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Tratamento gratuito ajuda a parar de fumar em Niterói

Pessoa segura cigarro apagado em reportagem sobre tratamento gratuito para parar de fumar em Niterói

Tratamento gratuito ajuda a parar de fumar em Niterói | Divulgação/Claudio Fernandes/Prefeitura de Niterói

Aos 73 anos, Ivanilda Bianchine soma três anos e sete meses sem fumar. Depois de buscar ajuda na Policlínica Regional Sérgio Arouca, em Santa Rosa, ela transformou o dinheiro que antes gastava com cigarros em um cofrinho. Hoje, usa parte dessa economia para pagar pilates, fazer viagens e bancar atividades de lazer.

A história de Ivanilda mostra uma das portas de entrada disponíveis em Niterói para quem deseja abandonar o cigarro. A rede municipal oferece tratamento gratuito pelo Programa de Controle do Tabagismo, com avaliação individual, acompanhamento profissional, abordagem cognitivo-comportamental e, quando indicado, medicamentos e reposição de nicotina.

O tema ganha força na semana do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Mas a notícia vai além da data: pessoas com mais de 20 anos fumando têm procurado a rede pública e alcançado períodos de abstinência durante o acompanhamento.

Ivanilda está há três anos e sete meses sem fumar

Ivanilda procurou tratamento na Policlínica Regional Sérgio Arouca depois de décadas de convivência com o cigarro. Ela conta que a mudança afetou a saúde, o bolso e a rotina.

“Consegui parar de fumar com a ajuda do posto de saúde Sérgio Arouca. Com o dinheiro que gastava com cigarro, comprei um cofrinho e, todos os dias, depositava o valor que gastaria. Hoje, com esse dinheiro, pago meu pilates, faço minhas viagens e sou feliz demais da vida. Quem parar de fumar, junte seu dinheirinho para poder viver mais e viver melhor, assim como eu vivo”, afirmou.

O relato traduz o tratamento em vida concreta. Ainda assim, parar de fumar pode exigir acompanhamento, tempo e mais de uma tentativa.

Maioria fumava havia mais de duas décadas

Dados de dois grupos acompanhados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram um perfil de longo histórico de tabagismo.

Na Policlínica Regional Sérgio Arouca, 24 participantes iniciaram o tratamento entre janeiro e abril de 2026. Desse grupo, 83,3% fumavam havia mais de 20 anos. Além disso, 50% apresentavam dependência elevada ou muito elevada de nicotina.

Na Policlínica Regional do Barreto Dr. João da Silva Vizella, 8 participantes começaram o tratamento em janeiro. Entre eles, 62,5% fumavam havia mais de 20 anos e 87,5% apresentavam dependência elevada ou muito elevada.

Os números indicam que o serviço atende pessoas com histórico prolongado de consumo. Eles se referem, porém, aos grupos analisados nessas duas unidades.

Resultados precisam ser lidos pelo tamanho dos grupos

Na Sérgio Arouca, 14 dos 24 participantes iniciais estavam sem fumar na quarta sessão. Isso representa 58,3% do grupo que começou.

Quando a conta considera apenas quem chegou à quarta sessão, o percentual sobe para 82,4%. As duas informações são verdadeiras, mas medem situações diferentes.

A primeira mostra o resultado sobre todos os que iniciaram o tratamento. A segunda mostra o resultado entre os que permaneceram acompanhados até aquela etapa.

No sexto mês, seis pacientes da Sérgio Arouca chegaram ao acompanhamento. Entre eles, cinco continuavam sem fumar.

Barreto também registrou abstinência na quarta sessão

No grupo analisado da Policlínica do Barreto, 6 dos 8 participantes iniciais estavam sem fumar na quarta sessão. Isso corresponde a 75% de todos os que começaram.

Entre os 7 pacientes que chegaram à quarta sessão, a proporção foi de 85,7%.

Mais uma vez, o denominador muda a leitura. O dado mostra resultado relevante naquele grupo, sem transformar o acompanhamento em promessa de abandono definitivo do cigarro.

Idosos aparecem com força nos grupos

Os dois grupos analisados também tiveram forte presença de pessoas idosas.

Na Sérgio Arouca, 58,3% dos participantes tinham 60 anos ou mais. No grupo do Barreto, pessoas nessa faixa etária representavam 50% dos atendidos.

Entre os participantes acompanhados, a rede municipal também registrou quadros como hipertensão, diabetes, questões relacionadas à saúde mental e doenças respiratórias. Esses dados ajudam a mostrar que muitos pacientes chegam ao tratamento com outras demandas de saúde, além da dependência de nicotina.

Tratamento combina acompanhamento e medicamentos quando indicados

O tratamento oferecido pela rede municipal inclui avaliação individual, acompanhamento por profissionais de saúde e abordagem cognitivo-comportamental.

Quando há indicação, o paciente também pode receber tratamento medicamentoso. O adesivo de nicotina está entre os recursos utilizados no processo de cessação do tabagismo.

A indicação depende da avaliação profissional. A pessoa interessada deve procurar a rede de saúde para ser encaminhada ao Grupo de Tabagismo.

A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, afirma que o apoio técnico é importante porque muitos pacientes chegam ao programa depois de décadas de tabagismo e com grau importante de dependência.

Quem quer parar de fumar pode procurar a rede pública

Em Niterói, a pessoa que deseja parar de fumar pode procurar uma unidade de saúde para encaminhamento ao Grupo de Tabagismo.

O atendimento é gratuito e faz parte do Programa de Controle do Tabagismo. A entrada no grupo passa pela rede municipal, com avaliação e encaminhamento.

A lista divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde inclui nove unidades. Apenas duas tiveram dia e turno informados no material: UBS Fonseca, com atendimento na segunda-feira pela manhã, e UBS Barreto, com atendimento na terça-feira à tarde.

Box de resultados

O que mostram os dois grupos analisados

Policlínica Regional Sérgio Arouca

  • 24 iniciaram o tratamento entre janeiro e abril de 2026
  • 83,3% fumavam havia mais de 20 anos
  • 50% tinham dependência elevada ou muito elevada de nicotina
  • 14 estavam sem fumar na quarta sessão
  • 6 chegaram ao sexto mês de acompanhamento
  • 5 dos 6 continuavam sem fumar no sexto mês

Policlínica Regional do Barreto Dr. João da Silva Vizella

  • 8 iniciaram o tratamento em janeiro de 2026
  • 62,5% fumavam havia mais de 20 anos
  • 87,5% tinham dependência elevada ou muito elevada de nicotina
  • 6 estavam sem fumar na quarta sessão
  • 7 chegaram à quarta sessão

Os números se referem aos grupos analisados nessas duas unidades e não representam uma taxa geral de sucesso do programa municipal.

Onde procurar atendimento

Onde buscar ajuda para parar de fumar em Niterói

A pessoa que deseja parar de fumar pode procurar uma unidade de saúde para encaminhamento ao Grupo de Tabagismo. O tratamento é gratuito e inclui acompanhamento profissional.

UBS Piratininga

Endereço: Rua Doutor Marcolino Gomes Candau, nº 111

UBS Engenhoca

Endereço: Rua Vereador José Vicente Sobrinho, nº 724 — Engenhoca

UBS Largo da Batalha

Endereço: Rua Reverendo Armando Ferreira, nº 30 — Largo da Batalha

UBS Fonseca

Endereço: Rua Desembargador Lima Castro, nº 238 — Fonseca
Informação fornecida: segunda-feira pela manhã

UBS Barreto

Endereço: Rua Doutor Luiz Palmier, nº 726 — Barreto
Informação fornecida: terça-feira à tarde

UBS Centro

Endereço: Rua Visconde do Uruguai, nº 531 — 3º e 4º andares — Centro

UBS Itaipu

Endereço: Avenida Irene Lopes Sodré, s/nº — Engenho do Mato

Policlínica Carlos Antônio da Silva

Endereço: Rua Visconde de Sepetiba, nº 987 — Centro

Policlínica Sérgio Arouca

Endereço: Praça Vital Brazil, s/nº — Santa Rosa

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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