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O futebol brasileiro atropelado, atropelando a geografia, a Libertadores e a Sul-Americana

Edição de 1990 do Jornal do Brasil traz reportagem de Vicente Dattoli, mantendo a coerência e chamando o campeonato de estadual há comprovados 36 anos

Reportagem assinada por este colunista, atualmente editor sênior do Folha do Leste, comprovando a coerência de chamar o campeonato do Rio de Janeiro de estadual — e não de carioca. Naquele tempo, ao menos, o clube pequeno podia sonhar sem ser atropelado pelo futebol brasileiro, que agora vive atropelando a geografia, a Libertadores e a Sul-Americana.

Em duas semanas, teremos o Estadual de futebol – perdoem, mas meus conhecimentos de história e geografia não me permitem chamar de Carioca, ao passo que dentro de 30 dias, o Brasileiro, já atropelado, começará atropelando, as fases prévias da Libertadores e da Sul-Americana.

Seis meses se passam e vem a Copa do Mundo…

O futebol, felizmente, não para. E deixa em sobressalto quem gosta de ver aquela bola cada vez mais colorida, rolando em gramados reais ou “de plástico”. Não dá tempo para pensar, é curtir e ponto final.

Voltando, porém, ao início (do ano). Carioca seria um campeonato com América, Bangu, Olaria, Campo Grande, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, São Cristóvão, Madureira, Bonsucesso e Portuguesa. Como nos anos 1960 (exclui o Canto do Rio, de Niterói, não da Guanabara), até metade dos anos 70.

Veio a fusão e quiseram manter o nome. Só que nem mais o charme do Serrano, do Americano, do Goytacaz ou do Friburguense temos. Aí, por marketing, chamam de Carioca. Eu, não. É estadual e ponto final.

Antes mesmo do carnaval, vem o Brasileiro, no mais novo calendário do futebol nacional. Serão 38 intermináveis rodadas. Se repetirem 2025, teremos dois, no máximo três times brigando pelo título. Chaaaaaatttooo… Dizem, porém, que é mais justo.

Perguntem aos torcedores de Vasco e Corinthians, finalistas da Copa do Brasil, se houve alguma injustiça em seus times decidirem o título. Duvido que apareça alguém para concordar.

Aí temos março, abril, maio… Em junho, o país deve parar.

Sob o comando de um italiano, a seleção brasileira tentará quebrar seu segundo mais longo jejum sem títulos. Serão 24 anos desde que a família Scolari faturou o penta no Mundial do Japão e da Coreia do Sul.

Seleção brasileira pentacampeã do Mundo em 2022, em seu último título conquistado há 24 anos

Seleção brasileira pentacampeã do Mundo em 2022, em seu último título conquistado há 24 anos

Nosso time é muito mais fraco do que aquele que preencheu nossas madrugadas de 2002 – ou será que alguém acha que este time tem jogador que se compare, por exemplo, a Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho, para citar apenas dois?

Estaremos lá, porém, torcendo.

Que venha o hexa, um bom aperitivo para que consigamos manter a hegemonia no futebol de clubes da América do Sul, afinal de contas… Há quanto tempo mesmo não vemos um time não brasileiro faturando a Libertadores?

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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