

COP30: Brasil convoca setor privado para acelerar ações climáticas | Fernando Frazão/Agência Brasil
A presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), liderada pelo embaixador André Correa do Lago, divulgou nesta sexta-feira (28) uma nova carta à comunidade internacional, convidando o setor privado a integrar a agenda de ação climática proposta pelo Brasil.
“Para uma COP ser de implementação, é preciso ação. Além dos Estados, queremos reforçar a presença de entes subnacionais, universidades, sociedade civil e, neste caso, do empresariado”, explicou Correa do Lago.
O comunicado destaca que o setor privado já impulsiona a transição verde, mas é necessário acelerar esse processo de forma exponencial.
“O impacto dos próximos 30 anos dependerá da capacidade de criar condições regulatórias, econômicas e sociais nacionais para que os objetivos do Acordo de Paris funcionem para pessoas e empresas”, reforçou.
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Segundo o embaixador, a COP30 poderá definir novas regras para o mercado global, abrindo frentes de negócios transformadores. A carta cita a transição energética como exemplo, que movimentou mais de US$ 2 bilhões em investimentos e gerou 35 milhões de empregos em 2023, segundo relatório das Nações Unidas.
A diretora executiva da COP30, Ana Toni, destacou que muitas empresas pioneiras já atuam na transformação, mas o convite é para ampliar a participação de todos os empresários, dando escala e velocidade às ações contra a mudança climática.
Além disso, Correa do Lago acrescentou que o setor privado, ao perceber oportunidades econômicas, pode ir além do que governos recomendariam, criando uma dinâmica autônoma e lucrativa dentro da transição verde.
Ferramenta de monitoramento e aceleração
A carta sugere que o setor privado se oriente pelo primeiro Balanço Global (GST), apresentado na COP28, e destaca que iniciativas anteriores estão sendo mapeadas e otimizadas.
Um Grupo de Ativação reunirá projetos pioneiros, escaláveis e reais na plataforma Celeiro de Soluções, acompanhados de Planos de Aceleração de Soluções, com ajustes de políticas, parcerias e financiamento.
“O monitoramento é central. Encontramos quase 490 iniciativas em agendas anteriores, mas poucas são lembradas. Muitas ações já poderiam ser implementadas”, afirmou o embaixador.
Oportunidades e colaboração
Além disso, a presidência brasileira reforça que a colaboração público-privada pode enfrentar a urgência climática e criar oportunidades vantajosas.
“A transição para uma economia de baixo carbono é hoje um dos maiores motores de inovação e crescimento. Da energia limpa à agricultura regenerativa, as fronteiras de negócios sustentáveis crescem exponencialmente”, destacou a carta.
O comunicado conclui convidando CEOs, investidores, inovadores e empresários a participarem da COP30 em Belém, reconhecendo o desafio logístico, mas reforçando o simbolismo da região:
“A Amazônia é o lar de pessoas na linha de frente da crise climática e do coração de suas soluções. Vir a Belém é oportunidade de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e colaborar no Mutirão Global”.