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Linhas 11, 12 e 13 iniciam transição para gestão privada em São Paulo

Trem da Linha 13 do sistema metropolitano de São Paulo, que inicia transição da CPTM para a concessionária Trivia Trens

Linhas 11, 12 e 13 iniciam transição para gestão privada em SP | Reprodução/Via Trolebus

A Linha 13 do trem metropolitano de São Paulo entra, a partir da madrugada desta terça-feira (21), em uma nova fase de operação. A concessionária Trivia Trens passa a atuar também nas linhas 11-Coral e 12-Safira, além do Expresso Aeroporto, durante uma transição acompanhada pela CPTM.

Os três ramais ligam a região central da capital à Zona Leste, ao Aeroporto Internacional de Guarulhos e a municípios como Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Poá e Ferraz de Vasconcelos. O contrato da Trivia foi assinado em 22 de maio de 2025, tem duração de 25 anos e prevê investimentos estimados em R$ 14,3 bilhões.

Passageiros não devem enfrentar mudança imediata

A troca de gestão ocorrerá de forma gradual. Portanto, o passageiro não deverá encontrar uma alteração brusca na circulação dos trens nesta terça-feira.

Durante a etapa supervisionada, equipes da nova concessionária assumirão progressivamente funções operacionais e de manutenção. Ao mesmo tempo, profissionais da CPTM continuarão acompanhando os trabalhos para preservar a segurança e a continuidade do serviço.

A concessão começou formalmente em julho de 2026, conforme os dados da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo.

Trivia assume linhas após período de preparação

O início da nova fase ocorre depois de treinamentos e atividades preparatórias realizados entre a concessionária e a CPTM.

A transição envolve o conhecimento dos procedimentos de circulação, manutenção, controle operacional, atendimento aos passageiros e resposta a ocorrências.

Embora a Trivia passe a atuar diretamente nas três linhas, a transferência das responsabilidades acontecerá em etapas. Dessa maneira, a companhia pública permanecerá presente durante o período de adaptação.

Concessão inclui o Expresso Aeroporto

A operação privada também abrange o Expresso Aeroporto, serviço que conecta a região central de São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Atualmente, o serviço atende passageiros, trabalhadores e turistas que buscam uma alternativa ferroviária para chegar ao terminal aéreo.

O contrato prevê melhorias no Expresso Aeroporto, incluindo a futura inclusão da estação Gabriela Mistral e a redução dos intervalos entre os trens. A proposta original estabelece viagens a cada 60 minutos nos horários de pico e a cada 30 minutos nos demais períodos.

Nova gestão assume cenário de dificuldades

A concessionária inicia a operação diante de problemas que afetam diretamente a experiência dos passageiros.

Na sexta-feira, 17 de julho, a Linha 12-Safira operou com velocidade reduzida após um ato de vandalismo danificar cabos de sinalização entre Engenheiro Goulart e Tatuapé.

A ocorrência provocou atrasos, maior tempo de viagem e concentração de passageiros nas plataformas.

Esse tipo de episódio reforça o desafio relacionado à segurança da infraestrutura ferroviária, especialmente em trechos com cabos, sistemas de sinalização e equipamentos expostos a furtos e depredações.

Linha 13 enfrenta lotação e desafios operacionais

Outro ponto de atenção será a operação da Linha 13-Jade e do Expresso Aeroporto.

O serviço apresenta períodos de grande procura, especialmente nos horários de maior movimentação do aeroporto e nos deslocamentos entre Guarulhos e a capital.

A nova gestão deverá buscar mais regularidade, melhor aproveitamento da frota e redução dos impactos causados por falhas operacionais.

Além disso, a concessionária precisará acompanhar a ampliação futura da linha, considerada uma das principais intervenções previstas no contrato.

Linha 13 será ampliada até Bonsucesso

O projeto prevê a extensão da Linha 13-Jade da atual região aeroportuária até Bonsucesso, em Guarulhos.

Serão 10,4 quilômetros de novos trilhos, com as estações Jardim dos Eucaliptos, São João, Presidente Dutra e Bonsucesso.

No sentido da capital, a linha também deverá avançar até Gabriela Mistral, acrescentando 5,2 quilômetros e as estações Cangaíba e Gabriela Mistral.

A futura estação Gabriela Mistral permitirá integração com a Linha 2-Verde do Metrô. Já Cangaíba criará uma nova conexão com a Linha 12-Safira.

Linhas 11 e 12 também terão expansões

A concessão não se limita à operação dos ramais existentes. A Linha 11-Coral será ampliada em aproximadamente quatro quilômetros, entre Estudantes e César de Sousa, em Mogi das Cruzes.

Já a Linha 12-Safira deverá avançar de Calmon Viana até Suzano, criando uma nova integração com a Linha 11.

No total, o projeto prevê 22,6 quilômetros de expansão nas três linhas, além de reformas, reconstruções e ampliações de estações.

Projeto prevê dez novas estações

O contrato inclui a construção de dez estações. Oito ficarão sob responsabilidade da concessionária. As estações Penha e Gabriela Mistral, por sua vez, serão implantadas pelo Metrô de São Paulo.

Também estão previstas intervenções na rede elétrica aérea, nos trilhos, na sinalização e nos sistemas utilizados na operação.

Após as ampliações, as linhas deverão alcançar aproximadamente 124 quilômetros de extensão.

Investimentos chegam a R$ 14,3 bilhões

A concessão estabelece investimentos estimados em R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos.

Os recursos serão direcionados à modernização da infraestrutura, ampliação da capacidade, aquisição de equipamentos e melhoria dos sistemas de energia e sinalização.

O Governo de São Paulo estima que as três linhas poderão transportar cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia em 2040.

A concessão também prevê a modernização de 27 estações e a construção de oito novas unidades pela empresa privada.

Grupo Comporte controla a Trivia Trens

A Trivia Trens é controlada pelo Grupo Comporte, vencedor do leilão realizado em 2025.

O grupo atua nos setores de transporte rodoviário e ferroviário e possui ligação com a família Constantino, conhecida pela participação na fundação da companhia aérea Gol.

O desafio da concessionária será transformar os investimentos previstos em melhorias perceptíveis para os passageiros, como redução de intervalos, menos falhas e maior regularidade.

Linha 10 permanece sob controle estatal

Com o avanço da concessão, a Linha 10-Turquesa permanece como a única linha ferroviária metropolitana sob gestão exclusivamente estatal da CPTM.

Entretanto, o Governo de São Paulo também estuda mudanças para esse ramal.

O projeto Lote ABC–Guarulhos prevê a modernização da Linha 10 e a implantação da futura Linha 14-Ônix, com investimentos estimados em R$ 19 bilhões.

O que muda para o passageiro

Neste primeiro momento, os passageiros deverão continuar utilizando as mesmas estações, bilhetes, integrações e canais operacionais.

As mudanças mais significativas deverão aparecer gradualmente, conforme a concessionária assuma integralmente os serviços e execute os investimentos previstos.

Entre os resultados esperados estão:

  • modernização dos trens e estações;
  • melhorias na sinalização e na rede elétrica;
  • ampliação das linhas;
  • redução dos intervalos;
  • aumento da capacidade de transporte;
  • melhor integração entre trens, metrô e aeroporto.

A efetividade dessas mudanças dependerá do cumprimento do cronograma e da fiscalização exercida pelo poder público e pela agência reguladora.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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