
O A-29 Super Tucano, desenvolvido pela Embraer, combina treinamento avançado e ataque leve. A fabricante confirmou a entrega de duas unidades no terceiro trimestre de 2026. | Matt Morgan/Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0
A Embraer confirmou a entrega de dois aviões militares A-29 Super Tucano durante o terceiro trimestre de 2026. A informação consta do balanço operacional que a fabricante brasileira divulgou em 2 de outubro, ao apresentar os resultados de suas atividades industriais.
Além dos dois turboélices, a divisão de Defesa & Segurança entregou um KC-390 Millennium, totalizando três aeronaves militares no período. No conjunto de suas operações comerciais, executivas e militares, a empresa registrou 66 entregas no trimestre.
O resultado evidencia a continuidade da produção do A-29, aeronave brasileira que combina treinamento avançado, ataque leve e missões de vigilância aérea.
Entretanto, o comunicado trimestral não identifica os compradores dos dois Super Tucanos entregues entre julho e setembro. Portanto, não é possível atribuir essas unidades a determinado país sem confirmação adicional.
Em outra etapa de sua expansão internacional, a Embraer entregou os dois primeiros A-29 à Força Aérea Uruguaia em fevereiro de 2026, dentro de um programa de renovação da frota daquele país.
As duas notícias demonstram a atividade comercial do modelo ao longo do ano, mas não devem ser confundidas: as entregas ao Uruguai ocorreram em fevereiro, enquanto o balanço de outubro trata do terceiro trimestre.
O que a Embraer anunciou em outubro de 2026?
Em 2 de outubro, a Embraer publicou seu balanço de entregas referente aos meses de julho, agosto e setembro.
Segundo a fabricante, as divisões de aviação comercial, executiva e defesa entregaram, juntas, 66 aeronaves, resultado 6% superior ao mesmo trimestre de 2025.
Desse total, 22 unidades pertenceram à aviação comercial, 41 à executiva e três à área de Defesa & Segurança.
Na divisão militar, a empresa contabilizou dois A-29 Super Tucanos e um KC-390 Millennium.
Os números revelam a composição das entregas industriais, mas não permitem concluir quantos Super Tucanos permanecem disponíveis nas frotas dos países operadores.
Isso porque a quantidade de aeronaves entregues, o número de pedidos e a disponibilidade operacional são indicadores diferentes.
Além disso, a empresa não detalhou, nesse comunicado, o destino individual de cada A-29 entregue no trimestre.
O Uruguai também recebeu o Super Tucano em 2026
Em 18 de fevereiro de 2026, a Embraer anunciou a entrega dos dois primeiros A-29 Super Tucanos à Força Aérea Uruguaia (FAU).
O contrato, firmado no final de 2024, faz parte de um programa de renovação da frota militar uruguaia.
Segundo a fabricante, o acordo inclui equipamentos de missão, serviços logísticos integrados e um simulador de voo.
Além disso, o projeto busca fortalecer capacidades relacionadas à vigilância de fronteiras e à proteção do espaço aéreo.
A entrega representa um marco industrial relevante porque demonstra o interesse internacional por aeronaves desenvolvidas para diferentes missões militares, sem necessariamente exigir as características de um caça supersônico.
Contudo, a incorporação de novos aviões depende também de treinamento, manutenção e preparação das equipes responsáveis por operá-los.
Assim, a entrega de uma aeronave não significa, automaticamente, sua entrada imediata em todas as modalidades de missão previstas pelo operador.
O que é o A-29 Super Tucano?
O A-29 Super Tucano, também conhecido como EMB-314, é uma aeronave militar turboélice desenvolvida pela Embraer.
Seu projeto reúne características destinadas ao treinamento avançado de pilotos e ao emprego em determinadas missões de ataque leve, reconhecimento e vigilância.
O modelo utiliza um motor turboélice e pode receber diferentes equipamentos de missão, conforme os requisitos de cada força aérea.
A Força Aérea Brasileira também emprega o Super Tucano em atividades relacionadas à formação de aviadores militares e à defesa aérea.
A aeronave faz parte de uma trajetória industrial mais ampla que inclui o T-27 Tucano e o C-390 Millennium.
O Folha do Leste já explicou essa evolução na reportagem sobre como a Embraer conquistou espaço na aviação militar mundial.
Diferentemente daquela análise histórica, o balanço de outubro permite observar um aspecto específico do programa: a continuidade das entregas comerciais em 2026.
Por que o Super Tucano utiliza um motor turboélice?
O motor turboélice utiliza uma turbina para movimentar uma hélice responsável por gerar a maior parte da propulsão da aeronave.
Esse sistema oferece características diferentes das encontradas em aviões militares equipados com motores a jato.
Em determinadas missões, aeronaves turboélice podem apresentar vantagens relacionadas ao consumo de combustível e ao perfil de operação.
Além disso, o Super Tucano foi concebido para atuar em condições que exigem resistência estrutural e flexibilidade de apoio logístico.
Entretanto, o A-29 não apresenta a mesma velocidade nem as mesmas capacidades de um caça supersônico moderno.
Por isso, comparações diretas com aeronaves como o F-39 Gripen precisam considerar que os modelos foram desenvolvidos para prioridades operacionais diferentes.
A escolha entre essas plataformas depende da natureza da missão, das ameaças existentes e dos recursos necessários.
Quais missões o A-29 Super Tucano pode cumprir?
A Embraer apresenta o A-29 como uma aeronave multimissão, capaz de desempenhar atividades conforme os sensores, armamentos e demais equipamentos instalados.
Entre suas aplicações estão treinamento avançado, reconhecimento armado, vigilância de fronteiras, apoio aéreo aproximado e determinadas missões de interceptação.
No treinamento de pilotos, o Super Tucano permite desenvolver competências relacionadas à navegação, aos sistemas de bordo e ao emprego de equipamentos militares.
Já nas atividades de vigilância, a aeronave pode contribuir para acompanhar movimentações em áreas de interesse.
Quando atua em missões de ataque leve, seu emprego depende do planejamento e das condições operacionais.
Entretanto, a lista de capacidades anunciadas pela fabricante não significa que todas as forças aéreas utilizem o A-29 com os mesmos armamentos ou sensores.
As configurações variam conforme o operador, os contratos e as necessidades de cada país.
Como a FAB utiliza o Super Tucano?
A Força Aérea Brasileira utiliza o A-29 em diferentes atividades, incluindo formação, treinamento e operações de defesa aérea.
O modelo também integra exercícios destinados a aperfeiçoar a atuação conjunta de diferentes aeronaves militares.
Entre 11 e 29 de maio de 2026, a FAB realizou o Exercício Conjunto Escudo-Tínia, na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
O treinamento reuniu aeronaves como F-39 Gripen, A-29 Super Tucano, F-5M, A-1M, E-99 e KC-390 Millennium, além de meios terrestres e sistemas de apoio.
A atividade buscou melhorar a integração entre as Forças Armadas e avaliar procedimentos operacionais em cenários simulados.
Nesse contexto, o A-29 participou de uma estrutura de treinamento mais ampla, na qual diferentes aeronaves desempenharam funções específicas.
A FAB também emprega o Super Tucano em missões de policiamento do espaço aéreo, assunto que o Folha do Leste abordou ao explicar como funciona a defesa aérea brasileira contra aeronaves não autorizadas.
Entretanto, o A-29 não substitui sozinho a estrutura nacional de defesa aérea, que também depende de radares, centros de comando e outras aeronaves.
A FAB pretende modernizar seus A-29?
A modernização da frota brasileira constitui outro aspecto relevante para o futuro do Super Tucano.
O Plano Estratégico Militar da Aeronáutica 2024–2033 (PEMAER) apresenta o projeto de modernização de meia-vida do A-29, conhecido pela sigla MLU.
O planejamento busca reduzir problemas de obsolescência, melhorar o suporte logístico e atualizar sistemas necessários à continuidade da operação da aeronave.
Em setembro de 2025, a FAB e a Embraer realizaram uma campanha de ensaios relacionada à atualização dos equipamentos de navegação.
Na ocasião, os trabalhos envolveram a substituição de um sistema GPS por uma solução mais recente, além de recursos relacionados à navegação e ao emprego de óculos de visão noturna.
Essas atividades demonstram que manter uma aeronave militar em serviço exige atualização de equipamentos, treinamento e capacidade permanente de manutenção.
Contudo, um projeto de modernização não deve ser confundido com a conclusão das modificações em toda a frota.
Para confirmar quantas aeronaves já receberam cada atualização, são necessários registros específicos de execução e aceitação técnica.
Por que outros países escolhem o A-29?
A Embraer informou, em fevereiro de 2026, que 22 forças aéreas já haviam selecionado o Super Tucano.
Esse indicador demonstra a presença internacional do projeto, embora não signifique que todas essas organizações tenham recebido o mesmo número de aeronaves ou que todas estejam operacionais.
A escolha de um avião militar envolve fatores como características técnicas, preço de aquisição, treinamento e custos de manutenção.
Além disso, os países precisam avaliar suas necessidades de defesa e a compatibilidade da aeronave com suas estruturas existentes.
O contrato uruguaio exemplifica essa combinação de requisitos: além dos aviões, o acordo inclui suporte logístico e simulador de treinamento.
Portanto, a competitividade do Super Tucano não depende apenas da aeronave em si, mas também dos serviços que permitem utilizá-la ao longo de sua vida operacional.
Qual é a importância do A-29 para a indústria brasileira?
O Super Tucano representa uma capacidade industrial construída ao longo de décadas de desenvolvimento aeronáutico no Brasil.
O programa envolve engenharia, fabricação, integração de sistemas e suporte técnico, além de uma rede de fornecedores e profissionais especializados.
Nesse sentido, novas entregas contribuem para manter a atividade industrial ligada ao segmento de defesa.
Entretanto, o fato de um avião ter sido desenvolvido no Brasil não significa que todos os seus componentes sejam nacionais.
A indústria aeronáutica funciona por meio de cadeias internacionais de fornecimento, especialmente em áreas como motores, aviônicos e determinados equipamentos eletrônicos.
Por isso, a relevância estratégica do A-29 deve considerar o conhecimento técnico mantido no país e a capacidade de sustentar o produto no mercado.
O que as entregas de 2026 representam para o futuro do Super Tucano?
O balanço do terceiro trimestre confirma que a Embraer continuou entregando aeronaves A-29 ao longo de 2026.
A notícia se soma à entrega dos primeiros exemplares destinados ao Uruguai, registrada em fevereiro, e às atividades de treinamento e planejamento de modernização da FAB.
Juntos, esses acontecimentos mostram três dimensões do programa: produção industrial, presença internacional e continuidade operacional.
Entretanto, o futuro do Super Tucano dependerá de novos contratos, da demanda das forças aéreas e da capacidade de manter sistemas e equipamentos atualizados.
Além disso, a modernização da frota brasileira exigirá acompanhamento de cronogramas, investimentos e resultados técnicos.
Para a Embraer e para o Brasil, a relevância do A-29 está em continuar oferecendo uma plataforma militar com aplicações específicas, mantendo competências industriais nacionais e presença no mercado internacional de defesa.








