
Jaé supera 1 bilhão de embarques e chega a 5 milhões de cadastros no Rio | Divulgação/Conrado Portella/Prefeitura do Rio
O Jaé ultrapassou a marca acumulada de 1 bilhão de embarques registrados no Rio e chegou a 5 milhões de usuários cadastrados. O sistema completou neste mês um ano como bilhetagem exclusiva dos transportes municipais, embora já operasse antes da obrigatoriedade iniciada em 2 de agosto de 2025.
Portanto, o marco não significa que o Jaé tenha registrado 1 bilhão de embarques em apenas um ano. O número mostra a escala alcançada pelo sistema, mas não mede, sozinho, qualidade do transporte, pontualidade, lotação ou tempo de espera.
Jaé soma 1 bilhão de embarques acumulados
O dado divulgado se refere a embarques registrados, e não a 1 bilhão de passageiros diferentes. Um mesmo usuário pode utilizar o sistema várias vezes, e uma viagem com integração pode envolver mais de uma validação.
Além disso, a contagem acumulada inclui o período anterior à exclusividade. O Jaé começou a ser implantado gradualmente antes de se tornar obrigatório na rede municipal.
Assim, dois marcos precisam ficar separados: o sistema chegou a 1 bilhão de embarques acumulados e completou um ano como bilhetagem exclusiva dos transportes municipais.
Sistema completou um ano como bilhetagem exclusiva
A exclusividade do Jaé começou em 2 de agosto de 2025 nos transportes municipais do Rio. Esse universo inclui ônibus municipais, BRT, VLT, vans e cabritinhos, conforme a operação local.
O sistema não deve ser tratado como bilhetagem exclusiva do MetrôRio, que integra a rede de transporte de competência estadual. Quando há uso ou integração com o metrô, valem regras específicas.
Também não é correto afirmar que todas as gratuidades ou regras municipais do Jaé se aplicam automaticamente ao metrô sem confirmação operacional.
PIX já foi utilizado cerca de 2 milhões de vezes
Segundo a Prefeitura, o Jaé registrou cerca de 2 milhões de utilizações via PIX. O número se refere a usos da funcionalidade, não a 2 milhões de passageiros diferentes.
A Prefeitura também informou que aproximadamente 30% dos usuários utilizam o aplicativo Jaé para pagamento por QR Code. No entanto, a divulgação não detalha a base estatística desse percentual.
Por isso, não é possível afirmar, apenas com esse dado, que 30% dos 5 milhões de cadastrados usam o QR Code regularmente.
Prefeitura passou a controlar dados da bilhetagem
A principal mudança institucional do Jaé está na gestão da bilhetagem. A Prefeitura afirma que passou a ter acesso direto a dados de arrecadação, demanda e uso da rede.
Essas informações permitem analisar padrões de embarque, horários de maior movimento, uso das linhas, receita tarifária e integrações. Em tese, os dados podem apoiar planejamento e fiscalização.
No entanto, acesso municipal aos dados não comprova automaticamente melhora do transporte para o passageiro. Para medir qualidade, seria necessário comparar indicadores como regularidade, intervalo, lotação, frota, reclamações e viagens realizadas.
Jaé é operado por concessionária
Embora a Prefeitura trate o modelo como bilhetagem digital pública, a operação tecnológica não ocorre diretamente pelo Município.
O sistema funciona sob controle e gerenciamento municipal, mas é operado pela concessionária CBD Bilhete Digital S.A., por meio de contrato de concessão.
Essa distinção é importante porque separa a gestão pública dos dados e da arrecadação da execução tecnológica do serviço.
BUC e Margaridas têm regras diferentes de integração
O Bilhete Único Carioca permite integrações municipais dentro das regras de tempo, sentido da viagem e combinação de modais definidas pelo sistema.
A tarifa municipal informada é de R$ 5. No entanto, não é correto resumir o benefício como “três viagens por R$ 5” para qualquer trajeto. As condições variam conforme o uso do BRT e dos demais modais municipais.
Já o Bilhete Único Margaridas atende passageiros que saem da Baixada Fluminense e acessam o sistema municipal pelo Terminal BRT Metropolitano, dentro das regras do programa.
Nesse caso, a tarifa de R$ 5 se refere à integração municipal. O transporte intermunicipal usado para chegar ao Rio é cobrado separadamente.
Sistema venceu prêmio internacional em 2026
O Jaé venceu, em 2026, a categoria de Bilhetagem Integrada Regional do Transport Ticketing Awards, premiação internacional do setor realizada em Londres.
O reconhecimento ajuda a contextualizar a visibilidade do projeto. Ainda assim, prêmio e volume de embarques não substituem indicadores públicos sobre a operação diária do transporte.
O que ainda falta saber sobre o bilhão
O marco de 1 bilhão de embarques abre novas perguntas sobre a bilhetagem municipal.
A divulgação não detalha quantos embarques ocorreram depois de 2 de agosto de 2025, qual foi a divisão por modal, quantos usuários estão ativos por mês, qual o volume de gratuidades, quanto entrou em receita tarifária ou como os repasses aos operadores se distribuíram.
Também não há, no material divulgado, comparação entre antes e depois da exclusividade em indicadores como regularidade, espera, lotação, viagens canceladas e reclamações.
Portanto, o bilhão mostra escala. A avaliação sobre melhora do transporte depende de outros dados.
Jaé em números
1 bilhão — embarques acumulados registrados
5 milhões — usuários cadastrados
2 milhões — utilizações aproximadas via PIX
30% — parcela de usuários que utiliza o aplicativo para pagamento por QR Code, segundo a Prefeitura
2 de agosto de 2025 — início da exclusividade nos transportes municipais










