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Lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais vira alvo de ação judicial

Plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina durante votação

Lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais vira alvo de ação judicial | Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Lei que proíbe cotas raciais em universidades estaduais de Santa Catarina foi parar na Justiça menos de uma semana após entrar em vigor. Uma ação popular pede a suspensão imediata da norma por inconstitucionalidade.

A proibição de cotas raciais nas universidades estaduais de Santa Catarina já enfrenta contestação judicial. A medida foi sancionada pelo governador Jorginho Mello e publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira.

A ação popular foi protocolada na Vara da Fazenda Pública de Florianópolis. Os autores são a deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) e o presidente do Sebrae, Décio Lima.

Eles sustentam que o estado não pode revogar políticas públicas autorizadas por lei federal. O processo cita decisões do Supremo Tribunal Federal que reconhecem a constitucionalidade das ações afirmativas.

O pedido solicita a suspensão imediata da lei. No mérito, os autores querem a anulação completa da norma.

Para Ana Paula Lima, o texto representa retrocesso no acesso ao ensino superior. Segundo ela, as cotas corrigem desigualdades históricas que ainda limitam o ingresso de estudantes negros na universidade.

Décio Lima afirma que a legislação estadual afronta diretamente o ordenamento jurídico nacional. Para ele, a existência de uma lei federal impede qualquer proibição local.

A ação também alerta para impactos financeiros. A lei prevê multas de R$ 100 mil por edital e pode afastar universidades estaduais de programas federais de inclusão e assistência estudantil.

A juíza Luciana Pelisser Gottardi Trentini deu prazo de 72 horas para que o governo de Santa Catarina se manifeste.

O que diz a lei

A Lei nº 19.722/2026 foi aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2025. O texto proíbe universidades estaduais e instituições que recebem recursos do estado de adotarem cotas raciais ou ações afirmativas semelhantes.

A vedação vale para estudantes, professores e servidores. A norma admite apenas reservas de vagas por critérios econômicos, para pessoas com deficiência e para alunos da rede pública estadual.

O autor do projeto, deputado Alex Brasil (PL), afirma que cotas raciais ferem os princípios da isonomia e da impessoalidade.

A restrição não atinge universidades federais, como a UFSC, mas afeta diretamente a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que atende cerca de 14 mil estudantes.

Repercussão

O Ministério da Igualdade Racial classificou a lei como inconstitucional. A pasta informou que acionará a Ordem dos Advogados do Brasil para avaliar medidas jurídicas.

Em 2012, o STF declarou constitucionais as cotas raciais nas universidades, ao julgar o sistema adotado pela Universidade de Brasília.

Para especialistas, o tema deve voltar ao Supremo. Juristas divergem sobre a autonomia dos estados para restringir políticas afirmativas já validadas pela Corte.

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Angélica Carvalho
Angélica Carvalho é jornalista profissional e radialista. Idealizadora e editora-chefe do Folha do Leste, é também sócia-administradora da Brasil 21 Comunicação. Atua na definição das diretrizes editoriais, na coordenação da equipe, na curadoria de pautas e na tomada de decisões estratégicas do veículo. Possui experiência consolidada em assessoria de imprensa e comunicação política no setor público. Além disso, trabalhou por mais de uma década em grandes eventos, com destaque para o Desfile das Escolas de Samba do carnaval carioca.

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