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Ricardinho Netuno denuncia intimidação política e questiona: até quando disputas pessoais vão atrapalhar o trabalho parlamentar em Maricá?

Ricardinho Netuno, vereador de Maricá pelo PL, em fotografia de divulgação.

Ricardinho Netuno denuncia intimidação política e questiona: até quando disputas pessoais vão atrapalhar o trabalho parlamentar em Maricá? | Reprodução

O clima político em Maricá volta a ganhar contornos preocupantes. O vereador Ricardinho Netuno (PL), conhecido por sua postura de oposição à administração municipal, denuncia estar enfrentando situações que considera tentativas de intimidação política, em meio a uma série de conflitos com o prefeito Washington Quaquá (PT).

Em manifestação nas redes sociais, o parlamentar reclama do tempo dedicado a responder acusações e procedimentos envolvendo diferentes setores da administração municipal. Para Netuno, trata-se de uma sucessão de episódios que classifica como “picuinha”, enquanto poderia estar concentrando seus esforços no trabalho para o qual foi eleito.

Conflito entre Ricardinho Netuno e Washington Quaquá

O embate entre os dois políticos não é recente. Em setembro, Quaquá acusou publicamente Netuno de ter proposto um suposto acordo para deixar de criticar o governo. O vereador negou a acusação. Na ocasião, as reportagens publicadas não apresentaram documentos capazes de comprovar as alegações do prefeito.

Mas existe uma questão que ultrapassa qualquer rivalidade política: até que ponto os conflitos entre representantes eleitos podem comprometer os interesses da população?

Fiscalizar o Executivo, cobrar explicações sobre a aplicação dos recursos públicos e denunciar possíveis irregularidades são atribuições legítimas de um vereador. Da mesma forma, qualquer parlamentar deve responder por eventuais condutas ilegais, desde que os procedimentos respeitem a legislação, o direito de defesa e o devido processo legal.

O que não pode acontecer é a utilização das estruturas públicas como instrumento de perseguição ou retaliação política. A existência dessa prática, entretanto, precisa ser demonstrada por provas, e não apenas por declarações.

Crise na Câmara de Maricá amplia preocupação

A tensão ganha ainda mais relevância diante da recente crise na Câmara Municipal. Nos dias 27 e 29 de outubro, apenas três dos 21 vereadores compareceram às sessões ordinárias, entre eles Ricardinho Netuno. As reuniões terminaram sem quórum, impedindo a votação de matérias legislativas.

Interesses da população devem prevalecer

A população não pode ficar refém de disputas políticas, ressentimentos ou conflitos pessoais. Assim, cada hora dedicada a confrontos desnecessários representa uma oportunidade perdida de discutir saúde, educação, segurança, mobilidade e tantos outros problemas que fazem parte da realidade dos moradores.

Se existem acusações contra o vereador, que sejam investigadas com seriedade. Se existem indícios de perseguição política, que também sejam apurados com o mesmo rigor.

O prefeito tem o direito de se defender de críticas e acusações. O vereador tem o direito de exercer sua função fiscalizadora sem sofrer represálias ilegais.

No fim das contas, a pergunta que precisa ser respondida é simples: quem está ganhando com essa disputa e quanto a população de Maricá está perdendo?

Porque o poder público não deve ser instrumento de vingança, mas de serviço à sociedade.

Patrícia Nunes
Patrícia Nunes é jornalista, repórter e colunista do Folha do Leste desde 2023. Paralelamente, é comunicadora e ativista de projeção nacional na defesa dos animais e de pessoas em situação de vulnerabilidade. Fundadora do Instituto Segunda Chance, reúne mais de 202 mil seguidores no Instagram. Em sua coluna, aborda temas que mobilizam a sociedade. Faz do jornalismo instrumento para denunciar violações de direitos, promover campanhas humanitárias e cobrar políticas públicas em diversos níveis.

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