
Adoção ou sentença de morte? Torturadores de animais podem estar se escondendo atrás de falsas promessas de amor | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA
Adotar um animal deveria ser um gesto de amor, responsabilidade e respeito à vida. Entretanto, existe uma realidade assustadora que precisa ser discutida com urgência: pessoas que se apresentam como interessadas em oferecer um lar podem, na verdade, ter a intenção de praticar maus-tratos e tortura.
A pergunta que precisamos fazer é: como impedir que animais resgatados de situações de abandono e sofrimento acabem nas mãos de pessoas capazes de cometer tamanha crueldade?
Para muitos protetores independentes, conseguir uma família para um animal representa o encerramento de uma longa batalha. São meses de cuidados, alimentação, tratamentos veterinários e dedicação. Mas a vontade de encontrar um lar jamais pode ser maior do que a responsabilidade de verificar para onde aquela vida está sendo encaminhada.
Adoção responsável exige cuidados antes da entrega
É fundamental exigir identificação, conhecer as condições do futuro lar, realizar entrevistas, formalizar a adoção e manter contato com a família adotante.
A pressa em doar pode custar a vida de um animal.
Maus-tratos não são brincadeira, desvio de comportamento sem consequências ou simples falta de sensibilidade. São crimes.
Quem pratica tortura contra animais precisa compreender que não está acima da lei. Denúncias, provas, investigações e a atuação das autoridades são fundamentais para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Processos por maus-tratos contra animais cresceram 21%
Dados divulgados pelo Senado Federal, com base em levantamento do Conselho Nacional de Justiça, revelam que os processos judiciais relacionados a maus-tratos contra animais passaram de 4.057 em 2024 para 4.919 em 2025, um crescimento de aproximadamente 21%.
Os números mostram a dimensão do problema, embora não indiquem quantos desses crimes envolveram falsas adoções.
É preciso também que a sociedade participe. Quem suspeitar de violência deve reunir informações, preservar provas e procurar a Polícia Civil ou o Ministério Público. A denúncia pode representar a diferença entre a vida e a morte.
Uma adoção não pode se transformar em sentença de sofrimento
Nenhum animal pode ser tratado como objeto descartável. Nenhuma adoção pode servir de fachada para a crueldade.
Aos que utilizam a confiança de protetores para cometer crimes, fica um recado: a violência deixa rastros. Vocês podem ser identificados, investigados e responsabilizados pela Justiça.
E aos protetores, um alerta: não entreguem uma vida sem conhecer quem vai recebê-la.
Um animal resgatado já sofreu demais para encontrar, justamente onde deveria existir amor, uma nova sentença de sofrimento.
Porque salvar não é apenas retirar um animal das ruas. É garantir que ele nunca mais precise conhecer a crueldade humana.








