
Lastimável’: Governo brasileiro promete retaliação imediata e vai à OMC contra taxas dos EUA | Ricardo Stuckert/PR
O governo federal reagiu com forte indignação ao anúncio dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos nacionais. Em nota oficial emitida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Brasil classificou a medida unilateral como um “marco lastimável” na história das relações bilaterais e anunciou que adotará medidas duras de retaliação comercial.
O posicionamento de Brasília marca o início de uma crise diplomática e comercial, com promessas de respostas imediatas nos âmbitos jurídico e alfandegário.
Brasil acionará Lei de Reciprocidade para taxar produtos dos EUA
A principal resposta do Palácio do Planalto será a aplicação da Lei de Reciprocidade, dispositivo aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional. Na prática, a medida autoriza o Brasil a “dar o troco” e aplicar tarifas equivalentes sobre produtos importados dos Estados Unidos, encarecendo a entrada de mercadorias americanas no mercado brasileiro.
Além da resposta interna, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou que vai recorrer formalmente à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro pretende acionar o Órgão de Solução de Controvérsias da instituição para questionar a legalidade internacional da decisão americana, sob o argumento de que investigações unilaterais não possuem amparo nas regras multilaterais do comércio global.
Nota oficial critica assimetria comercial e superávit bilionário dos EUA
No texto da nota à imprensa, o governo brasileiro expôs dados para classificar a sobretaxa como injustificável. Assim, apontando uma forte assimetria na relação comercial entre os dois países.
De acordo com o comunicado:
- Nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil em bens e serviços.
- Apenas em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil livres de impostos, resultando em uma alíquota média cobrada de apenas 3,1%.
“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, diz o texto.
Defesa contra Big Techs e recado à oposição
O Planalto também utilizou a nota para rebater os bastidores da investigação americana (Seção 301), que envolvia queixas sobre a regulação de plataformas digitais no Brasil. O texto afirma que o país não vai abdicar de proteger a sociedade contra “a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”.
Por fim, o governo cobrou união nacional de parlamentares diante do embate com Washington, pontuando que “proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências”.







