
UFF aciona Polícia Federal após ameaças a estudantes que protestaram contra avanço da extrema- direita em Niterói | Divulgação/UFF
A Universidade Federal Fluminense (UFF) acionou a Polícia Federal após estudantes que participaram de manifestações em Niterói, em reação ao resultado do primeiro turno da eleição para presidente, relatarem ameaças pelas redes sociais. Segundo o reitor em exercício, Fábio Barboza Passos, as mensagens também mencionam possíveis ataques contra a própria universidade.
As ameaças começaram a ser comunicadas à universidade depois dos atos realizados por estudantes nas ruas de Niterói, na segunda (5) e terça-feira (6). As manifestações ocorreram após o primeiro turno das eleições, que definiu Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa do segundo turno.
Em vídeo publicado nesta quinta-feira (8) no perfil do Instituto de Artes e Comunicação Social (@iacs_uff), Passos afirmou que integrantes da comunidade acadêmica procuraram a universidade para denunciar as mensagens.
“Várias pessoas da nossa comunidade têm nos avisado desde ontem (quarta-feira) que eles têm recebido várias ameaças pelas mídias sociais, ameaças à sua integridade física e a danos à própria Universidade Federal Fluminense. Tomamos todas as medidas necessárias e denunciamos todas essas ameaças”, afirmou.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a autoria das mensagens ou sobre quem teria feito as ameaças
UFF pede reforço na segurança
Além de encaminhar as denúncias à Polícia Federal, a UFF informou que comunicou o caso à Prefeitura de Niterói, à Polícia Militar e à Polícia Civil.
A universidade também solicitou reforço na segurança de seus campi e unidades nos municípios onde mantém atividades. Internamente, a Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA) foi acionada para intensificar as medidas de segurança.
No perfil da universidade, o texto afirma que todo o material recebido por seus canais institucionais e os conteúdos identificados em redes sociais e aplicativos de mensagens foram encaminhados às autoridades competentes para investigação.
A universidade disse ainda que acompanha a apuração e permanece à disposição para colaborar com as investigações, com o objetivo de garantir a segurança da comunidade acadêmica e proteger o patrimônio público.
Reitor defende direito de manifestação
Ao comentar as ameaças, Fábio Passos defendeu o direito dos estudantes de se manifestarem politicamente.
“Os estudantes fazem essa manifestação dentro do direito constitucional que nossos estudantes têm de expressar suas ideias e suas opiniões políticas”, disse.
“Que a gente se mantenha sereno, tranquilo, mas assertivo na defesa da democracia”, afirmou.
Protestos ocorreram após resultado do primeiro turno
Os atos que antecederam as ameaças foram organizados por estudantes da UFF e ocorreram em diferentes pontos de Niterói. Na segunda-feira (5), os universitários saíram do campus do Gragoatá e percorreram áreas como Ingá e Icaraí em uma manifestação de apoio a Lula e de oposição a Flávio Bolsonaro.
Na terça-feira (6), houve uma nova mobilização, novamente com saída do Gragoatá. Estudantes e trabalhadores participaram do ato pelas ruas da cidade.
As manifestações ocorreram no dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação à frente de Lula e os dois avançaram para a segunda etapa da eleição presidencial.








