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DLSS 5 usa IA para mudar gráficos sem redesenhar a cena

Comparação do DLSS 5 em NBA 2K27

DLSS 5 usa IA para mudar gráficos sem redesenhar a cena | Reprodução/NVIDIA

A Nvidia está mudando de novo a forma como usa inteligência artificial nos gráficos de games.

Com o DLSS 5, a empresa apresentou a chamada Renderização Neural Guiada por 3D, uma tecnologia que parte do frame já produzido pelo jogo e usa IA para acrescentar detalhes de iluminação e materiais.

A diferença é importante.

O DLSS 5 não funciona como um gerador que simplesmente inventa uma nova imagem. Segundo a Nvidia, o sistema usa o quadro renderizado pelo próprio motor do jogo como uma base rígida e trabalha sobre ele.

Na prática, a empresa quer usar IA para melhorar o aspecto visual sem perder o controle artístico de quem desenvolveu o jogo.

DLSS 5 não é só mais um upscaler

O nome DLSS já está associado a tecnologias como Super Resolution, Ray Reconstruction e Frame Generation.

O DLSS 5, porém, adiciona outra camada.

A Renderização Neural Guiada por 3D trabalha com informações fornecidas pelo próprio motor do jogo, incluindo vetores de movimento e dados da cena.

Além disso, a Nvidia afirma que o processo segue uma lógica de um frame entra, um frame sai.

Ou seja: o sistema não substitui toda a cena por uma imagem criada do zero.

Ele parte da renderização já existente e usa IA para reforçar materiais, iluminação e determinados detalhes visuais.

IA pode melhorar materiais e iluminação

É justamente aí que aparece a principal mudança.

Em vez de utilizar a IA apenas para reconstruir pixels ou criar quadros intermediários, o DLSS 5 pode atuar sobre características visuais da própria cena.

A Nvidia cita melhorias em:

  • materiais;
  • iluminação;
  • aparência de superfícies;
  • detalhes visuais;
  • consistência de elementos na cena.

Isso abre espaço, por exemplo, para dar mais realismo a tecidos, pele, madeira, metal e outras superfícies sem exigir que o desenvolvedor reconstrua toda a geometria do jogo.

Entretanto, o resultado continua dependente da implementação feita pelo estúdio.

A própria Nvidia oferece ferramentas para controlar onde e com que intensidade a IA atua.

Desenvolvedor controla quanto a IA pode mudar

Esse é um dos pontos mais importantes do DLSS 5.

A Nvidia adicionou controles como Structure Intensity e Tone Intensity.

Além disso, os desenvolvedores podem usar máscaras semânticas e máscaras definidas pelo próprio motor.

Na prática, isso permite dizer:

“mexa aqui, preserve aquilo e não altere aquela área”.

Portanto, o DLSS 5 não precisa aplicar o mesmo efeito em toda a tela.

O estúdio pode limitar a IA a determinados objetos, materiais ou regiões da cena.

Isso ajuda a preservar a direção de arte

Esse controle tenta resolver uma preocupação óbvia.

Quanto mais inteligência artificial entra na renderização, maior fica o risco de ela alterar detalhes que fazem parte da identidade visual do jogo.

Por isso, a Nvidia insiste que o frame produzido pelo motor continua sendo a referência principal.

O objetivo é permitir que a IA acrescente acabamento sem reescrever a composição inteira.

Em outras palavras, o artista continua definindo como a cena deve parecer.

A IA entra depois, dentro dos limites configurados pelo estúdio.

NBA 2K27 já usa DLSS 5

A tecnologia não está apenas em demonstrações.

O NBA 2K27 já estreou o DLSS 5 com Renderização Neural Guiada por 3D.

A Nvidia destaca principalmente o uso da tecnologia em iluminação e materiais, com foco em melhorar o aspecto visual dos jogadores e da quadra.

O recurso está disponível em GPUs GeForce RTX Série 50 e também aparece no GeForce NOW em configurações compatíveis.

Não confunda com Frame Generation

Aqui vale separar as coisas.

Frame Generation cria quadros adicionais para aumentar a taxa exibida.

Super Resolution reconstrói uma imagem de resolução mais alta a partir de uma base menor.

Ray Reconstruction usa IA para melhorar a reconstrução de efeitos de ray tracing.

Já o DLSS 5 com Renderização Neural Guiada por 3D atua sobre o conteúdo visual do frame, adicionando detalhes de iluminação e materiais dentro dos limites definidos pelo desenvolvedor.

Portanto, falar apenas que “DLSS 5 aumenta FPS” seria reduzir demais o que a tecnologia faz.

DLSS 5 roda localmente

Outro detalhe importante está no processamento.

A Nvidia afirma que o sistema roda localmente na GPU.

Ou seja: o jogo não precisa enviar frames para um servidor externo para receber a imagem alterada depois.

O processamento acontece na própria máquina.

Segundo a empresa, o recurso pode operar em até 4K nas GPUs GeForce RTX Série 50.

Bethesda, Capcom e Ubisoft estão entre as empresas envolvidas

A Nvidia também já anunciou apoio de grandes publishers e estúdios.

Entre eles aparecem Bethesda, Capcom, Ubisoft, Warner Bros. Games, Tencent, NetEase, NCSOFT e S-GAME.

A Bethesda, por exemplo, já confirmou interesse em levar DLSS 5 a Starfield e futuros títulos.

Isso indica que a tecnologia não deve ficar restrita a NBA 2K27.

Ainda assim, cada jogo dependerá de implementação própria.

IA entra mais fundo na renderização dos games

O DLSS começou como uma solução para reconstruir resolução.

Depois vieram geração de quadros, Ray Reconstruction e outras técnicas.

Agora, com o DLSS 5, a IA começa a atuar mais diretamente sobre como materiais e iluminação aparecem na imagem final.

A diferença é que a Nvidia tenta fazer isso sem retirar o controle das mãos dos desenvolvedores.

Se a proposta funcionar bem, a discussão deixa de ser apenas “quantos FPS o DLSS entrega”.

A pergunta passa a ser outra:

até onde a IA pode melhorar um jogo sem começar a redesenhá-lo por conta própria?

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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