
Vasco volta à Justiça pelo Maracanã e cita 46 mil ingressos vendidos contra o Boca | Daniel Brasil/Maracanã
O Vasco voltou à Justiça para tentar garantir o Maracanã na partida contra o Boca Juniors pela semifinal da Copa Sul-Americana. Depois da suspensão da decisão que havia liberado o estádio, o clube apresentou um pedido urgente de reconsideração e informou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que já comercializou 46.014 ingressos para o confronto de 20 de outubro.
O número tornou-se um dos principais argumentos do novo recurso. Segundo os dados apresentados pelo Vasco, a capacidade liberada do Estádio Nilton Santos é de 44.661 pessoas, ou seja, 1.353 lugares a menos que a quantidade de entradas já vendidas.
A disputa, porém, continua aberta. A Fla-Flu Serviços, concessionária que administra o Maracanã, pediu à Justiça neste domingo (11) que rejeite a nova tentativa do Vasco e sustentou que o clube assumiu o risco ao iniciar a venda enquanto a autorização judicial ainda poderia ser contestada.
Até o momento, portanto, o Maracanã não pode ser tratado como palco confirmado de Vasco x Boca.
Vasco pede reconsideração urgente ao TJRJ
A nova petição foi encaminhada à desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Foi justamente a magistrada quem suspendeu, no sábado, os efeitos da decisão favorável obtida pelo Vasco um dia antes.
Agora, o clube pede que ela reconsidere o entendimento e restabeleça a autorização para utilização do Maracanã.
A defesa vascaína argumenta que a situação mudou significativamente depois da liberação concedida na sexta-feira, porque o clube passou a executar toda a operação da semifinal com base naquele estádio.
46.014 ingressos viram argumento central
O Vasco informou à Justiça que 46.014 entradas já foram comercializadas.
A venda começou depois que o desembargador Marco Antônio Ibrahim, presidente da 23ª Câmara de Direito Privado, determinou na sexta-feira que o Maracanã fosse disponibilizado ao clube.
A Conmebol também chegou a divulgar oficialmente o estádio como palco da partida.
Em poucas horas, a torcida vascaína respondeu em massa. A venda começou pelos sócios, e o clube ultrapassou rapidamente a marca de 45 mil bilhetes.
Esse movimento criou agora um problema prático caso o confronto precise mudar de estádio.
Ingressos vendidos superam capacidade citada do Nilton Santos
O Estádio Nilton Santos aparece como principal alternativa no Rio de Janeiro caso o Vasco não consiga utilizar o Maracanã.
Entretanto, o clube afirmou na petição que a capacidade liberada do estádio é de 44.661 pessoas.
Comparando apenas os números apresentados ao Tribunal, o Vasco já vendeu 1.353 ingressos além dessa capacidade.
A conta ainda não considera eventuais bloqueios de setores, áreas de segurança, separação das torcidas ou necessidades operacionais exigidas para uma semifinal internacional.
Por isso, o Cruz-Maltino sustenta que uma transferência não representa simplesmente trocar o endereço do jogo.
Mudança poderia obrigar Vasco a cancelar ingressos
Uma eventual redução de capacidade poderia obrigar o clube a definir quais torcedores permaneceriam com seus lugares.
Também abriria a necessidade de cancelamentos, reembolsos e reorganização dos setores.
O problema ganha dimensão maior porque a venda geral ainda nem havia sido aberta quando o número de ingressos comercializados ultrapassou 45 mil.
Assim, o Vasco utiliza a resposta dos próprios torcedores como argumento de que o evento já alcançou uma dimensão incompatível com algumas das alternativas discutidas.
Vasco também cita operação de segurança e imprensa
A petição não se limita à bilheteria.
O clube aponta impactos na logística de segurança, na organização das torcidas e na cobertura jornalística de uma semifinal envolvendo dois dos clubes de maior torcida da América do Sul.
A expectativa é de aproximadamente 250 profissionais de imprensa credenciados para a partida.
Além disso, a Conmebol exige uma operação específica para a torcida visitante, com setores, acessos e fluxos independentes.
O Vasco sustenta que toda essa estrutura começou a ser planejada tendo o Maracanã como sede depois da decisão favorável de sexta-feira.
Polícia Militar já apontou Maracanã como opção mais adequada
O debate sobre segurança aparece desde o início da disputa pelo estádio.
O Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios considerou São Januário inadequado para receber o confronto diante das exigências de separação, acesso e dispersão das torcidas.
O órgão reconheceu que o Nilton Santos reúne condições para sediar a partida.
Mesmo assim, apontou anteriormente o Maracanã como a opção mais adequada e recomendável para o evento.
O Ministério Público do Rio de Janeiro também já recomendou à concessionária a disponibilização do estádio ao Vasco.
Por que a liberação do Maracanã foi suspensa?
A batalha judicial sofreu uma reviravolta no sábado.
Na sexta-feira, o desembargador Marco Antônio Ibrahim havia acolhido o recurso vascaíno e determinado que a Fla-Flu Serviços disponibilizasse o Maracanã.
No dia seguinte, a concessionária apresentou um mandado de segurança.
A desembargadora Suely Lopes Magalhães aceitou o pedido e suspendeu os efeitos daquela decisão, restabelecendo o entendimento anterior que havia negado a tutela ao Vasco.
A discussão processual envolve também a competência para modificar uma decisão já proferida pelo relator natural do caso.
O mérito da disputa ainda não chegou a uma definição definitiva.
Jogo no Maracanãzinho também entrou na discussão
A concessionária apresentou outro elemento para contestar o uso do complexo.
No mesmo dia de Vasco x Boca está prevista uma partida de basquete entre Flamengo e Botafogo no Maracanãzinho.
A coincidência foi utilizada como argumento relacionado à segurança e à circulação de diferentes torcidas na região.
O Vasco, entretanto, sustenta que existem pareceres técnicos que favorecem a utilização do Maracanã e insiste que a dimensão da semifinal exige uma arena com maior capacidade.
Fla-Flu reage e pede rejeição do recurso
A Fla-Flu Serviços apresentou sua resposta neste domingo.
A concessionária pediu à Justiça que não acolha a reconsideração solicitada pelo Vasco.
Entre os argumentos, sustenta que o Cruz-Maltino decidiu iniciar a comercialização dos ingressos ciente de que a decisão favorável ainda poderia ser contestada judicialmente.
A administradora também questiona pontos apresentados pelo Vasco sobre a bilheteria e mantém a defesa da utilização do Nilton Santos como alternativa.
Assim, as duas partes utilizam a venda de ingressos sob perspectivas opostas: para o Vasco, ela demonstra um problema operacional praticamente irreversível; para a concessionária, o clube deve responder pelo risco assumido ao iniciar a comercialização.
Conmebol chegou a anunciar o Maracanã
Outro elemento utilizado pelo Vasco está na própria organização da Copa Sul-Americana.
Depois da decisão favorável de sexta-feira, a Conmebol divulgou o Maracanã como sede de Vasco x Boca.
A entidade passou a trabalhar com o estádio dentro da logística da semifinal, enquanto o Vasco abriu imediatamente a venda de ingressos.
A suspensão judicial do dia seguinte, entretanto, voltou a criar incerteza.
Por isso, a divulgação feita anteriormente pela Conmebol não elimina a necessidade de uma nova definição jurídica sobre o uso da arena.
Vasco x Boca continua sem estádio definitivamente assegurado
A partida de volta está marcada para 20 de outubro, às 21h30.
Antes disso, Vasco e Boca se enfrentam na terça-feira (13), também às 21h30, na Bombonera, pelo primeiro duelo da semifinal.
Enquanto Pedro Emanuel prepara o time para Buenos Aires, a diretoria trava outra disputa no Rio de Janeiro.
O clube precisa saber não apenas onde jogará a volta, mas também como administrará uma operação que já envolve dezenas de milhares de torcedores.
Com 46.014 ingressos comercializados, o Vasco transformou a lotação do Maracanã em parte de sua estratégia jurídica. Agora, o TJRJ terá de decidir se esse fato muda ou não o destino da semifinal contra o Boca.







