
NAM Atlântico (A140), maior navio de guerra da Marinha do Brasil, em navegação com helicópteros no convés. A embarcação atua como plataforma de operações aeronavais e apoio a missões militares. | Alexandre Durão/Revista Força Aérea/Wikimedia Commons – CC BY-SA 2.0
O Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico (A140) ocupa uma posição de destaque na Esquadra brasileira. Com um extenso convés de voo, a embarcação permite que a Marinha do Brasil reúna helicópteros, militares, equipamentos e estruturas de comando em operações longe da costa.
Em julho de 2026, o navio participou da Operação ADEREX, exercício que mobilizou meios navais e aeronavais para aprimorar a preparação das tripulações e a integração da Esquadra.
Antes disso, entre 22 e 25 de junho, o 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino realizou exercícios de pouso a bordo com uma aeronave SH-16 Seahawk. Segundo a Marinha, as atividades também contribuíram para avaliar sistemas de auxílio à aproximação e reforçar a segurança das operações aéreas.
Esses treinamentos demonstram uma das principais funções do Atlântico: integrar operações navais e aéreas a partir de uma mesma plataforma.
Além da aviação, o navio reúne características que permitem apoiar o transporte militar, as operações anfíbias e determinadas ações humanitárias. Entretanto, cada missão exige planejamento, equipamentos apropriados e apoio de outros meios da Marinha.
O que é o NAM Atlântico?
O NAM Atlântico integra a Marinha do Brasil desde 2018. Anteriormente, a embarcação servia à Marinha Real britânica como HMS Ocean, nome que recebeu durante sua carreira no Reino Unido.
Construído na década de 1990, o navio nasceu como uma plataforma de operações com helicópteros e apoio a forças militares.
Após sua incorporação à Esquadra brasileira, o Atlântico assumiu novas responsabilidades, incluindo a função de capitânia, o emprego de aeronaves embarcadas e o apoio a diferentes operações navais.
Por isso, a Marinha utiliza a classificação Navio-Aeródromo Multipropósito, que destaca sua versatilidade.
No entanto, essa característica não transforma o Atlântico em uma fragata ou em um porta-aviões convencional. Cada uma dessas categorias possui prioridades de projeto e capacidades específicas.
Qual é o tamanho do NAM Atlântico?
O Atlântico possui aproximadamente 203 metros de comprimento, segundo dados que a Marinha divulgou em julho de 2026.
Além disso, a embarcação apresenta deslocamento carregado de 21.500 toneladas e velocidade máxima informada de 18 nós, equivalentes a cerca de 33 quilômetros por hora.
Seu amplo convés de voo oferece espaço para operações com helicópteros compatíveis. Já as instalações internas abrigam equipes, equipamentos e estruturas de apoio às missões.
Essas características permitem concentrar diferentes recursos militares em uma única embarcação.
Contudo, o tamanho de um navio não determina sozinho sua capacidade de combate. Armamentos, sensores, sistemas de comunicação, treinamento e disponibilidade operacional também influenciam seu desempenho.
O Atlântico é um porta-aviões?
O Atlântico possui instalações para operações aéreas, mas não desempenha a mesma função de um porta-aviões convencional destinado a operar caças de asa fixa.
Sua origem está ligada aos navios porta-helicópteros de assalto anfíbio.
Enquanto helicópteros realizam pousos e decolagens verticais, caças convencionais precisam de estruturas e procedimentos diferentes.
Por exemplo, porta-aviões que operam determinadas aeronaves utilizam sistemas específicos para lançamento e recuperação dos aviões.
O Atlântico não dispõe de catapultas e aparelhos de parada para operar esses caças.
Portanto, a existência de um grande convés não significa que o navio possa receber qualquer aeronave militar.
A compatibilidade depende das características de cada modelo, das condições de operação e das certificações necessárias.
Quais helicópteros podem operar no NAM Atlântico?
O convés do Atlântico permite que a Marinha realize atividades com helicópteros compatíveis com suas instalações.
Essas aeronaves podem executar transporte de pessoal, movimentação de cargas e missões especializadas, conforme os equipamentos disponíveis.
Um exemplo ocorreu entre 22 e 25 de junho de 2026, quando o 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1) empregou uma aeronave SH-16 Seahawk em exercícios a bordo.
Durante o treinamento, pilotos e equipes realizaram atividades de Qualificação e Requalificação em Pouso a Bordo (QRPB).
Além disso, os militares trabalharam no alinhamento dos sistemas visuais Glide Path Indicator (GPI) Mk2 e Mk3, que auxiliam os pilotos durante a aproximação para pouso.
Esses procedimentos ganham importância porque o convés acompanha os movimentos do navio, enquanto ventos e condições meteorológicas podem dificultar a operação.
Assim, a segurança dos pousos depende da integração entre pilotos, equipes de convés e sistemas de auxílio à navegação aérea.
Vale destacar que a capacidade de receber um helicóptero não significa que a aeronave permaneça embarcada continuamente. A composição aérea muda conforme a missão.
O que aconteceu na Operação ADEREX 2026?
Em julho de 2026, a Marinha promoveu a Operação ADEREX, exercício de adestramento que reuniu diferentes meios da Esquadra.
O NAM Atlântico participou das atividades, que buscaram aprimorar a preparação das tripulações e a integração entre navios, aeronaves e unidades militares.
Nesse período, o navio também esteve em Santos, no litoral paulista.
Em 19 de julho, a Marinha abriu suas instalações à visitação pública, permitindo que os visitantes conhecessem espaços como o convés de voo, o hangar e áreas destinadas a veículos.
A programação aproximou a população das atividades da força naval e apresentou características de uma das maiores embarcações militares em serviço na região.
Além disso, alunos do Colégio Naval acompanharam atividades embarcadas durante a comissão.
Dessa forma, a ADEREX combinou treinamento militar com ações de formação e aproximação institucional.
Entretanto, a participação em um exercício não significa que todos os equipamentos do navio estejam disponíveis permanentemente. A prontidão depende de inspeções, manutenção e preparação contínua.
Como o Atlântico apoia os Fuzileiros Navais?
O Atlântico possui características que permitem apoiar o deslocamento de militares e equipamentos durante determinadas operações.
Entre suas possibilidades está o emprego de helicópteros para transportar tropas entre o navio e áreas terrestres.
Essa capacidade possui relação direta com as operações anfíbias, nas quais forças militares podem atuar a partir do mar para cumprir objetivos em terra.
O Folha do Leste já explicou como funcionam as operações anfíbias dos Fuzileiros Navais brasileiros, incluindo os desafios de transporte, comunicação e apoio logístico.
Nesse contexto, o Atlântico pode atuar como uma plataforma de apoio às tropas e às aeronaves.
Por outro lado, nenhum navio consegue executar sozinho todas as modalidades de operação anfíbia.
Dependendo da missão, a força naval também necessita de escoltas, embarcações especializadas, sistemas de comunicação e apoio logístico.
Portanto, a eficácia dessas operações depende da integração entre diferentes unidades.
O NAM Atlântico possui armamentos?
O Atlântico possui armamentos destinados principalmente à proteção da embarcação.
A documentação histórica da Marinha menciona canhões de 30 milímetros entre os equipamentos associados ao navio.
Apesar disso, o Atlântico não ocupa o mesmo papel de uma fragata de combate.
Enquanto o navio-aeródromo concentra capacidades relacionadas à aviação embarcada e ao apoio operacional, fragatas possuem sistemas especializados para enfrentar determinadas ameaças navais.
Essa diferença aparece na reportagem do Folha do Leste sobre as fragatas Classe Tamandaré e a modernização da Marinha do Brasil.
As novas fragatas integram um programa voltado à renovação de capacidades de combate de superfície.
Assim, Atlântico e fragatas cumprem funções complementares, podendo atuar em conjunto conforme o planejamento da Marinha.
O Atlântico pode funcionar como centro de comando?
Sim. O NAM Atlântico possui instalações que permitem apoiar atividades de comando e coordenação naval.
A Marinha também utiliza a embarcação como capitânia da Esquadra.
Na prática, esse papel ganha importância quando uma operação reúne vários navios, aeronaves e unidades militares.
As equipes precisam compartilhar informações, acompanhar deslocamentos e coordenar diferentes atividades.
Além disso, os responsáveis pelo comando devem avaliar as condições operacionais e organizar o emprego dos recursos disponíveis.
Por isso, uma plataforma com instalações apropriadas pode facilitar a integração entre os participantes.
Entretanto, atuar como capitânia não significa comandar automaticamente todas as operações marítimas brasileiras.
A responsabilidade pelo comando depende da estrutura institucional e das missões que a Marinha atribui a cada força.
Como o Atlântico pode ajudar em desastres naturais?
Além das missões militares, o Atlântico reúne recursos que podem contribuir para operações de assistência humanitária.
A Marinha destaca a capacidade de suporte hospitalar da embarcação e suas possibilidades de atuação em situações que exigem transporte de pessoas e materiais.
Nesse cenário, helicópteros podem ajudar a alcançar determinadas regiões, especialmente quando desastres comprometem estradas e outras vias de acesso.
Ao mesmo tempo, os espaços internos do navio oferecem condições para organizar atividades de apoio e movimentação de suprimentos.
A combinação entre transporte marítimo, aviação embarcada e estrutura logística pode ampliar as opções de resposta a emergências.
Contudo, o emprego efetivo do Atlântico depende da situação, das decisões das autoridades competentes e dos recursos disponíveis.
Além disso, suas instalações médicas não substituem integralmente a estrutura de um hospital em terra.
O navio pode complementar uma operação humanitária, mas a resposta exige cooperação entre diferentes instituições.
Por que a logística é essencial para o Atlântico?
Um navio de grande porte depende de abastecimento constante para manter suas atividades.
Combustível, alimentos, peças de reposição e materiais de manutenção integram as necessidades das operações.
Além disso, aeronaves embarcadas e equipes especializadas ampliam a demanda por recursos.
Em janeiro de 2026, durante a ASPIRANTEX, a estrutura logística da Marinha em Salvador apoiou navios da Esquadra e forneceu gêneros alimentícios ao Atlântico.
O episódio demonstra uma realidade importante: a capacidade de operar longe da costa depende também das organizações que prestam apoio em terra.
Sem abastecimento e manutenção, até mesmo uma embarcação de grande porte enfrenta limitações.
Por isso, o planejamento precisa considerar a duração da missão, o número de militares embarcados e os equipamentos empregados.
Qual é a diferença entre o NAM Atlântico e um navio-patrulha oceânico?
O NAM Atlântico concentra capacidades relacionadas ao emprego de helicópteros, transporte militar e coordenação de operações.
Já os navios-patrulha oceânicos atuam principalmente em missões de vigilância, presença naval e acompanhamento de atividades no mar.
Portanto, as duas categorias atendem a necessidades distintas.
O Folha do Leste detalhou essas diferenças funcionais na reportagem sobre os navios-patrulha oceânicos da Classe Amazonas.
Enquanto embarcações de patrulha priorizam determinadas atividades de fiscalização e presença marítima, o Atlântico oferece instalações e recursos para operações que exigem maior integração de meios.
Ainda assim, um tipo de navio não substitui automaticamente o outro.
A Marinha precisa combinar embarcações com diferentes capacidades para atender às demandas de defesa e segurança marítima.
Por que o NAM Atlântico é estratégico para o Brasil?
O NAM Atlântico permite que a Marinha reúna helicópteros, militares e estruturas de apoio em uma plataforma de grande porte.
Essa característica amplia as possibilidades de treinamento, transporte e coordenação de operações.
Além disso, o navio pode contribuir para determinadas missões humanitárias, desde que disponha dos recursos necessários.
Sua importância também se relaciona à proteção dos interesses brasileiros no Atlântico Sul.
O Folha do Leste já abordou a importância econômica e estratégica da Amazônia Azul, expressão associada às áreas marítimas de interesse nacional.
Entretanto, o Atlântico não representa sozinho toda a capacidade naval brasileira.
A defesa marítima também exige fragatas, submarinos, navios de patrulha, aeronaves, tropas especializadas e estruturas de apoio em terra.
Os exercícios realizados em junho e julho de 2026 mostram como a Marinha empregou o navio em atividades de treinamento e integração.
Assim, o principal valor estratégico do NAM Atlântico está na capacidade de conectar operações marítimas, aéreas e terrestres, ampliando as opções de atuação da Marinha do Brasil.








