Cine Diversidade retorna ao Rio e reforça vitrine latino-americana

Atriz Mariana Xavier apresentará a abertura do Cine Diversidade, que retorna ao Rio de Janeiro, apontando novos olhares do audiovisual | Divulgação
Por André Freitas, do RIO DE JANEIRO, ÀS 13h50h — O Cine Diversidade retorna ao Rio entre os dias 7 e 14 de dezembro, reforçando o papel da cidade como ponto de encontro do audiovisual latino-americano. A oitava edição reúne curtas brasileiros e estrangeiros no Museu de Arte do Rio, Arena Carioca Dicró, Cine Bela Maré e Casa Bosque, ampliando o circuito e fortalecendo a circulação por territórios diversos.
Idealizado por Karina de Abreu e Karla Suarez, da ColetivA DELAS, o festival consolida debates sobre gênero, raça, território, diversidade sexual e modos contemporâneos de existir.
A nova edição reafirma o Cine Diversidade como dispositivo de circulação de saberes e ampliação de acesso. Desde 2016, a ColetivA DELAS já realizou mais de 150 ações culturais, alcançou mais de 3 milhões de pessoas e gerou milhares de postos de trabalho. O conjunto evidencia a capacidade da cultura de atuar como política pública e vetor de desenvolvimento.
“A cultura tem sido uma plataforma essencial de educação, cidadania e transformação. Por isso, nossa curadoria busca abraçar complexidades que atravessam o Brasil de hoje, especialmente as que quase nunca chegam ao circuito comercial”, diz a diretora Karla Suarez.
Programação
A abertura ocorre no dia 7, no Museu de Arte do Rio, com condução da atriz e apresentadora Mariana Xavier. Ela participa da mesa “Vozes de Verniz: Narrativas de Corpo, Saúde e Representação no Audiovisual”.

Ainda no MAR, a sessão Territórios Diversos recebe a multiartista Hiura Fernandes. Ela articula, em suma, reflexões sobre audiovisual, periferia, corpo e ancestralidade. A noite termina com performance e pocket show da artista Preta Queen B Hull.
No dia 10, o festival chega à Casa Bosque, onde o artista Catu Rizo conduz uma oficina de práticas poéticas audiovisuais. Em seguida, acontece a exibição de um conjunto especial de curtas.
Nos dias 11 e 12, o Cine Diversidade se desloca para a Arena Carioca Dicró e, ao mesmo tempo, no Cine Bela Maré. A circulação do evento fortalece regiões que concentram grande potência criativa, mas quase sempre excluídas do mapa da cultura.
Nesse sentido, a presença do festival nesses espaços reforça a importância de descentralizar equipamentos culturais. Sobretudo, estimulando a produção local. Porém, o mais importante consiste em garantir que obras e debates cheguem a esses públicos historicamente excluídos dos grandes eventos do setor.
“A gente entende que o festival não é só uma mostra de curtas. Ele se firmou como um espaço estratégico para discutir crise climática, raça, território, diversidade sexual e modos contemporâneos de existir. É um lugar de encontro, de debate público e de construção simbólica”, considera a diretora Karina de Abreu.
Debates no MAR encerram a edição com foco em representatividade
A programação retorna ao Museu de Arte do Rio no dia 14 para o encerramento. A atriz e cineasta Julia Katharine conduz a roda Representatividade em Movimento, que aborda a construção de narrativas trans e a presença dessas vozes tanto diante quanto atrás das câmeras.
Em seguida, a sessão Reflexos do Feminino recebe a pesquisadora e roteirista Luana Rocha. Em síntese, ela analisa como mulheres negras têm reposicionado seus corpos, imaginários e protagonismos no audiovisual brasileiro contemporâneo.
A noite termina com a entrega do Prêmio Tibira, que reconhece trajetórias marcantes pela coragem, pela inovação e pelo impacto social. As homenageadas deste ano são Renata Carvalho, Denise Saraceni e Wescla Vasconcelos.










































