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Fundação do Câncer alerta para agressividade do melanoma e dificuldade de acesso ao tratamento

Fachada do Hospital Fundação do Câncer, instituição responsável por estudo sobre melanoma no Brasil

Fundação do Câncer alerta para agressividade do melanoma e dificuldade de acesso ao tratamento | Reprodução

Quando se fala em melanoma, muita gente pensa apenas em câncer de pele. Mas esse tipo de câncer, considerado mais agressivo, também pode atingir os olhos, mucosas, cavidade oral e órgãos dos sistemas genital e digestório.

Um estudo da Fundação do Câncer analisou a incidência, mortalidade e tratamento da doença no Brasil. Para este ano, são estimados 9.360 novos casos de melanoma de pele no país.

Apesar de ser menos frequente que outros tipos de câncer de pele, o melanoma é mais perigoso e o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença.

Diferenças entre as regiões

O levantamento reuniu dados de 33 registros de câncer de base populacional e mais de 350 registros hospitalares.

As mulheres representam 51,3% dos casos, principalmente na face e nos membros. Entre os homens, as áreas mais afetadas são orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco.

O estudo também aponta desigualdades no acesso ao tratamento. No Norte, a maior letalidade pode estar relacionada ao diagnóstico tardio e à dificuldade de acesso aos serviços especializados.

No Centro-Oeste, 20,2% dos pacientes precisam viajar para outras regiões em busca de tratamento. Já o Sul registra a maior incidência de melanoma do país.

Melanoma também pode atingir os olhos

Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 casos de melanoma extracutâneo. O olho foi o principal local atingido, concentrando 75% dos casos.

O melanoma ocular pode não apresentar sintomas no início. Quando aparecem, os sinais incluem visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda da visão.

Por isso, especialistas reforçam a importância de consultas e exames oftalmológicos regulares.

Imunoterapia melhora tratamento, mas custo é obstáculo

A chegada da imunoterapia representou um dos maiores avanços no tratamento do melanoma.

Medicamentos como Nivolumabe, Pembrolizumabe e, mais recentemente, Tebentafuspe aumentaram as chances de resposta e a sobrevida dos pacientes em comparação com tratamentos mais antigos.

Segundo a Fundação do Câncer, em alguns casos a taxa de resposta, que era inferior a 10% com a quimioterapia, pode chegar a 70% com as novas terapias.

O problema, porém, ainda é o alto custo dos medicamentos, que dificulta o acesso de muitos pacientes.

O estudo completo está disponível em Fundação do Câncer — info.oncollect.

Maria Inez Magalhães
Maria Inez Magalhães é editora sênior e repórter especial do Folha do Leste. Jornalista formada pela FACHA, possui mais de 20 anos de experiência, com passagens marcantes pelo jornal O Dia como chefe de reportagem e repórter de Segurança Pública. Especialista em Direitos Humanos, atua na assessoria da ONG Rio de Paz e possui histórico na assessoria de imprensa da ALERJ. É produtora dos documentários ‘Patrícia Acioli, Juíza do Povo’ e ‘Cadê Você?’, além de idealizadora da coluna É O BICHO.

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