Niterói vai adotar um protocolo de alerta máximo para situações com ventos acima de 100 km/h. A medida integra o plano municipal que organiza a resposta da cidade a eventos climáticos extremos e deverá entrar em funcionamento antes do próximo verão.
Além dos vendavais, o planejamento estabelece procedimentos para chuvas intensas, calor extremo, incêndios em áreas de vegetação e ressacas. A proposta é integrar Defesa Civil, Saúde, Educação, Conservação, Trânsito, Assistência Social, Segurança e concessionárias responsáveis por serviços essenciais.
No entanto, há uma particularidade importante. A expressão “Alerta Máximo” não é inédita no sistema da Defesa Civil de Niterói. Documentos municipais anteriores já registravam quatro estágios — Vigilância, Atenção, Alerta e Alerta Máximo — e a própria cidade acionou esse último nível durante as chuvas extremas de janeiro de 2024.
Portanto, a novidade anunciada agora está na formalização do alerta máximo para o cenário específico de ventos superiores a 100 km/h dentro do novo plano integrado.
Ventos acima de 100 km/h entram no nível extremo
A Prefeitura divulgou neste domingo (20) que o novo planejamento reservará o nível máximo para episódios de vento superiores a 100 km/h.
Com isso, a Defesa Civil poderá antecipar a mobilização de equipes e recursos quando as previsões ou medições indicarem um cenário de maior gravidade.
A cidade já enfrentou ventanias relevantes neste inverno. Em 29 de julho, uma rajada atingiu 92 km/h e levou Niterói ao estágio de Alerta. O episódio provocou quedas de árvores, destelhamentos, bloqueios de vias e problemas no fornecimento de energia.
Poucos dias depois, em 7 de agosto, a previsão de novos ventos fortes levou a Prefeitura a suspender as aulas da rede municipal e fechar parques públicos de forma preventiva.
Dessa forma, o patamar de 100 km/h passa a funcionar como referência explícita dentro do planejamento para vendavais extremos.
“Alerta Máximo” já existia na Defesa Civil
O comunicado mais recente da Prefeitura afirma que os níveis atuais seriam Vigilância, Atenção e Alerta, com o Alerta Máximo acrescentado pelo novo plano.
Entretanto, registros oficiais anteriores mostram outro histórico.
Em janeiro de 2024, depois de uma chuva de 120,2 milímetros em apenas uma hora, a Prefeitura informou que Niterói entrou em “estágio de alerta máximo”, descrito naquele momento como o quarto nível de uma escala de quatro estágios.
Além disso, material institucional da própria Defesa Civil já listava os quatro estágios como Vigilância, Atenção, Alerta e Alerta Máximo.
Assim, o anúncio desta semana deve ser entendido como uma nova aplicação e organização do nível máximo para ventos extremos, e não como a primeira utilização dessa classificação pela cidade.
Niterói vai instalar novos anemômetros
Para acompanhar melhor os vendavais, a Prefeitura pretende comprar novos anemômetros, equipamentos que medem a velocidade do vento.
O município distribuirá os aparelhos por diferentes pontos da cidade. Dessa maneira, o Centro de Monitoramento e Operações poderá ampliar a cobertura das medições e identificar diferenças entre bairros e regiões.
Atualmente, a estrutura municipal reúne 65 pluviômetros, 37 sirenes, oito estações hidrometeorológicas, quatro estações meteorológicas, três pontos de monitoramento da qualidade do ar e um radar meteorológico.
Plano terá cinco tipos de ameaça
O novo planejamento trabalha com cinco cenários prioritários:
| Risco | Resposta prevista |
|---|---|
| Ventos fortes | Monitoramento ampliado e protocolo para situações acima de 100 km/h |
| Chuvas intensas | Mobilização da Defesa Civil, drenagem e acompanhamento de áreas de risco |
| Calor extremo | Integração de Saúde e demais serviços municipais |
| Incêndios em vegetação | Monitoramento e resposta das equipes responsáveis |
| Ressacas | Alertas, atuação nas praias, desvios de trânsito e limpeza das vias |
A intenção é substituir respostas isoladas por protocolos previamente definidos, com cada órgão sabendo quais recursos, equipes e procedimentos deverá acionar em cada cenário.
Ressacas também terão resposta específica
O plano prevê medidas próprias quando o mar avançar sobre a orla.
Nessas situações, a Prefeitura poderá reforçar os alertas à população, mobilizar a Guarda Civil Municipal para apoiar as ações preventivas dos bombeiros nas praias e usar agentes da NitTrans para realizar desvios.
Além disso, as equipes de conservação deverão agilizar a remoção de areia das vias atingidas pela ressaca.
Plano El Niño fica pronto antes do verão
O chamado Plano El Niño ainda está em fase final de elaboração.
A Prefeitura pretende implantá-lo antes do início do verão, em dezembro. O Grupo de Trabalho responsável pelo documento foi criado pelo Decreto nº 872/2026.
O Folha do Leste mostrou, no início de setembro, que Niterói já preparava protocolos para chuva, vento e calor. Naquela etapa, porém, vários gatilhos e procedimentos ainda não estavam detalhados publicamente.
Agora, o limite de 100 km/h para o cenário extremo de vento surge como uma das primeiras referências objetivas divulgadas pela administração municipal.
Como moradores recebem os alertas
A Defesa Civil utiliza diferentes canais para avisar a população sobre mudanças nas condições meteorológicas e situações de risco.
Os comunicados chegam pelo aplicativo Alerta DCNit, SMS, sistema de sirenes, grupos de WhatsApp e redes sociais oficiais.
Durante ventos fortes, a recomendação é evitar permanecer debaixo de árvores ou coberturas metálicas e manter distância de estruturas que possam se desprender, como cabos elétricos, outdoors e andaimes. A Defesa Civil também orienta evitar atividades ao ar livre, especialmente no mar.
Em situações de emergência, os moradores podem ligar para o Corpo de Bombeiros, pelo 193, ou para a Defesa Civil de Niterói, pelo 199 ou (21) 2620-0199.









