
Flamengo teve só três chutes no gol em 180 minutos e expõe problema ofensivo na Libertadores | Divulgação/Flamengo
O Flamengo acertou apenas três finalizações no gol em 180 minutos contra o Estudiantes e encerrou sua participação na Libertadores de 2026 sem marcar na semifinal. A equipe comandada por Leonardo Jardim realizou 18 chutes nas duas partidas, mas somente 16,7% deles tiveram a direção da meta adversária. O desempenho ofensivo ajuda a explicar a eliminação após dois empates por 0 a 0 e derrota por 3 a 2 nos pênaltis, na quinta-feira (22), no Maracanã.
O problema ultrapassou a falta de gols. O Flamengo não acertou nenhuma finalização na direção da meta durante os primeiros 90 minutos, na Argentina. No jogo de volta, conseguiu três chutes certos em 13 tentativas, apesar de controlar a posse de bola e atuar com superioridade numérica durante praticamente todo o segundo tempo. O Estudiantes resistiu e garantiu a classificação com três defesas de Fernando Muslera nas penalidades.
Flamengo acertou apenas 16,7% das finalizações contra o Estudiantes
Os números da semifinal mostram a dificuldade do Flamengo para transformar a posse de bola em oportunidades de gol.
Na primeira partida, disputada em 15 de outubro, em La Plata, o Rubro-Negro realizou cinco finalizações, mas nenhuma exigiu defesa de Fernando Muslera.
Na volta, no Maracanã, a equipe chutou 13 vezes e acertou três bolas no alvo.
Somando os confrontos, foram 18 finalizações, três certas e nenhum gol.
Confira o desempenho:
- Jogo de ida: cinco finalizações, nenhuma no alvo.
- Jogo de volta: 13 finalizações, três no alvo.
- Total: 18 finalizações e três no alvo.
- Precisão: 16,7% das tentativas na direção do gol.
- Gols marcados: nenhum.
A taxa de 16,7% mede a precisão dos chutes, não a eficiência de conversão em gols. Como nenhuma finalização entrou, o aproveitamento em gols foi de 0%.
Os números evidenciam dois problemas distintos: o Flamengo criou poucas situações de conclusão e teve dificuldade para direcionar as tentativas que conseguiu produzir.
Flamengo levou cerca de 140 minutos para acertar o gol
O primeiro chute certo do Flamengo na semifinal aconteceu somente durante o segundo tempo da partida de volta.
Segundo levantamento publicado pelo SofaScore e reproduzido em análises esportivas, o clube levou aproximadamente 140 minutos de bola rolando, somados os dois jogos, para acertar uma finalização no alvo.
Esse intervalo inclui toda a partida disputada na Argentina e parte considerável do confronto no Maracanã.
O dado chama atenção porque o Flamengo tinha a vantagem de decidir a classificação em casa, diante de sua torcida, após conquistar o direito de mandar o segundo jogo da semifinal.
Entretanto, a equipe não conseguiu construir uma atuação ofensiva suficiente para superar a defesa argentina.
Posse de bola de 76% não se transformou em gols no Maracanã
O contraste mais expressivo apareceu na partida de volta.
Segundo os dados divulgados pelo SofaScore, o Flamengo terminou o confronto com 76% de posse de bola, contra 24% do Estudiantes.
A equipe brasileira também realizou 642 passes, dos quais 572 foram certos, e registrou 21 ações com a bola dentro da área adversária.
Apesar desse domínio territorial, finalizou apenas três vezes no alvo.
O Estudiantes, que teve 24% de posse, também conseguiu três finalizações certas.
O resultado mostra que controlar a bola não significou, necessariamente, criar oportunidades proporcionais ao domínio exercido.
O Flamengo teve mais ações no campo ofensivo, mas encontrou dificuldades para transformar a circulação da bola em conclusões de qualidade.
Cruzamentos não conseguiram superar defesa argentina
Uma das características da atuação rubro-negra foi a insistência nos cruzamentos.
O Flamengo realizou 29 cruzamentos, mas apenas seis encontraram companheiros, conforme os números do SofaScore.
A equipe também teve sete finalizações bloqueadas.
O Estudiantes respondeu com uma organização defensiva concentrada nas proximidades da área. Os argentinos terminaram a partida com 25 cortes e dez interceptações.
O volume de cruzamentos indica a tentativa do Flamengo de contornar a marcação pelos lados do campo.
Entretanto, a baixa precisão dos passes para a área e os bloqueios defensivos limitaram as oportunidades de conclusão.
Mesmo quando avançou com frequência ao último terço do campo, o Rubro-Negro encontrou dificuldades para superar a última linha de marcação.
Expulsão de Baltasar Rodríguez não mudou o resultado
A principal oportunidade para o Flamengo alterar o confronto surgiu no início do segundo tempo.
Aos cinco minutos, Baltasar Rodríguez recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando o Estudiantes com dez jogadores.
Com superioridade numérica, o Flamengo passou a ocupar o campo ofensivo durante períodos ainda maiores.
O Estudiantes, entretanto, reforçou a marcação e priorizou a proteção da área.
Leonardo Jardim tentou modificar a estrutura ofensiva com as entradas de Arrascaeta, Bruno Henrique e Gonzalo Plata.
As mudanças aumentaram as alternativas de ataque, mas não produziram o gol necessário para a classificação.
Plata exigiu uma defesa de Muslera em uma cabeçada, após passe de Lucas Paquetá. O próprio Paquetá também levou perigo em uma tentativa pelo alto nos minutos finais.
Mesmo assim, o Flamengo terminou a partida sem conseguir superar o goleiro adversário.
Números de Flamengo x Estudiantes mostram contraste entre posse e criação
As estatísticas da partida no Maracanã permitem comparar o domínio territorial rubro-negro com a resistência do Estudiantes.
- Posse de bola: Flamengo 76% x 24% Estudiantes.
- Finalizações: Flamengo 13 x 8 Estudiantes.
- Chutes no alvo: Flamengo 3 x 3 Estudiantes.
- Passes certos: Flamengo 572 x 134 Estudiantes.
- Toques na área adversária: Flamengo 21 x 6 Estudiantes.
- Cruzamentos do Flamengo: 29, sendo seis certos.
- Finalizações bloqueadas do Flamengo: sete.
- Cortes defensivos do Estudiantes: 25.
- Gols esperados (xG): Flamengo 0,86 x 0,79 Estudiantes.
O indicador de gols esperados, conhecido como xG, estima a probabilidade de conversão das oportunidades conforme suas características.
O Flamengo registrou xG de 0,86 no Maracanã. Portanto, mesmo com grande posse de bola, suas finalizações não produziram expectativa estatística elevada de gols.
O Estudiantes, com menos tempo de posse, alcançou xG de 0,79.
Os valores reforçam que a diferença de domínio territorial entre as equipes foi muito maior do que a diferença na qualidade das finalizações produzidas.
Muslera defende três pênaltis e encerra campanha do Flamengo
Depois de dois empates sem gols, a semifinal terminou decidida nas cobranças de pênaltis.
O Flamengo converteu duas tentativas, com Arrascaeta e Léo Pereira.
Entretanto, Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique tiveram suas cobranças defendidas por Fernando Muslera.
O Estudiantes também desperdiçou uma penalidade, com Edwuin Cetré, mas marcou com José Sosa, Eros Mancuso e Tiago Palacios.
Com a vitória por 3 a 2 nos pênaltis, a equipe argentina avançou à decisão da Libertadores.
A eliminação encerrou a tentativa do Flamengo de defender o título conquistado em 2025 e buscar o pentacampeonato continental.
Flamengo foi eliminado antes de aproveitar seu investimento ofensivo
A semifinal expôs uma dificuldade importante do elenco rubro-negro: a incapacidade de transformar recursos técnicos e posse de bola em gols diante de uma defesa organizada.
Leonardo Jardim contou com jogadores experientes e diferentes possibilidades de alteração ofensiva.
Entretanto, a equipe terminou 180 minutos sem marcar e construiu poucas situações de finalização efetiva.
Não foi apenas a atuação de Muslera nos pênaltis que determinou a eliminação. O Flamengo também deixou de conquistar a classificação durante o tempo regulamentar, quando poderia ter vencido qualquer um dos dois confrontos.
Isso não diminui a participação decisiva do goleiro uruguaio, mas ajuda a separar os problemas coletivos apresentados nos jogos das falhas individuais nas cobranças.
Estudiantes enfrentará Palmeiras na final da Libertadores
O Estudiantes disputará a final da Libertadores pela primeira vez desde 2009, quando conquistou seu quarto título ao superar o Cruzeiro.
O adversário será o Palmeiras, que eliminou o Fluminense nos pênaltis na outra semifinal.
A decisão acontecerá em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Será uma reedição do confronto que definiu a Libertadores de 1968, vencida pelo clube argentino.
Flamengo x Atlético-MG será primeiro teste após eliminação
Sem a Libertadores, o Flamengo volta suas atenções ao Campeonato Brasileiro.
O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, na segunda-feira (26), às 20h, no Maracanã, pela 32ª rodada.
O confronto terá transmissão do SporTV e Premiere.
O Flamengo lidera o Brasileirão com 67 pontos, apenas um à frente do Palmeiras, e precisa preservar sua vantagem na disputa pelo título.
Leonardo Jardim terá poucos dias para reorganizar a equipe depois da eliminação continental.
Além da recuperação física dos jogadores, o treinador precisará enfrentar a baixa produção ofensiva apresentada contra o Estudiantes.
O próximo adversário também vive um momento importante. O Atlético-MG garantiu classificação à final da Copa Sul-Americana e tentará manter seu desempenho na reta final da temporada.
Flamengo precisa transformar domínio territorial em oportunidades
Os três chutes certos do Flamengo em 180 minutos contra o Estudiantes resumem a principal dificuldade da equipe na semifinal.
O Rubro-Negro teve domínio da posse no Maracanã, atuou com um jogador a mais durante quase todo o segundo tempo e tentou mudar o ataque com substituições.
Entretanto, não conseguiu marcar em nenhuma das duas partidas.
Os dados mostram que aumentar a posse de bola não foi suficiente para criar finalizações de qualidade.
Agora, o Flamengo precisará melhorar a construção das jogadas e a precisão das conclusões para defender sua liderança no Campeonato Brasileiro.
O primeiro teste acontecerá na segunda-feira, contra o Atlético-MG, novamente diante de sua torcida.








