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Snapmaker U1 ganha hotend de 55 mm³/s e até 87% mais fluxo

Quatro hotends Liber de alto fluxo desenvolvidos para a Snapmaker U1.

Snapmaker U1 ganha hotend de 55 mm³/s e até 87% mais fluxo | Divulgação/Snapmaker e Phaetus

A Snapmaker U1 ganhou um novo hotend capaz de atingir fluxo volumétrico máximo de 55 mm³/s. O componente nasceu de uma parceria entre Snapmaker e Phaetus e promete entregar até 87% mais fluxo que o hotend padrão da impressora em determinadas condições.

Chamado de Liber High Flow Hotend, o acessório usa um canal interno que divide o filamento derretido em diferentes caminhos. Com isso, a Phaetus tenta aumentar a área de contato com o calor e derreter o material mais rapidamente.

A vantagem aparece principalmente quando a impressão exige grandes quantidades de plástico de forma contínua, como em peças volumosas, paredes longas ou produção em lote.

Porém, há uma ressalva importante: 87% mais fluxo não significa imprimir qualquer modelo 87% mais rápido.

A própria Snapmaker deixa isso claro ao apresentar o Liber High Flow Hotend para a U1.

Hotend chega a 55 mm³/s

O fluxo volumétrico indica quanto plástico derretido o hotend consegue entregar por segundo.

Quanto mais material uma impressão exige, maior pode ser a importância desse limite.

O hotend padrão da Snapmaker U1 aparece na ficha técnica da máquina com fluxo máximo de 32 mm³/s.

Já o Liber chega a 55 mm³/s.

Isso representa um salto importante na capacidade máxima de extrusão, mas não cria automaticamente a mesma diferença no tempo total de uma peça.

A impressora também precisa respeitar limites de aceleração, velocidade, resfriamento, geometria e qualidade.

Por isso, modelos cheios de curvas, detalhes pequenos e mudanças constantes de direção podem aproveitar muito menos o novo hotend.

ABS teve 87% mais fluxo em teste das fabricantes

Snapmaker e Phaetus compararam o Liber ao hotend de aço inoxidável original da U1.

Segundo o teste divulgado pelas empresas, mantendo condições equivalentes de consumo de energia, o novo modelo apresentou:

PLA: até 66% mais fluxo
ABS: até 87% mais fluxo
PETG HF: até 43% mais fluxo

O maior resultado apareceu, portanto, com ABS.

Ainda assim, esses números vêm de testes conduzidos pelos próprios fabricantes. Não se trata de uma medição independente.

Além disso, o ganho muda conforme material, temperatura e configuração utilizada.

Phaetus anuncia impressão 51,98% mais rápida em um teste

A Phaetus também publicou uma comparação de tempo.

Em um modelo escolhido pela fabricante, a impressão caiu de 7 horas e 59 minutos para 3 horas e 50 minutos com o Liber.

A redução chega a 51,98%, segundo a empresa.

Esse resultado mostra justamente por que não faz sentido transformar o aumento de fluxo em uma promessa universal de velocidade.

Mesmo com ganho máximo anunciado de 87% na capacidade de extrusão, o tempo total daquele teste caiu pouco mais da metade.

E outros modelos podem apresentar diferenças menores.

Por que fluxo volumétrico limita uma impressão?

Uma impressora pode anunciar movimentos de centenas de milímetros por segundo e ainda assim não conseguir imprimir continuamente nessa velocidade.

O motivo está no hotend.

Para depositar plástico, ele precisa aquecer, derreter e empurrar filamento suficiente para preencher cada linha.

Se o movimento exigir mais material do que o hotend consegue fundir, a máquina encontra seu limite de fluxo volumétrico.

Nesse ponto, aumentar apenas a velocidade no slicer não resolve.

A impressora pode sofrer subextrusão, perda de resistência ou defeitos na superfície.

O Folha do Leste mostrou um problema parecido ao analisar a Creality K3 e o uso de bicos de 0,4 e 0,8 mm na mesma impressão. Um bico maior consegue depositar linhas mais largas, mas também aumenta a demanda sobre a capacidade de fusão do hotend.

Liber divide o caminho do filamento

A principal diferença interna do novo componente está no Liber Split-Flow Melt Channel.

Em vez de conduzir todo o filamento por um único caminho reto durante a fusão, o sistema divide o material em vários canais.

Isso aumenta a relação entre área e volume durante o aquecimento.

Na prática, mais partes do filamento entram em contato com regiões quentes ao mesmo tempo.

Depois, o material volta a convergir antes de sair pelo bico.

A ideia não é simplesmente aumentar a temperatura para derreter mais plástico. O projeto tenta transferir calor de maneira mais eficiente.

Bico usa aço endurecido com revestimento DLC

O Liber utiliza um bico de aço endurecido revestido com DLC.

DLC significa Diamond-Like Carbon, um revestimento baseado em carbono usado para aumentar dureza e resistência ao desgaste.

O bico disponível inicialmente possui 0,4 mm de diâmetro.

Além disso, o hotend trabalha em temperaturas de até 300 °C.

O conjunto pesa 24 gramas e mede aproximadamente 48 × 26,5 × 15 mm.

Já o heat break utiliza liga de titânio.

Interior polido tenta reduzir resíduos e entupimentos

A Phaetus também chama atenção para o acabamento interno.

Segundo a fabricante, o caminho do filamento possui rugosidade de até Ra 0,2 µm.

Uma superfície mais lisa pode reduzir pontos onde plástico derretido adere durante a passagem.

Com isso, a empresa pretende diminuir resíduos, vazamentos e possibilidade de entupimento.

Novamente, porém, trata-se de uma característica técnica anunciada pelo fabricante, não de garantia de que o hotend nunca sofrerá clog.

Nem todo filamento é recomendado

Apesar do bico endurecido, a própria Snapmaker faz algumas restrições.

A empresa não recomenda filamentos reforçados com fibra de carbono ou fibra de vidro durante impressão em alto fluxo.

Também desaconselha Wood PLA e TPU nesse cenário.

O motivo está no risco maior de problemas de alimentação ou entupimento quando esses materiais passam pelo sistema em altas taxas de extrusão.

Portanto, um bico resistente ao desgaste não significa compatibilidade automática com qualquer filamento.

Trocar de ABS para PLA exige cuidado

Há ainda uma recomendação importante para quem alterna materiais.

Depois de usar filamentos de temperatura mais alta, como ABS, ASA, PA ou PC, a Snapmaker recomenda realizar um cold pull antes de mudar para materiais mais sensíveis ao calor, como PLA e PETG.

A limpeza ajuda a remover resíduos do material anterior.

Caso contrário, plástico que permaneceu no caminho pode carbonizar ou dificultar a passagem do novo filamento.

U1 continua usando quatro cabeçotes

O Liber foi desenvolvido especificamente para a Snapmaker U1.

A impressora possui quatro cabeçotes independentes, que podem trocar entre si durante uma mesma impressão.

Cada material ou cor pode permanecer carregado em sua própria ferramenta.

Assim, a U1 evita boa parte do processo de descarregar, recarregar e purgar filamento usado em sistemas que compartilham um único bico.

A troca completa de cabeçote leva cerca de 5 segundos, segundo a Snapmaker.

O volume de construção chega a 270 × 270 × 270 mm.

Mas ainda não dá para misturar diâmetros de bico

Há uma limitação importante.

A U1 atualmente exige que todos os hotends usados na mesma impressão tenham o mesmo diâmetro de bico.

Portanto, instalar um Liber de 0,4 mm em uma ferramenta não abre a possibilidade de combinar, por exemplo, 0,4 mm e 0,8 mm no mesmo trabalho.

Nesse aspecto, a estratégia difere da Creality K3, que aposta justamente na combinação de diferentes diâmetros durante uma única peça.

O Liber segue outro caminho: aumentar o fluxo mantendo o bico de 0,4 mm.

Peças grandes devem aproveitar melhor o ganho

É nesse ponto que o novo hotend faz mais sentido.

Uma peça grande com paredes longas ou bastante preenchimento permite que a cabeça mantenha movimentos extensos enquanto deposita muito material.

Nesse cenário, o hotend pode se tornar o verdadeiro gargalo.

Já em miniaturas, detalhes finos ou superfícies cheias de pequenas curvas, a impressora precisa desacelerar por outros motivos.

Por isso, mesmo a Phaetus reconhece que o ganho tende a ser menos perceptível nesses modelos.

O Liber mira principalmente peças grandes, prototipagem rápida e produção em lote.

Quanto custa o Liber para Snapmaker U1?

No anúncio de lançamento, a Snapmaker informou preço de US$ 34,99 para um hotend individual.

Já o pacote aparece com preço sugerido de US$ 119.

Os valores podem variar conforme mercado, promoção e configuração.

Até a apuração desta reportagem, não havia preço oficial específico para o Brasil.

A loja da Phaetus também apresentava diferentes combinações e promoções para o produto. Por isso, conversão direta de dólar para real não representa um preço brasileiro.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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