
Impressão 3D metálica terá duas novas unidades nos EUA | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA
A impressão 3D metálica ganhará duas novas unidades industriais nos Estados Unidos, com a expansão anunciada pela Precision Resource e pela fabricante de equipamentos 3D Systems. O investimento contempla instalações em Huntington Beach, na Califórnia, e Shelton, em Connecticut. As empresas iniciaram a implantação dos projetos e preveem o começo das operações no primeiro trimestre de 2027, utilizando impressoras equipadas com três lasers para produzir componentes destinados a diferentes setores industriais.
O anúncio, realizado em 28 de outubro de 2026, representa uma nova etapa da parceria entre as companhias. Além de ampliar a capacidade de impressão, a Precision Resource pretende incorporar tratamentos térmicos e fortalecer suas operações de usinagem de precisão.
Entretanto, as duas instalações ainda não começaram a operar. A unidade californiana ampliará uma estrutura industrial existente, enquanto Shelton receberá sua primeira instalação dedicada à fabricação aditiva metálica. As empresas não divulgaram o investimento total, a quantidade de novas impressoras ou o número de empregos previstos.
Novas unidades de impressão 3D devem começar a operar em 2027
A expansão industrial envolve dois locais com funções complementares na estratégia da Precision Resource.
Em Huntington Beach, na Califórnia, a companhia iniciará sua segunda instalação dedicada à fabricação aditiva. Segundo o anúncio, o projeto deverá dobrar a capacidade atual de impressão 3D industrial da operação local.
Já em Shelton, no estado de Connecticut, a empresa implantará sua primeira unidade de produção aditiva metálica.
Essa localização também abriga a sede da Precision Resource, fabricante que atua na produção de componentes metálicos de engenharia desde 1947.
A expectativa é colocar as duas estruturas em operação durante os três primeiros meses de 2027, período que coincide com o aniversário de 80 anos da empresa.
Entretanto, a previsão ainda depende da execução dos projetos. A divulgação não informa datas individuais de inauguração ou um cronograma detalhado para cada etapa.
Portanto, não é possível afirmar que os equipamentos já estejam instalados e produzindo peças nas novas unidades.
Expansão na Califórnia deverá dobrar capacidade de fabricação
Entre os dois investimentos, Huntington Beach apresenta uma meta de ampliação mais definida.
Segundo a Precision Resource, a nova instalação deverá dobrar a capacidade de fabricação aditiva industrial já existente na operação californiana.
Isso significa uma expansão projetada de 100% em relação à capacidade atual utilizada como referência pela empresa.
Entretanto, esse percentual não representa um crescimento de 100% de toda a produção industrial da Precision Resource nos Estados Unidos.
Também não permite calcular automaticamente quantas peças adicionais a empresa conseguirá fabricar por mês.
Para isso, seria necessário conhecer a quantidade atual de equipamentos, suas horas de funcionamento, os tipos de componentes produzidos e os tempos de processamento.
Esses dados não foram divulgados no anúncio.
Além disso, dobrar a capacidade instalada não garante que a produção efetiva também dobre imediatamente. O resultado dependerá dos pedidos recebidos, da utilização dos equipamentos e da eficiência das etapas posteriores à impressão.
Connecticut terá primeira unidade dedicada à impressão 3D metálica
Em Shelton, a Precision Resource pretende criar uma nova operação de fabricação aditiva que poderá crescer conforme a demanda.
A unidade representa uma mudança na estrutura regional da empresa, tradicionalmente ligada à fabricação de componentes metálicos por diferentes processos industriais.
Com a nova instalação, a companhia pretende aproximar as atividades de impressão 3D dos demais serviços realizados em sua rede.
Além disso, a presença de unidades em estados diferentes poderá oferecer alternativas de produção quando uma operação enfrentar restrições de capacidade.
Essa distribuição também permite organizar a fabricação conforme as necessidades comerciais e técnicas de cada cliente.
Entretanto, as empresas ainda não informaram como distribuirão os pedidos entre Califórnia e Connecticut.
Também não anunciaram quais ligas metálicas serão processadas inicialmente em Shelton.
Assim, a principal informação confirmada permanece a implantação da primeira unidade de fabricação aditiva da empresa no estado.
Impressoras DMP Flex 350 Triple utilizam três lasers
A expansão contará com novas impressoras DMP Flex 350 Triple, desenvolvidas pela 3D Systems.
O equipamento utiliza três lasers de fibra, cada um com potência nominal de 500 watts, para produzir componentes metálicos por meio de um processo controlado por computador.
A tecnologia pertence à categoria conhecida como fusão de leito de pó a laser, ou LPBF, na sigla em inglês.
Nesse processo, o sistema espalha uma camada fina de pó metálico sobre uma plataforma de fabricação.
Em seguida, os lasers fornecem energia às regiões correspondentes à geometria da peça, fundindo o material de maneira localizada.
Depois que a camada é processada, o equipamento deposita uma nova quantidade de pó e repete a operação.
Assim, o componente é construído progressivamente, camada por camada, até alcançar a geometria definida no projeto digital.
Entretanto, isso não significa que os lasers recortem uma peça pronta a partir de um bloco de metal. Eles atuam sobre o material em pó, formando a estrutura durante a fabricação.
Três lasers podem aumentar produtividade em até 30%
Segundo a 3D Systems, o sistema DMP Flex 350 Triple pode apresentar ganhos de produtividade de até 30% em comparação com os modelos Flex 350 Dual e Factory 350 Dual.
Esses equipamentos anteriores utilizam dois lasers, enquanto a versão Triple incorpora três fontes de energia.
A presença de mais lasers permite distribuir determinadas operações de fabricação entre diferentes áreas da plataforma.
Consequentemente, o equipamento pode reduzir o tempo necessário para produzir alguns tipos de peça ou conjuntos de componentes.
Entretanto, três lasers não significam automaticamente uma produção 50% maior que a de um equipamento com dois.
A diferença depende da geometria das peças, da distribuição dos componentes na plataforma e dos parâmetros de processamento.
Além disso, a produtividade anunciada pela fabricante não representa uma medição independente das novas unidades da Precision Resource.
Portanto, o ganho de até 30% deve ser interpretado como uma capacidade apresentada para a plataforma tecnológica, não como resultado já alcançado nas instalações previstas para 2027.
Máquina oferece duas configurações de volume de impressão
A DMP Flex 350 Triple utiliza módulos de impressão removíveis, que permitem trabalhar com diferentes dimensões de fabricação.
Segundo a ficha técnica, o equipamento oferece duas configurações principais de volume útil:
- 275 × 275 × 420 milímetros: configuração que oferece maior altura de construção;
- 350 × 350 × 350 milímetros: configuração alternativa que amplia as dimensões horizontais da plataforma.
Essa flexibilidade permite adaptar a máquina aos componentes que precisam ser fabricados.
Uma peça mais alta poderá exigir uma configuração, enquanto outra mais larga poderá aproveitar a alternativa de 350 milímetros.
Entretanto, as dimensões não podem ser combinadas livremente para formar um volume de 350 × 350 × 420 milímetros.
Trata-se de duas configurações distintas, associadas aos módulos disponíveis.
A empresa também informa espessuras de camada ajustáveis, com mínimo técnico de cinco micrômetros e valores típicos de 30, 60 ou 90 micrômetros.
Um micrômetro corresponde a um milésimo de milímetro. Portanto, essas medidas demonstram o nível de controle necessário para depositar e processar as camadas metálicas.
Entretanto, camadas menores não garantem automaticamente a melhor combinação entre produtividade, custo e propriedades mecânicas para qualquer peça.
Controle do oxigênio ajuda a preservar qualidade do metal
Outro diferencial da DMP Flex 350 Triple está no controle da atmosfera dentro da câmara de impressão.
Segundo a 3D Systems, o sistema consegue manter concentrações de oxigênio inferiores a 25 partes por milhão durante determinadas condições de processamento.
Essa característica interessa especialmente à fabricação com ligas metálicas sensíveis à presença de oxigênio.
Durante a fusão, a exposição inadequada ao ambiente pode alterar características do material e prejudicar a consistência da fabricação.
Por isso, o equipamento utiliza uma atmosfera controlada e circulação de argônio, gás empregado para reduzir determinadas reações indesejadas.
Além disso, o fluxo do gás ajuda a remover partículas e resíduos produzidos durante a interação dos lasers com o pó metálico.
Entretanto, uma atmosfera controlada não substitui a verificação da composição e das propriedades das peças.
O fabricante ainda precisa avaliar os resultados de acordo com os requisitos técnicos do componente.
Impressão metálica permite fabricar geometrias complexas
A fabricação aditiva metálica permite desenvolver determinadas formas internas que seriam difíceis de produzir por métodos convencionais.
Entre as possibilidades estão canais de circulação de fluidos, estruturas leves e componentes com trajetórias internas complexas.
Essas características podem interessar às indústrias aeroespacial, automotiva e de equipamentos industriais.
Um componente destinado a controlar a passagem de líquidos, por exemplo, pode apresentar canais internos projetados para atender às necessidades específicas de funcionamento.
Entretanto, nem toda peça metálica se torna automaticamente mais econômica ou resistente quando é fabricada por impressão 3D.
Em determinados casos, usinagem, fundição e outros processos tradicionais continuam oferecendo vantagens de custo ou produtividade.
Por isso, as empresas precisam comparar métodos antes de escolher a fabricação aditiva.
O diferencial aparece principalmente quando a liberdade de projeto, a personalização ou a redução de etapas justificam a adoção da tecnologia.
Novas unidades também terão tratamento térmico e usinagem
A expansão da Precision Resource não envolve exclusivamente a compra de impressoras.
A empresa também pretende ampliar sua capacidade de usinagem complexa e incorporar tratamento térmico realizado internamente.
Essa combinação responde a uma limitação importante da fabricação aditiva: uma peça que sai da impressora nem sempre está pronta para instalação em um produto.
Determinados componentes precisam passar por operações adicionais para alcançar as características previstas no projeto.
O tratamento térmico, por exemplo, pode modificar tensões internas e propriedades do material, conforme a liga e o procedimento aplicado.
Já a usinagem permite ajustar superfícies, furos e outras dimensões que precisam atender a tolerâncias específicas.
Além disso, algumas aplicações exigem acabamento, inspeção e documentação das condições de fabricação.
Assim, a Precision Resource pretende reunir diferentes etapas produtivas em uma mesma rede industrial, reduzindo a necessidade de contratar fornecedores separados para determinadas operações.
Entretanto, a empresa não confirmou que todos os serviços estarão disponíveis integralmente nas duas instalações desde o primeiro dia de funcionamento.
Qual a diferença entre impressão 3D e peça industrial pronta?
Uma impressora pode produzir um componente com a geometria planejada, mas isso não significa que ele já esteja aprovado para qualquer utilização.
Em aplicações industriais exigentes, o processo precisa considerar uma sequência de etapas técnicas.
O fluxo pode envolver:
- Projeto digital: definição da geometria e dos requisitos de funcionamento;
- Seleção do material: escolha de uma liga metálica adequada à aplicação;
- Preparação da fabricação: posicionamento das peças, definição dos suportes e parâmetros de impressão;
- Impressão: fusão controlada do pó metálico pelos lasers;
- Remoção e limpeza: retirada do componente e do material residual, conforme o processo;
- Tratamentos adicionais: aplicação de procedimentos térmicos quando necessários;
- Usinagem e acabamento: ajuste de dimensões e superfícies;
- Inspeção e validação: verificação das características exigidas pelo projeto.
Entretanto, nem todas as peças precisam passar exatamente pelas mesmas operações. O procedimento depende do material, da geometria e da função do componente.
Essa diferença explica por que a empresa decidiu ampliar também seus serviços de tratamento e usinagem.
Parceria entre Precision Resource e 3D Systems começou em 2024
A relação entre as empresas antecede a expansão anunciada em outubro.
Em 8 de julho de 2024, Precision Resource e 3D Systems divulgaram uma parceria estratégica para ampliar o uso da fabricação aditiva metálica.
Na ocasião, a Precision Resource anunciou a aquisição de duas impressoras DMP Flex 350 Dual, destinadas à sua operação em Huntington Beach.
Os equipamentos integraram uma estratégia que combinava impressão 3D, usinagem de precisão e inspeção de componentes.
Além disso, engenheiros das duas empresas trabalharam no desenvolvimento de soluções para aplicações industriais consideradas críticas.
O anúncio de 2026 representa uma continuidade dessa relação, agora com máquinas da linha Triple e instalações adicionais.
Entretanto, não significa que a Precision Resource esteja começando a utilizar impressão 3D metálica somente agora.
A companhia já possui equipamentos da família DMP 350 em operação.
Indústrias aeroespacial e de defesa estão entre os mercados atendidos
A Precision Resource fabrica componentes metálicos utilizados em diferentes atividades industriais.
Entre os mercados atendidos estão automóveis, equipamentos pesados, setor aeroespacial, dispositivos médicos, semicondutores e defesa.
Em cada segmento, as peças precisam atender a requisitos próprios de geometria, materiais e desempenho.
Na indústria aeroespacial, por exemplo, determinados componentes exigem controle rigoroso de massa, resistência e comportamento térmico.
Já os dispositivos médicos podem apresentar exigências relacionadas à composição dos materiais, precisão e condições de utilização.
Entretanto, a presença desses setores na carteira de clientes não significa que todos utilizarão as novas impressoras.
O anúncio também não identifica contratos específicos que dependam das instalações previstas para 2027.
Assim, a expansão demonstra a intenção de atender à demanda industrial, mas ainda não permite calcular a participação futura de cada mercado na produção.
Fabricação em dois estados pode reduzir dependência de uma única unidade
A distribuição das operações entre Califórnia e Connecticut acrescenta outra dimensão à estratégia da empresa.
Em vez de concentrar toda a capacidade de impressão em um único local, a Precision Resource pretende desenvolver uma rede conectada.
Segundo Chris Gratton, responsável pelas operações de fabricação aditiva e usinagem da companhia, a integração poderá oferecer mais flexibilidade e reduzir a complexidade da cadeia de fornecedores.
Essa proposta também envolve redundância geográfica, expressão utilizada para descrever a existência de alternativas produtivas em diferentes localidades.
Se uma unidade enfrentar restrições de capacidade, por exemplo, outra instalação poderá oferecer possibilidades adicionais de atendimento, conforme seus equipamentos e processos disponíveis.
Entretanto, isso não garante que qualquer peça possa ser transferida instantaneamente de uma fábrica para outra.
A transferência de produção pode exigir validação de processos, disponibilidade de materiais e atendimento aos requisitos do cliente.
Portanto, a vantagem anunciada dependerá da integração efetiva entre as operações.
Equipamentos exigem controle de qualidade e rastreabilidade
O uso de impressão 3D em componentes industriais exige mais do que observar a aparência final da peça.
Para alcançar resultados consistentes, fabricantes precisam controlar materiais, parâmetros de processamento e condições de operação.
A família DMP Flex 350 oferece integração com o software 3DXpert, utilizado em diferentes etapas da preparação e execução de projetos de fabricação aditiva.
Além disso, a plataforma possui opções de monitoramento e inspeção para acompanhar aspectos relacionados à qualidade.
Entre os recursos anunciados estão análises de defeitos de fusão, deformações, condições de deposição do pó e informações sobre a região de material fundido.
Entretanto, a existência dessas ferramentas não significa que todos os módulos opcionais estarão instalados nas novas unidades.
Também não representa uma certificação automática das peças produzidas.
O controle efetivo depende da configuração contratada, dos procedimentos adotados e das exigências de cada aplicação.
Investimento, empregos e produção anual ainda não foram divulgados
Apesar de confirmar duas novas instalações, a Precision Resource não apresentou todos os indicadores necessários para dimensionar a expansão.
As empresas ainda não informaram:
- O valor total investido nos dois projetos;
- A quantidade exata de novas impressoras DMP Flex 350 Triple;
- A área construída de cada unidade;
- O número de empregos diretos que deverão ser criados;
- A capacidade anual de produção de componentes;
- Os materiais que serão utilizados inicialmente em cada instalação;
- A data individual de inauguração das unidades.
Essas informações serão necessárias para comparar o tamanho do investimento com outras iniciativas do setor.
Além disso, permitirão avaliar os efeitos sobre a capacidade de fabricação, os empregos e a competitividade da empresa.
Por enquanto, o indicador quantitativo de expansão mais claro está em Huntington Beach, onde a companhia projeta dobrar a capacidade local de impressão 3D.
Entretanto, não existe base para converter essa previsão em um número específico de componentes adicionais.
Expansão difere do centro inaugurado pela 3D Systems no Colorado
Os novos investimentos também precisam ser diferenciados de outra iniciativa recente da 3D Systems.
Em outubro, a fabricante inaugurou um Centro de Tecnologia Industrial em Littleton, no Colorado, acrescentando aproximadamente 4.645 metros quadrados de instalações.
O Folha do Leste mostrou a ampliação da fábrica de impressão 3D no Colorado, voltada principalmente às indústrias aeroespacial, de defesa e de equipamentos para semicondutores.
Entretanto, o investimento em Littleton pertence à infraestrutura da própria 3D Systems.
Já as instalações anunciadas para Califórnia e Connecticut integram a expansão da Precision Resource, que utiliza equipamentos fornecidos pela parceira.
Portanto, não se trata de três unidades de uma única empresa anunciadas como parte do mesmo projeto.
A distinção também ajuda a compreender como a cadeia industrial funciona: uma companhia desenvolve e fornece máquinas, enquanto outra utiliza a tecnologia para produzir componentes destinados a diferentes clientes.
O que muda para a indústria com as novas unidades?
A expansão da Precision Resource reforça uma mudança no papel da impressão 3D metálica.
Durante muitos anos, a tecnologia ficou associada principalmente à fabricação de protótipos e ao desenvolvimento de produtos.
Agora, empresas procuram utilizá-la também na produção regular de componentes industriais.
Entretanto, a passagem do protótipo para a fabricação em série exige produtividade, repetibilidade e controle de qualidade.
É nesse contexto que a Precision Resource pretende reunir novas impressoras, tratamentos térmicos e usinagem em uma rede integrada.
Com operações previstas para o primeiro trimestre de 2027, as instalações poderão ampliar a capacidade de fornecimento de peças metálicas complexas.
Porém, a dimensão efetiva desse avanço dependerá da quantidade de equipamentos instalada, dos contratos conquistados e dos resultados da produção.
O fato confirmado é o início da expansão industrial em dois estados norte-americanos. O próximo teste será demonstrar quanto essa estrutura conseguirá produzir, com quais custos e dentro de quais padrões de qualidade.








