
Ministério da Saúde investiga transplantes com HIV no Rio | Valter Campanto/Agência Brasil
O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira (11) o caso dos pacientes no Rio de Janeiro receberam órgãos contaminados pelo HIV de dois doadores. O erro aconteceu devido a falhas em exames realizados pelo laboratório PCS Lab Saleme. A situação é inédita no estado e está sendo investigada por várias entidades, incluindo o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ).
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Para garantir a segurança do sistema de transplantes, o Ministério da Saúde anunciou medidas imediatas, como a retestagem de todos os materiais dos doadores e a suspensão do laboratório responsável pelos exames. As novas testagens serão realizadas exclusivamente pelo Hemorio.
Cinco medidas adotadas para investigar o caso
O Ministério da Saúde implementou uma série de ações para evitar novos casos de contaminação. Entre elas estão:
- A interdição cautelar do PCS Lab Saleme, cujo laboratório opera no Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC).
- A retomada das testagens de doadores de órgãos exclusivamente pelo Hemorio, utilizando o teste NAT.
- A reavaliação de todos os exames realizados pelo laboratório, buscando identificar outros possíveis erros.
- Atendimento especializado aos pacientes que receberam os órgãos contaminados e seus familiares.
- A realização de uma auditoria urgente pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) no sistema de transplantes do Rio de Janeiro.
O Ministério reforçou as normas e orientações técnicas para melhorar a identificação de doenças transmissíveis, como HIV e hepatite C, antes da doação de órgãos.
Entenda o incidente
Seis pacientes que estavam na fila de transplantes receberam órgãos contaminados pelo HIV, o que gerou uma série de investigações. O laboratório responsável, PCS Lab Saleme, foi contratado em dezembro de 2022 por R$ 11 milhões, através de licitação, para realizar exames sorológicos nos órgãos doados. O laboratório, localizado em Nova Iguaçu, foi interditado após a confirmação das falhas.
O caso foi revelado pela BandNews FM, e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou o ocorrido. Além do Ministério da Saúde, o Ministério Público do RJ, a Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) estão envolvidos na investigação.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) descobriu que o laboratório não possuía os kits adequados para os testes de HIV, levantando suspeitas de que os resultados podem ter sido forjados. A investigação ainda está em andamento para apurar todas as irregularidades.
Um dos sócios do laboratório PCS Lab Saleme é Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira, primo do ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Doutor Luizinho, atual deputado federal e líder do Partido Progressista (PP) na Câmara dos Deputados. A investigação busca esclarecer possíveis conflitos de interesse e fraudes na contratação do laboratório.
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