

Escritor Luis Fernando Verissimo morre aos 88 anos em Porto Alegre | Alice Vergueiro/ABRAJI
O escritor Luis Fernando Verissimo faleceu neste sábado (30), aos 88 anos, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, vítima de pneumonia.
Humor, crônica e precisão
Verissimo deixa a mulher Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos. Ao longo de sua carreira, atuou como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor, dramaturgo e romancista. O escritor também era músico amador e dedicado saxofonista.
Filho do escritor Érico Verissimo, Luis Fernando publicou mais de 80 obras, entre elas As Mentiras que os Homens Contam, O Popular: Crônicas ou Coisa Parecida, A Grande Mulher Nua e Ed Mort e Outras Histórias.
Suas crônicas e contos o tornaram um dos autores contemporâneos mais populares do Brasil, com O Analista de Bagé (1981) esgotando sua primeira edição em apenas uma semana.
Filosofia e legado
Verissimo era conhecido por sua timidez e por acreditar na diferença entre ser humorista e fazer humor:
“O humorista é o cara que tem uma visão humorística das coisas. O humor é sua maneira de ver e de ser”.
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Durante a ditadura, mantinha uma crônica reserva, publicada quando a censura barrava textos críticos, mostrando inteligência e sutileza em sua escrita.
Segundo Elias Thomé Saliba, professor da USP e especialista em humor, Verissimo foi “o cronista mais popular do Brasil”, aquele que consegue expressar o que o leitor sente, mas não consegue colocar em palavras.
Ele escrevia poucas palavras, mas com extrema precisão, tornando seu humor inteligível, afiado e atemporal.
Documentário e memória
Em 2024, foi lançado o documentário Verissimo, que acompanha 15 dias do cotidiano do autor prestes a completar 80 anos. O longa, disponível no streaming Mubi, foge da biografia cronológica tradicional e foca na vida cotidiana e na criação literária do escritor.