
SSDs PCIe 5.0 oferecem maior velocidade de transferência, mas a redução no carregamento dos jogos depende de outros componentes e tecnologias. | Foto: Rémy Brenans/Unsplash
Um SSD PCIe 5.0 pode atingir mais que o dobro da velocidade de leitura de determinados modelos PCIe 4.0, mas essa vantagem não aparece necessariamente na mesma proporção ao abrir jogos. A diferença entre desempenho anunciado e resultado percebido depende de como cada título carrega seus arquivos, do processador e das tecnologias utilizadas pelo sistema.
O Samsung 9100 PRO, por exemplo, alcança até 14.800 MB/s de leitura sequencial, conforme sua ficha técnica. Já o Crucial T500 PCIe 4.0 apresenta até 7.400 MB/s. Entretanto, esses números medem condições específicas de transferência e não representam diretamente o tempo necessário para carregar uma partida.
A questão ganha importância porque a Microsoft continua aperfeiçoando o DirectStorage, tecnologia que busca acelerar a transferência e a descompressão dos arquivos usados pelos games. Em março de 2026, a empresa apresentou a prévia do DirectStorage 1.4, com suporte ao formato de compressão Zstandard.
Qual é a diferença entre SSD PCIe 5.0 e PCIe 4.0?
A principal diferença está na largura de banda da interface PCI Express, utilizada para transferir dados entre o SSD e o restante do computador.
Em uma conexão com quatro pistas, identificada como PCIe x4, a quinta geração oferece aproximadamente o dobro da largura de banda da quarta.
Isso permite desenvolver SSDs capazes de transferir volumes maiores de informações em menos tempo.
Entretanto, o padrão PCIe não determina sozinho a velocidade de um SSD. O resultado depende também do controlador, da memória NAND, do firmware e da capacidade do modelo.
Por isso, dois SSDs classificados como PCIe 5.0 podem apresentar velocidades bastante diferentes.
SSD PCIe 5.0 ultrapassa 14.000 MB/s de leitura
Um exemplo da evolução aparece no Samsung 9100 PRO, unidade NVMe PCIe 5.0 que possui versões de diferentes capacidades.
Segundo a Samsung, determinados modelos alcançam até 14.800 MB/s de leitura sequencial.
A fabricante também anuncia velocidades elevadas de gravação, dependendo da capacidade escolhida.
Em comparação, o Crucial T500 PCIe 4.0 possui velocidade de leitura anunciada de até 7.400 MB/s.
Os números mostram uma vantagem importante de transferência para a nova geração.
Entretanto, não significam que um jogo iniciado em dez segundos no PCIe 4.0 necessariamente abrirá em cinco segundos no PCIe 5.0.
O carregamento envolve operações que não dependem exclusivamente da taxa sequencial do armazenamento.
Por que o dobro de MB/s não reduz o carregamento pela metade?
Ao iniciar um jogo, o computador não realiza apenas uma grande transferência contínua de dados.
O processo pode incluir leitura de arquivos menores, descompressão, preparação de recursos gráficos e processamento de informações.
Também existem verificações e operações relacionadas ao funcionamento do próprio motor do jogo.
Se essas tarefas representam parte importante do tempo total, aumentar a velocidade do SSD não elimina automaticamente os demais limites.
Um processador ocupado com descompressão, por exemplo, pode continuar influenciando o carregamento mesmo quando o armazenamento consegue fornecer os dados mais rapidamente.
Portanto, a velocidade sequencial representa apenas uma das características importantes para jogos.
Leitura sequencial é diferente de leitura aleatória
Os fabricantes normalmente destacam os valores máximos de leitura e gravação sequencial nas embalagens.
Esses resultados são relevantes quando o dispositivo movimenta grandes blocos de dados em condições favoráveis.
Entretanto, programas e jogos também realizam leituras menores, distribuídas em diferentes regiões do armazenamento.
Nessas situações, o desempenho pode depender da quantidade de operações realizadas por segundo e dos atrasos envolvidos em cada solicitação.
Esses indicadores aparecem em testes de IOPS e latência.
Por isso, dois SSDs com grande diferença em MB/s podem apresentar tempos de carregamento mais próximos do que os números da embalagem sugerem.
A comparação precisa considerar a utilização real, não apenas o resultado máximo de uma ferramenta de benchmark.
O que é DirectStorage e por que ele importa para os games?
O DirectStorage é uma tecnologia da Microsoft desenvolvida para melhorar a maneira como os jogos acessam e processam dados armazenados em unidades de alta velocidade.
A proposta envolve reduzir o custo de processamento das solicitações de leitura e aproveitar melhor a capacidade dos SSDs NVMe.
Segundo a Microsoft, os jogos modernos utilizam arquivos compactados e precisam carregar muitos recursos durante a execução.
O DirectStorage permite organizar melhor essas operações, reduzindo determinados gargalos.
Entretanto, não basta instalar um SSD PCIe 5.0 para ativar automaticamente todas as vantagens do DirectStorage.
O computador precisa atender aos requisitos aplicáveis e o jogo deve utilizar os recursos correspondentes.
DirectStorage pode usar a GPU para descompactar arquivos
Uma das mudanças introduzidas na evolução do DirectStorage envolve a descompressão realizada pela placa de vídeo.
Tradicionalmente, determinadas tarefas de descompressão eram executadas pelo processador.
Com a utilização de recursos da GPU, os desenvolvedores podem distribuir parte desse trabalho de maneira diferente.
Segundo a Microsoft, a abordagem ajuda a reduzir a sobrecarga da CPU em situações compatíveis.
Entretanto, não significa que todo jogo com DirectStorage terá o mesmo ganho de velocidade.
A melhoria depende do formato dos dados, da implementação e das capacidades do sistema.
DirectStorage 1.4 apresenta suporte ao formato Zstandard
Em 11 de março de 2026, a Microsoft anunciou a prévia pública do DirectStorage 1.4.
A atualização acrescentou suporte ao formato de compressão Zstandard, conhecido como Zstd, dentro da evolução das ferramentas de carregamento de recursos.
O objetivo é ampliar as opções de compactação e processamento utilizadas pelos desenvolvedores.
Também foi apresentada uma prévia da Game Asset Conditioning Library, voltada à preparação de recursos dos jogos.
Entretanto, a existência da tecnologia não comprova adoção imediata por todos os lançamentos.
Os estúdios precisam integrar os recursos aos seus projetos para que os benefícios apareçam durante a execução.
SSD PCIe 5.0 aumenta o FPS dos jogos?
Não existe relação direta entre trocar um SSD PCIe 4.0 por PCIe 5.0 e obter mais quadros por segundo.
O FPS depende principalmente das tarefas executadas pela placa de vídeo e pelo processador, além das características de cada jogo.
O armazenamento participa do carregamento de recursos, mas não substitui a capacidade de renderização da GPU.
Em determinados títulos, um dispositivo mais rápido pode ajudar a reduzir gargalos relacionados à entrada de dados.
Entretanto, não é correto tratar a troca do SSD como equivalente à instalação de uma placa gráfica mais potente.
O benefício deve ser avaliado de acordo com os problemas apresentados pelo computador.
Um SSD mais rápido pode reduzir travamentos?
Em jogos que carregam arquivos durante a exploração, a velocidade do armazenamento pode influenciar a entrega de novos recursos.
Entretanto, travamentos e engasgos possuem diversas causas, como compilação de shaders, falta de memória, limitações da GPU e processos em segundo plano.
Por isso, a instalação de um SSD PCIe 5.0 não garante a eliminação desses problemas.
Antes de investir, vale identificar se existe realmente um gargalo de armazenamento.
Se o computador já utiliza um bom SSD PCIe 4.0 e o problema está relacionado à CPU, por exemplo, a troca pode oferecer pouco benefício perceptível.
Jogos antigos também aproveitam a quinta geração?
Jogos desenvolvidos antes da popularização de SSDs NVMe rápidos podem utilizar sistemas de carregamento que não conseguem aproveitar toda a largura de banda disponível.
Nesses casos, um SSD PCIe 5.0 continua funcionando, mas sua velocidade máxima pode não ser utilizada.
O resultado depende das rotinas de leitura e processamento implementadas no jogo.
Essa diferença explica por que benchmarks de armazenamento não podem ser usados como substitutos de testes de carregamento.
Para o jogador, a pergunta relevante não é apenas quantos MB/s o SSD alcança, mas quantos segundos ele efetivamente economiza na experiência desejada.
SSD PCIe 5.0 funciona em placa-mãe PCIe 4.0?
Em geral, sim. A interface PCI Express foi desenvolvida com compatibilidade entre gerações, respeitadas as condições do dispositivo e da placa-mãe.
Entretanto, um SSD PCIe 5.0 instalado em uma conexão PCIe 4.0 não consegue utilizar a largura de banda completa da quinta geração.
Isso significa que o consumidor pode pagar por um dispositivo capaz de velocidades superiores sem conseguir aproveitar integralmente sua capacidade.
Antes da compra, é necessário consultar o manual da placa-mãe e verificar a geração suportada pelo slot M.2 escolhido.
Também é importante conferir se o slot compartilha pistas com outros dispositivos.
M.2 não significa automaticamente PCIe 5.0
O termo M.2 descreve um formato físico utilizado por diferentes dispositivos de armazenamento.
Entretanto, nem todo SSD M.2 utiliza a mesma interface ou oferece a mesma velocidade.
Existem modelos M.2 que trabalham com SATA e outros que utilizam NVMe sobre PCI Express.
Entre os SSDs NVMe, também há gerações PCIe diferentes.
Por isso, é importante verificar simultaneamente o formato, a interface, a geração PCIe e a compatibilidade do equipamento.
A aparência semelhante dos módulos não garante desempenho equivalente.
SSD PCIe 5.0 pode esquentar mais?
Determinados SSDs PCIe 5.0 de alto desempenho podem apresentar maior consumo de energia e exigências de refrigeração.
Por isso, alguns modelos são vendidos com dissipadores de calor.
Em temperaturas elevadas, o controlador pode reduzir o desempenho para preservar condições seguras de funcionamento.
Esse comportamento é conhecido como thermal throttling.
Entretanto, nem todo SSD PCIe 5.0 precisa do mesmo sistema de refrigeração.
O consumo e a temperatura dependem do projeto, da carga de trabalho e da ventilação do gabinete.
O consumidor deve conferir as orientações do fabricante antes de escolher entre versões com ou sem dissipador.
O dissipador da placa-mãe é suficiente?
Em determinadas configurações, o dissipador instalado na placa-mãe pode atender às necessidades do SSD.
Entretanto, isso depende do modelo utilizado, da capacidade de dissipação e da circulação de ar.
Também é necessário observar se a unidade possui um dissipador próprio que possa interferir no encaixe da proteção da placa-mãe.
Não é recomendável instalar dois dissipadores incompatíveis sobre o mesmo módulo.
O procedimento correto deve seguir as instruções do fabricante da unidade e do computador.
Mais capacidade pode ser melhor do que mais velocidade?
Para determinados jogadores, comprar um SSD PCIe 4.0 de maior capacidade pode ser mais útil do que investir em um PCIe 5.0 menor.
Isso acontece porque instalações modernas podem ocupar dezenas ou centenas de gigabytes.
Quando o armazenamento fica cheio, o usuário precisa remover jogos frequentemente para instalar novos títulos.
Uma unidade com mais espaço pode oferecer benefícios imediatos de organização e conveniência.
Entretanto, a decisão depende do preço brasileiro efetivo de cada modelo, da durabilidade anunciada e do tipo de utilização.
Não existe uma escolha universal para todos os computadores.
SSD PCIe 4.0 ainda vale a pena para jogos em 2026?
Sim. Um SSD NVMe PCIe 4.0 continua sendo uma opção adequada para muitos computadores destinados a jogos.
Modelos de alto desempenho dessa geração já oferecem taxas de leitura de vários gigabytes por segundo.
Além disso, a tecnologia é compatível com uma ampla variedade de placas-mãe e computadores.
Entretanto, a escolha deve considerar também o modelo específico do SSD, sua qualidade e a garantia oferecida.
Um dispositivo PCIe 4.0 de boa qualidade pode representar uma compra mais equilibrada do que uma unidade PCIe 5.0 escolhida apenas pelo maior número de MB/s anunciado.
Quando vale a pena comprar um SSD PCIe 5.0?
A quinta geração merece atenção quando o computador já oferece uma conexão compatível e o usuário realiza transferências intensivas de arquivos, trabalhos com grandes volumes de dados ou outras atividades sensíveis à largura de banda.
Também pode interessar a quem procura uma configuração de armazenamento de alto desempenho para utilização prolongada.
Entretanto, para um computador dedicado principalmente a jogos, a vantagem precisa ser comparada com o custo adicional.
A escolha deve considerar o preço de venda no Brasil, a capacidade, a refrigeração necessária e os resultados de testes com os aplicativos realmente utilizados.
Como comparar o carregamento de dois SSDs?
Uma comparação confiável precisa utilizar o mesmo computador, a mesma instalação do jogo e as mesmas condições de teste.
É importante medir separadamente o tempo de abertura do programa, o carregamento de uma partida salva e a transição entre diferentes áreas.
Também vale repetir cada procedimento, pois o sistema operacional pode manter determinados dados temporariamente em memória.
Um teste isolado pode produzir resultados enganosos devido ao cache, a atualizações e à atividade de outros programas.
O ideal é comparar os tempos obtidos em diversas execuções, além de observar a estabilidade do desempenho.
Qual SSD escolher para jogar: PCIe 4.0 ou PCIe 5.0?
O SSD PCIe 5.0 oferece maior largura de banda e pode atingir velocidades de transferência muito superiores às dos modelos PCIe 4.0.
Entretanto, esse ganho não se traduz automaticamente em carregamentos duas vezes mais rápidos ou aumento de FPS.
O desempenho real depende da implementação de cada jogo e de tecnologias como DirectStorage.
Para quem já possui um SSD PCIe 4.0 rápido, a troca pela quinta geração exige uma justificativa além dos números anunciados na embalagem.
Já quem trabalha com grandes arquivos e possui uma plataforma compatível pode aproveitar melhor a capacidade adicional.
Nos jogos, o melhor SSD não é necessariamente o mais rápido em um benchmark, mas aquele que oferece o melhor equilíbrio entre carregamento, capacidade, compatibilidade e preço.








