Com 21 deputados, o PL ocupará três de cada dez cadeiras da Alerj.

Mesmo assim, não terá maioria sozinho. A maioria absoluta exige 36 votos.

PT e PSD terão nove parlamentares cada. Somados, chegam a 18. A Federação Brasil da Esperança, considerando os nove deputados do PT e Dani Balbi, do PCdoB, terá dez integrantes.

Já União Brasil e PP, integrantes da Federação União Progressista, somam nove deputados eleitos.

O PSOL preservou suas cinco cadeiras. Republicanos manteve três. MDB, PDT e PSB ficaram com duas cada.

Novo e DC entram na distribuição com uma cadeira, assim como PSDB, Agir e PRD também terão um representante cada.

A eleição mudou menos os nomes que o equilíbrio interno

O resultado de 2026 não produziu uma ruptura geracional na Alerj. Seis em cada dez atuais deputados permanecerão na Casa.

Entretanto, a eleição alterou o peso relativo das forças políticas.

O PL continua hegemônico, mas chega à próxima legislatura com menos integrantes do que possui no plenário atual. O PT amplia fortemente sua presença em relação à bancada existente hoje. O PSD confirma-se como uma das grandes forças da Assembleia. E o União Brasil sofre a maior redução quando a comparação parte do resultado de quatro anos atrás.

Além disso, a eleição devolve à Casa nomes experientes. Por exemplo, André Ceciliano e Márcio Canella. Em contrapartida, encerra a longa permanência de figuras como Carlos Minc, ao menos menos como titular eleito. 

Primordialmente, ninguém sai das urnas maior que Índia Armelau no plano individual. Ela não apenas conquistou a maior votação de 2026, bem como multiplicou por mais de quatro o próprio resultado de 2022. Desse modo, passou a liderar uma bancada que, sozinha, ocupará 30% da Assembleia.

A nova (ou velha) Alerj, preserva mais da metade dos ocupantes de suas cadeiras. Nesse meio tempo, também reencontra antigos membros. E, por fim, recebe 24 novos parlamentares que, em grande parte, já jogam o jogo político em outros níveis.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

Leave a reply