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Morte de Anderson Paz: intérprete do samba-enredo morre aos 52 anos no Rio

Anderson Fernandes da Silva, artisticamente conhecido como Anderson Paz, morre no Rio de Janeiro aos 52 anos | Reprodução

Anderson Fernandes da Silva, artisticamente conhecido como Anderson Paz, morre no Rio de Janeiro aos 52 anos | Reprodução

A morte do cantor e intérprete de samba-enredo Anderson Paz abalou o mundo do samba na noite desta segunda-feira (12), no Rio de Janeiro. Anderson Fernandes da Silva, referência no samba-enredo, morreu aos 52 anos em decorrência de um câncer no pâncreas. Ele estava internado no Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Primeiros acordes musicais

Nascido no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Anderson deu os primeiros passos no mundo do samba nos anos de 1990. Acima de tudo, estimulado por sua avó, Enedina Adelaide. Inicialmente, no bloco de carnaval ‘Mataram meu Gato‘. Posteriormente, esse bloco se tornou a escola de samba Gato de Bonsucesso.

Ao mesmo tempo, Anderson Paz começou a cantar em grupos de pagode. Por exemplo, Lá Samba, Só Preto sem Preconceito Bagagem. Contudo, não demorou para sua voz se somar a de intérpretes de samba-enredo, como cantor de apoio em agremiações cariocas.

Com o tempo, entretanto, evoluiu e teve sua primeira oportunidade como intérprete oficial na Lins Imperial. Isso aconteceu no carnaval do ano 2000, na Marquês de Sapucaí, no Grupo B, que na época desfilava na terça-feira de carnaval.

Segura aí

Mas Anderson Paz não demorou a chegar ao Grupo Especial. Em 2001,  se transferiu para a São Clemente, que estava no Grupo A e subiu com a agremiação de Botafogo para a elite. Então, em 2002, sua voz alcançou o topo, num samba-enredo em homenagem a Guapimirim. A São Clemente terminou rebaixada. Mesmo assim, ele permaneceu na escola, que subiu novamente em 2003, voltando ao Grupo Especial em 2004.

Em seguida, no carnaval de 2005, Anderson se manteve na elite do carnaval, trocando a São Clemente pela Rocinha.

Mesmo sem se firmar no grupo especial de forma contínua Anderson Paz sempre teve seu trabalho musical valorizado. Como prova disso, muitas parcerias de compositores renomados, em épocas de concurso de sambas-enredo, sempre fizeram de Anderson Paz um dos cantores mais requisitados.

Intérprete de canções antológicas

Duas passagens de Anderson Paz no carnaval foram marcantes. Em 2007, coube a ele, como intérprete da Estácio de Sá na volta do Leão ao Grupo Especial após 10 anos, cantar a reedição do antológico Ti-ti-ti do Sapoti. Com muita competência, alegria e empolgação, fez novamente a arquibancada cantar, juntamente com os componentes da escola.

De igual forma, em sua última participação no Grupo Especial, em 2019, Anderson Paes cantou o samba “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha. Podemos parafrasear os versos desse hino da música brasileira e, desse modo, afirmar que Anderson Paz viveu e não teve a vergonha de ser feliz. Cantou, cantou e cantou, a beleza de ser um eterno aprendiz, mesmo sabendo que a vida podia ser bem melhor. Se pra ele terminou de forma triste, isso não impede que a gente repita: foi bonita, foi bonita e foi bonita.

Legado e despedidas

Ao longo da carreira, Anderson Paz defendeu grandes agremiações. Ele teve passagens por São Clemente, Estácio de Sá, Acadêmicos da Rocinha, Paraíso do Tuiuti, Porto da Pedra, Lins Imperial e Império Serrano. Em todas, deixou identidade própria e forte conexão com o público.

A Estácio de Sá lamentou a perda em nota oficial. A escola destacou a trajetória respeitada e a emoção que o intérprete levou à Sapucaí. Segundo o comunicado, Anderson marcou gerações com seu canto e sua entrega ao samba.

A Acadêmicos da Rocinha também prestou homenagem. A agremiação relembrou os cinco carnavais vividos ao lado do intérprete e ressaltou o papel decisivo dele na conquista do acesso e na passagem pelo Grupo Especial.

A morte de Anderson Paz encerra uma história construída com talento, persistência e amor ao carnaval. O legado segue vivo nos sambas, nos desfiles e na memória das comunidades que ele ajudou a emocionar.

Voz que atravessou gerações do samba

Reconhecido pela técnica e pela emoção, Anderson Paz transformava cada samba-enredo em narrativa viva. Sua interpretação forte aproximava escola e arquibancada, criando momentos marcantes na Avenida.

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