
Lula recebe líderes mundiais no MAM, entre eles Joe Biden | Reprodução O Globo
O Rio de Janeiro, com seu inconfundível cenário de belezas naturais e vida vibrante, se tornou o centro das atenções globais nesta segunda-feira (18), ao sediar a abertura da Cúpula de Líderes do G20. O Museu de Arte Moderna (MAM), situado no Aterro do Flamengo, foi o palco onde os líderes das principais potências do mundo se reuniram. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início aos trabalhos de sua presidência rotativa do G20. Com um discurso que não só destacou a importância da diplomacia multilateral, mas também lançou a sua grande bandeira no evento: a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Entre os líderes que chegaram ao Brasil estavam o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o presidente da China, Xi Jinping; o presidente da França, Emmanuel Macron; e o presidente argentino Javier Milei. Contudo, foi o encontro entre Lula e Milei que capturou mais olhares, não pela cordialidade, mas pela frieza do cumprimento. Um gesto frio, que durou meros 15 segundos, revelou a tensão entre os dois líderes. Os países compartilham uma fronteira e um histórico de desentendimentos políticos, especialmente em relação ao multilateralismo e às questões econômicas.
A tensa relação entre Lula e Milei
O cenário de tensão não foi surpresa para muitos observadores. Desde antes de sua posse, Milei já demonstrava aversão a algumas das principais propostas da presidência brasileira do G20. Incluindo a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A Argentina foi o único país entre os presentes na cúpula a não aderir à aliança. Isso levanta questões sobre a postura econômica do governo de Milei, que prioriza austeridade e o combate à inflação em sua agenda nacional.
Milei, conhecido por sua postura irreverente e pouco afeito a protocolos diplomáticos, chegou ao MAM acompanhado de sua irmã, Karina Milei. Com um comportamento que não escondeu o distanciamento. O presidente argentino, que optou por um trajeto discreto até o evento, sequer participou de um jantar formal na noite anterior, preferindo manter-se isolado em seu hotel, em Copacabana, com apenas sua equipe próxima.

Lula recebe líderes mundiais no MAM, entre eles Javier Milei | Reprodução
Biden e sua saúde
Biden cumprimentou Lula com cordialidade, embora o gesto tenha gerado especulações sobre a saúde do líder americano. Aos 81 anos, ele tem enfrentado críticas e questionamentos sobre sua condição física, que se refletiram em momentos públicos de confusão ou tropeços.
A relação entre os Estados Unidos e o Brasil, marcada por desafios nos últimos anos, parece, no entanto, ter um novo capítulo em construção. O cumprimento amistoso entre Lula e Biden contrastou com a frieza da interação entre o presidente brasileiro e seu colega argentino. Biden e Lula possuem interesses comuns em questões globais, como a mudança climática e a governança econômica internacional.
A ausência de Putin
Outro ponto delicado foi a ausência do presidente russo, Vladimir Putin, que, apesar de ter sido convidado, não compareceu à cúpula. O motivo oficial para sua não participação foi uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Isso devido à sua responsabilidade no conflito na Ucrânia. A não vinda de Putin levantou questionamentos sobre o papel do Brasil, membro do TPI, que tecnicamente tem a obrigação de prender líderes sujeitos a mandados de prisão quando estão em território brasileiro.
Expectativas para os próximos dias
Ao longo desta segunda-feira, além da sessão dedicada ao combate à fome e à pobreza, os líderes do G20 devem abordar temas. Entre eles a reforma das instituições de governança global, outra proposta-chave da presidência brasileira do G20. Para Lula, a reforma das organizações multilaterais é um dos pilares de sua agenda. Ele busca aumentar a representatividade de países em desenvolvimento nas principais decisões globais.