O Rio Ônibus informou nesta quarta-feira (1º) que incluirá um reajuste salarial de 4,39% no próximo pagamento dos rodoviários, referente ao mês de junho. As empresas apresentam a medida como tentativa de encerrar a greve, que chegou ao terceiro dia e ainda reduz a oferta de ônibus em diferentes regiões da cidade.
A categoria mantém a paralisação enquanto uma nova rodada de negociação ocorre no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Até o início da manhã, 1.650 ônibus circulavam no Rio, mesmo após a Justiça determinar a manutenção de 80% da frota nas ruas.
Enquanto isso, o BRT operou perto da programação prevista. Segundo a Mobi-Rio, 502 dos 541 veículos planejados para o pico entre 6h e 7h entraram em circulação, o equivalente a 92% da operação programada.
Reajuste já havia sido rejeitado pelos rodoviários
O percentual de 4,39% não é novo na mesa de negociação. O Rio Ônibus apresentou a proposta na audiência de terça-feira (30), mas os trabalhadores não aceitaram.
Na ocasião, o Sindicato dos Rodoviários defendeu um reajuste total de 17%, dividido em duas etapas: 8% de imediato e mais 8,3% em novembro. As empresas rejeitaram a contraproposta.
Agora, o sindicato patronal afirma que pagará os 4,39% mesmo sem consenso definitivo e pede que os trabalhadores retornem às garagens.
Empresas responsabilizam sindicato por frota abaixo da decisão judicial
O diretor de Comunicação do Rio Ônibus, Paulo Valente, atribuiu ao sindicato parte da dificuldade para cumprir a ordem judicial que exige 80% dos ônibus em circulação.
“Infelizmente, por conta do descaso do Sindicato dos Rodoviários — que não enviou as escalas aos motoristas — e dos baderneiros que estão vandalizando coletivos e agredindo os profissionais que resolveram trabalhar, a operação de hoje, mais uma vez, não atingiu o percentual determinado pela Justiça”, afirmou.
Além disso, o Rio Ônibus pediu que motoristas se apresentem imediatamente nas garagens e retomem o trabalho.
A entidade também criticou a Prefeitura do Rio ao afirmar que seus dados operacionais já eram públicos antes da implantação do Jaé e do fim do dinheiro nos ônibus. Segundo o sindicato patronal, a Mobi-Rio não disponibiliza informações em tempo real para consulta pública.
Sindicato diz que empresas têm as escalas dos motoristas
Por outro lado, o Sindicato dos Rodoviários nega que tenha responsabilidade pela ausência das escalas. Segundo a entidade, desde o dia 28 ela cobra do Rio Ônibus a relação dos veículos e dos trabalhadores que deveriam manter a frota mínima.
O presidente do sindicato, Sebastião José, afirmou que a entidade possui contato direto apenas com cerca de metade da categoria, formada por trabalhadores sindicalizados.
“Vale lembrar que o sindicato só detém a relação e contatos dos motoristas sindicalizados, cerca de 50% da categoria. Os demais ficam em poder das empresas”, declarou.
Assim, empresas e trabalhadores mantêm versões opostas sobre quem deveria organizar a escala necessária para cumprir a decisão judicial.
Sindicato condena vandalismo durante protestos
A direção sindical também afirmou que não apoia os atos de vandalismo registrados na terça-feira, após a audiência sem acordo.
No Centro do Rio, manifestantes pararam ônibus, retiraram chaves das ignições e provocaram congestionamentos. Segundo o Rio Ônibus, pelo menos 15 coletivos foram vandalizados e motoristas sofreram agressões.
A Polícia Militar prendeu três homens na Avenida Presidente Vargas, perto do Sambódromo, durante uma abordagem a um ônibus.
O sindicato declarou que não aceita nem compactua com ações violentas.
Rodoviários mantêm pauta com reajuste, CLT e benefícios
Além do aumento salarial, os trabalhadores defendem mudanças nas condições de trabalho. Entre as reivindicações estão:
- salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
- salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
- contratação pela CLT para profissionais do BRT;
- fim dos contratos temporários;
- tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- jornada de trabalho no modelo 5×2;
- manutenção do passe livre da categoria;
- indenização pelos 30 minutos de intervalo de almoço;
- plano de saúde e odontológico.
A nova negociação no TST deve indicar se o reajuste anunciado pelo Rio Ônibus será suficiente para encerrar a greve ou se os rodoviários manterão a paralisação.







