A greve dos rodoviários amanheceu no segundo dia com filas extensas no Terminal Deodoro, na Zona Oeste, RJ, e uma operação ainda irregular para quem depende de ônibus na cidade. Embora mais veículos tenham saído das garagens nesta terça-feira (30), a retomada segue desigual entre os bairros e não eliminou a espera dos passageiros.
Cerca de 1.350 coletivos circulavam pela capital durante a manhã. O número supera em mais de duas vezes a frota registrada no mesmo horário de segunda-feira (29), quando a paralisação começou. Ainda assim, a quantidade total de ônibus não garante que todas as linhas estejam atendendo ao percentual mínimo exigido pela Justiça.
A greve começou à 0h de segunda-feira e continua por tempo indeterminado. Rodoviários e empresas têm audiência de mediação marcada para 11h, no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.
Terminal Deodoro concentra espera e lotação
No Terminal Deodoro, passageiros enfrentaram demora para embarcar logo no início da manhã. A dificuldade se repete em um dos principais pontos de integração da Zona Oeste, onde trabalhadores dependem de ônibus para chegar a outras regiões do Rio.
A maior presença de coletivos nas ruas reduziu parte do impacto observado no primeiro dia da paralisação. No entanto, a circulação continua abaixo do necessário para normalizar os deslocamentos em horários de maior procura.
BRT rodou com 67% da frota prevista no pico
A operação do BRT também ficou abaixo da programação da Prefeitura.
Entre 6h e 7h, a Mobi-Rio esperava colocar 541 articulados nos quatro corredores. No período, porém, apenas 361 veículos circularam.
Isso representa 67% da frota planejada para a hora de maior movimento da manhã.
A Prefeitura recomenda que os passageiros utilizem metrô, trens e barcas quando houver alternativa. Por volta das 7h, a Linha 1 do metrô apresentou intervalos irregulares após uma falha de sinalização entre Glória e Catete. A concessionária informou que normalizou a operação pouco depois.
Justiça exige mínimo de 50% por linha
O Tribunal Regional do Trabalho reconheceu a legalidade do movimento, mas determinou a manutenção de pelo menos 50% da frota em cada linha e itinerário durante a greve.
A decisão não trata apenas do número global de ônibus nas ruas. Ela exige que a operação mínima alcance os trajetos atendidos pelas empresas.
Em nota, o Rio Ônibus pediu que motoristas e demais trabalhadores compareçam às garagens para ampliar a circulação.
“Os Consórcios reforçam o apelo para que todos os motoristas e rodoviários compareçam às suas garagens, cumprindo a decisão judicial que determina a operação de pelo menos 50% da frota”, informou a entidade.
Rodoviários cobram reajuste, estrutura e segurança
A categoria reivindica reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho. Entre as demandas estão a instalação de banheiros e bebedouros nos terminais.
Os trabalhadores também apontam preocupação com episódios de violência contra motoristas e cobradores. O sindicato cita sequestros e o uso de ônibus como barricadas em áreas dominadas por criminosos.
Não houve novos relatos de vandalismo durante a madrugada desta terça-feira.
Audiência e assembleia podem definir próximos passos
A audiência entre representantes dos rodoviários e das empresas está marcada para 11h, no TRT.
Depois, a categoria deve realizar uma assembleia às 11h30. O encontro pode indicar se a greve continuará nos mesmos moldes, se haverá reforço de frota ou se surgirá uma proposta para encerrar a paralisação.








