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Obesidade inflamatória: terapias e riscos para outras doenças

Obesidade inflamatória: terapias e riscos para outras doenças

Obesidade inflamatória: terapias e riscos para outras doenças

A obesidade não é mais considerada um fator de risco isolado, mas vista como uma doença inflamatória sistêmica causadora de 200 outras doenças. Soma-se a isso o fato de a obesidade em adultos ter se tornado um problema de saúde comum. De acordo com o recente relatório Estado da Obesidade 2025, 42% da população adulta em algumas partes do mundo é obesa.

Além disso, a previsão é de que, ao longo dos anos, as taxas de obesidade atinjam níveis históricos. Esse avanço impactará os sistemas de saúde globais, resultando no desenvolvimento secundário e na carga de problemas como diabetes tipo 2, apneia do sono, câncer e doenças cardiovasculares.

No Brasil, entretanto, mais de 60% da população já apresenta sobrepeso, de acordo com a análise da pesquisa Vigitel. Nesse cenário, a medicina atual não foca apenas na perda de peso estética. De igual forma, age na “remissão metabólica” através de abordagens multidisciplinares. Em outras palavras, com estratégias terapêuticas que integram, simultaneamente, diferentes áreas da saúde

“Hoje, sabemos que o mais importante no tratamento da obesidade é ter zero gordura visceral e aumento da massa magra. E a queda hormonal provoca justamente o contrário: aumento da gordura visceral e perda de massa magra” destaca a médica Márcia Umbelino. 

Além de clínica geral e geriatra, a doutora Márcia Umbelino tem especialização em reposição hormonal. 

“Por isso, não tem como falar de controle da obesidade para uma mulher na menopausa sem falar de reposição hormonal”, explica a especialista.

Médica Márcia Umbelino, especialista em Clínica Geral, Geriatria e reposição hormonal

Médica Márcia Umbelino, especialista em Clínica Geral, Geriatria e reposição hormonal

O papel da reposição hormonal na perda de peso

Atualmente, um dos maiores desafios enfrentados pela comunidade médica consiste em como o estado hormonal deficiente impede que os pacientes percam peso, mesmo com a adoção de boas dietas e exercícios. A médica Márcia Umbelino explica que o corpo entra em um modo de resistência à medida que envelhecemos, o que favorece o acúmulo de gordura.

“A obesidade não se resume ao que você come, mas a como o corpo processa a energia. Em virtude da queda nos níveis de estrogênio nas mulheres e de testosterona nos homens, o metabolismo desacelera e a gordura visceral aumenta”, explica a especialista

Além de dar a causa, Márcia Umbelino explica qual terapia é mais eficaz na sua opinião clínica.

“A reposição hormonal, com indicação e acompanhamento adequados, serve como um ‘reset’ biológico que restabelece a capacidade metabólica do paciente de queimar gordura e manter a massa magra”, explica.

Canetas Emagrecedoras: Aliadas ou Vilãs

Embora o “boom” das canetas emagrecedoras (análogos de GLP-1) tenha trazido uma ferramenta poderosa na luta contra a obesidade, o uso indiscriminado pode levar a efeitos colaterais graves. A especialista Márcia Umbelino enfatiza a importância do uso consciente e monitorado. Ao mesmo tempo, destaca que esses medicamentos melhoram a resistência à insulina. Porém, não consistem numa varinha mágica por si sós.

Ainda sobre o uso das canetas, a médica alerta para os riscos severos de seu uso sem o devido controle clínico. Caso o paciente ignore o acompanhamento nutricional e as mudanças no estilo de vida, ele pode desenvolver sarcopenia, que tem como resultado a perda severa de massa muscular. De igual forma, o uso indevido pode ter como consequência quadros de anemia e inflamação no fígado e na vesícula.

O Coração no Centro do Problema

A associação entre excesso de peso e saúde cardíaca é direta e perigosa. A gordura acumulada no corpo, especialmente na região do abdômen, libera substâncias químicas inflamatórias. Elas atacam as artérias e forçam o músculo cardíaco a trabalhar sob condições de alta pressão.

Nesse sentido, a cardiologista Isa Bragança acrescenta que a obesidade funciona como o gatilho para tragédias cardiovasculares evitáveis.

“A hipertensão e a insuficiência cardíaca são alimentadas pela obesidade. Em contrapartida, cada quilo perdido reduz significativamente a sobrecarga no coração, melhorando a saúde cardiovascular”, observa a médica ao reforçar que a estabilização hormonal aliada à tecnologia é cardiologia preventiva de alto nível.

Médica Isa Bragança, especializada em Cardiologia, em seu consultório

Médica Isa Bragança, especializada em Cardiologia, em seu consultório

Um Olhar para o Futuro

O consenso entre os especialistas é que o manejo da obesidade em 2026 envolve examinar o paciente como um todo. Principalmente, com a integração da cardiologia com a geriatria metabólica.

De tal modo, podemos concluir que o tratamento ocorre de modo mais seguro dessa forma. O fundamento disso está em evitar que a perda rápida de peso comprometa a saúde óssea ou leva à perda de massa muscular, o que, segundo as especialistas que ouvimos nesta reportagem, prejudica o envelhecimento ativo e a prevenção de doenças crônicas.

Adriana Diniz
Adriana Leite Diniz é jornalista com mais de 20 anos de experiência em grandes redações do Rio de Janeiro, com passagens por Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Expresso e Jornal Extra. Atuou na cobertura de política, saúde, economia e hard news, exercendo funções de repórter, redatora, chefe de reportagem e subeditora. Recebeu a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e integrou série especial do Jornal Extra selecionada para concorrer ao Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente é repórter especial e colunista de Saúde do Folha do Leste, onde escreve sobre saúde pública, prevenção, bem-estar e políticas do setor.

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