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CMN corta juros a 3% e amplia crédito a fertilizantes no Plano Brasil Soberano

Produção industrial ligada a fertilizantes e minerais beneficiada por novas linhas de crédito

CMN corta juros a 3% e amplia crédito a fertilizantes no Plano Brasil Soberano | Divulgação/Sigma Lithium

O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o alcance do Plano Brasil Soberano e reduziu para 3% ao ano os encargos de financiamentos destinados a projetos da cadeia de minerais críticos e estratégicos. Na mesma decisão, o colegiado abriu linhas de capital de giro para empresas ligadas à produção de fertilizantes.

As mudanças, aprovadas em reunião extraordinária nesta quinta-feira (27), também deram mais tempo às empresas interessadas. O novo prazo para protocolar pedidos de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) termina em 31 de dezembro de 2027, após uma prorrogação de 12 meses.

Com as alterações, o governo pretende facilitar o acesso ao crédito de setores afetados pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos e pelas incertezas do comércio internacional.

Fertilizantes passam a ter crédito para capital de giro

Uma das principais mudanças atinge diretamente a cadeia de fertilizantes.

A partir de agora, fabricantes de adubos e fertilizantes, produtores de insumos intermediários e empresas que extraem minerais utilizados nessa produção poderão contratar linhas de capital de giro.

Até então, o Plano Brasil Soberano limitava o financiamento do setor à aquisição de bens de capital e à realização de investimentos.

A ampliação atende a uma característica importante desse mercado. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente por matérias-primas e insumos importados, enquanto só recebem posteriormente pela venda dos produtos aos agricultores.

Assim, o crédito poderá ajudar a financiar despesas operacionais durante esse intervalo.

Juros para minerais críticos caem para 3% ao ano

O CMN também reduziu de forma significativa o custo dos financiamentos destinados às empresas industriais e tecnológicas ligadas à cadeia de minerais críticos e estratégicos.

O encargo financeiro para operações de aquisição de bens de capital e realização de investimentos passa a ser de 3% ao ano.

Antes da mudança, determinadas operações cobravam:

8% ao ano para bens de capital;
6,5% ao ano para investimentos.

Portanto, a nova regra diminui em até 5 pontos percentuais o custo anual de determinadas linhas.

Governo quer ampliar beneficiamento e refino no Brasil

A redução dos encargos procura incentivar empresas a investir em etapas de maior valor agregado dentro do país.

Entre elas estão beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos.

Esses projetos podem envolver desde equipamentos industriais até novas plantas e expansão da capacidade produtiva.

Com juros menores, o governo tenta criar condições para que uma parcela maior dessas etapas ocorra no Brasil, em vez de limitar a atividade à extração e exportação do minério bruto.

Empresas terão até o fim de 2027 para pedir financiamento

Outra alteração importante diz respeito ao calendário do programa.

O CMN prorrogou por 12 meses o prazo para que empresas apresentem pedidos de financiamento ao BNDES.

Com isso, os requerimentos poderão chegar ao banco até 31 de dezembro de 2027.

A extensão oferece mais tempo para que empresas estruturem projetos, preparem documentação e negociem operações dentro das linhas disponíveis.

Quem pode receber recursos do Plano Brasil Soberano

Nem toda empresa dos setores mencionados recebe acesso automático ao programa.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Ministério da Fazenda definem conjuntamente quais atividades podem participar.

As portarias interministeriais que regulamentam o Plano Brasil Soberano estabelecem a lista dos setores elegíveis.

Dessa forma, a empresa precisa não apenas apresentar um projeto compatível com as linhas de crédito, mas também pertencer a uma atividade contemplada pelas regras do programa.

Plano mira empresas afetadas pelo cenário internacional

O governo estruturou as medidas para dar suporte a setores que enfrentam consequências do aumento das tarifas norte-americanas e da instabilidade do comércio mundial.

Ao ampliar o crédito e reduzir juros, a estratégia busca preservar investimentos e dar fôlego financeiro às empresas.

Além disso, o governo pretende limitar reflexos sobre produção, empregos e renda em cadeias consideradas relevantes para a economia brasileira.

O que muda na prática

As principais mudanças aprovadas pelo CMN são:

Fertilizantes: empresas da cadeia passam a acessar crédito para capital de giro.

Minerais críticos e estratégicos: encargos de determinadas linhas para bens de capital e investimentos caem para 3% ao ano.

Prazo: pedidos de financiamento ao BNDES poderão ser protocolados até 31 de dezembro de 2027.

Beneficiários: setores elegíveis seguem definidos por portarias conjuntas do Mdic e do Ministério da Fazenda.

CMN define diretrizes de crédito no país

O Conselho Monetário Nacional é responsável por formular diretrizes das políticas monetária e de crédito brasileiras.

O colegiado tem como presidente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e conta também com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Com a decisão desta quinta-feira, o conselho modifica as condições financeiras de uma das iniciativas criadas para responder aos impactos do atual cenário comercial internacional.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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