Barracão das escolas de samba de Niterói em atividade no Barreto

Escola do Ventre transforma barracões em polo profissional do Carnaval de Niterói | Divulgação/Claudio Fernandes/Prefeitura de Niterói

A Escola do Ventre do Carnaval de Niterói começa a sair do papel enquanto alegorias ganham forma no galpão do Barreto. Ali, 23 das 25 escolas que desfilam no Caminho Niemeyer preparam o espetáculo e constroem um projeto permanente de geração de renda, formação profissional e fortalecimento cultural.

A iniciativa conta com apoio da Prefeitura de Niterói, por meio da Neltur, da Secretaria das Culturas e da Secretaria de Governo, e será coordenada pela União das Escolas de Samba de Niterói (Unes).

Barracões viram salas de aula

Entre ferro, cola quente e criatividade, o Carnaval deixa de ser apenas evento e passa a funcionar como política pública contínua. Após o Carnaval de 2026, o galpão começará a ser adaptado para receber oficinas permanentes.

A expectativa é formar cerca de 60 aprendizes por ciclo, com aulas práticas de costura, soldagem, escultura, artesanato e montagem de alegorias.

Formação que vira emprego

Os aprendizes serão indicados pelas próprias escolas e pelas comunidades do entorno. A lógica é simples: formar mão de obra local e empregar dentro do próprio Carnaval, mantendo renda ativa ao longo do ano.

Barracão das escolas de samba de Niterói em atividade no Barreto durante o Carnaval de 2026

Escola do Ventre transforma barracões em polo profissional do Carnaval de Niterói | Divulgação/Claudio Fernandes/Prefeitura de Niterói

O modelo fortalece as agremiações, valoriza talentos locais e mantém o investimento circulando dentro das comunidades.

União fora da avenida

Nos barracões, não há rivalidade. Escolas compartilham materiais, técnicas e profissionais. A disputa fica restrita à Sapucaí niteroiense.

A convivência entre costureiras, ferreiros, aderecistas e jovens aprendizes cria um ambiente coletivo de troca e aprendizado contínuo.

Carnaval como política de desenvolvimento

A proposta consolida o Carnaval como ativo estratégico da cidade. Antes mesmo do primeiro desfile, centenas de profissionais já estão em atividade nos bastidores.

O setor movimenta a economia criativa, gera empregos diretos e indiretos e impulsiona o turismo local.

Impacto econômico comprovado

Em 2025, cerca de 250 mil foliões participaram do Carnaval de Niterói. Apenas os desfiles no Caminho Niemeyer reuniram mais de 60 mil pessoas.

Durante o período, a rede hoteleira da cidade registrou 100% de ocupação, beneficiando bares, restaurantes, ambulantes e prestadores de serviço.

As transmissões oficiais ultrapassaram 100 mil visualizações, com audiência nacional e internacional.

Nova geração encontra oportunidade

Jovens que atuam nos barracões veem no Carnaval uma porta de entrada profissional. A Escola do Ventre surge como caminho para certificação, continuidade e ascensão no setor cultural.

A experiência prática se soma à formação técnica, criando profissionais preparados para atuar o ano inteiro.

Desfiles no Caminho Niemeyer

O Carnaval de Niterói acontece nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, reunindo escolas das Séries Ouro, Prata, Grupo Especial e Avaliação.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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