O futebol brasileiro atropelado, atropelando a geografia, a Libertadores e a Sul-Americana

Reportagem assinada por este colunista, atualmente editor sênior do Folha do Leste, comprovando a coerência de chamar o campeonato do Rio de Janeiro de estadual — e não de carioca. Naquele tempo, ao menos, o clube pequeno podia sonhar sem ser atropelado pelo futebol brasileiro, que agora vive atropelando a geografia, a Libertadores e a Sul-Americana.
Em duas semanas, teremos o Estadual de futebol – perdoem, mas meus conhecimentos de história e geografia não me permitem chamar de Carioca, ao passo que dentro de 30 dias, o Brasileiro, já atropelado, começará atropelando, as fases prévias da Libertadores e da Sul-Americana.
Seis meses se passam e vem a Copa do Mundo…
O futebol, felizmente, não para. E deixa em sobressalto quem gosta de ver aquela bola cada vez mais colorida, rolando em gramados reais ou “de plástico”. Não dá tempo para pensar, é curtir e ponto final.
Voltando, porém, ao início (do ano). Carioca seria um campeonato com América, Bangu, Olaria, Campo Grande, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, São Cristóvão, Madureira, Bonsucesso e Portuguesa. Como nos anos 1960 (exclui o Canto do Rio, de Niterói, não da Guanabara), até metade dos anos 70.
Veio a fusão e quiseram manter o nome. Só que nem mais o charme do Serrano, do Americano, do Goytacaz ou do Friburguense temos. Aí, por marketing, chamam de Carioca. Eu, não. É estadual e ponto final.
Antes mesmo do carnaval, vem o Brasileiro, no mais novo calendário do futebol nacional. Serão 38 intermináveis rodadas. Se repetirem 2025, teremos dois, no máximo três times brigando pelo título. Chaaaaaatttooo… Dizem, porém, que é mais justo.
Perguntem aos torcedores de Vasco e Corinthians, finalistas da Copa do Brasil, se houve alguma injustiça em seus times decidirem o título. Duvido que apareça alguém para concordar.
Aí temos março, abril, maio… Em junho, o país deve parar.
Sob o comando de um italiano, a seleção brasileira tentará quebrar seu segundo mais longo jejum sem títulos. Serão 24 anos desde que a família Scolari faturou o penta no Mundial do Japão e da Coreia do Sul.

Seleção brasileira pentacampeã do Mundo em 2022, em seu último título conquistado há 24 anos
Nosso time é muito mais fraco do que aquele que preencheu nossas madrugadas de 2002 – ou será que alguém acha que este time tem jogador que se compare, por exemplo, a Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho, para citar apenas dois?
Estaremos lá, porém, torcendo.
Que venha o hexa, um bom aperitivo para que consigamos manter a hegemonia no futebol de clubes da América do Sul, afinal de contas… Há quanto tempo mesmo não vemos um time não brasileiro faturando a Libertadores?

























